
Lucros do Millennium bim caem 54,1% em 2024, pressionados por imparidades e ambiente económico desafiante
- Apesar da robustez dos rácios de capital e da posição de liquidez, aumentos expressivos de imparidades e a queda acentuada dos lucros expõem os desafios da estabilidade de longo prazo
O Millennium bim apresentou em 2024 indicadores mistos que, se por um lado comprovam a resiliência e robustez financeira da instituição, por outro levantam alertas sobre pressões de rentabilidade e qualidade dos activos. Uma análise cuidada aos dados do Relatório e Contas permite aferir que a sustentabilidade futura exigirá ajustes estratégicos firmes num contexto económico ainda volátil.
O exercício de 2024 foi, para o Millennium bim, uma prova de solidez estrutural em tempos de instabilidade económica. Com um activo total de 202 mil milhões de Meticais (+6,1% face a 2023) e recursos de clientes em ascensão para 156,8 mil milhões de Meticais (+7,1%), o banco preservou uma base robusta de funding e liquidez.
No entanto, por detrás da expansão do balanço, o desempenho revelou pressões importantes que devem ser cuidadosamente monitorizadas pelos analistas e stakeholders.
Resultados pressionados: imparidades como variável crítica
O resultado líquido caiu abruptamente 54,1%, fixando-se em 3,3 mil milhões de Meticais. A principal explicação reside no aumento substancial das imparidades, especialmente sobre títulos da dívida pública moçambicana, após a degradação do rating soberano para CCC-.
As imparidades e provisões totalizaram 3,5 mil milhões de Meticais em 2024, contra reversões no ano anterior, reflectindo uma alteração profunda no perfil de risco da carteira de activos. Esta evolução evidencia o risco soberano como um factor-chave que condiciona a performance do sector bancário moçambicano.
Qualidade dos activos: evolução positiva, mas com desafios
Apesar do ambiente adverso, a qualidade dos activos do Millennium bim manteve-se sólida:
- O rácio de crédito vencido superior a 90 dias reduziu-se para 2,8% do total da carteira;
- O rácio de crédito com incumprimento fixou-se em 2,9%;
- O rácio NPE-EBA (Non-Performing Exposure, segundo critérios da EBA) melhorou de 1,5% para 1,4%.
Estes números são consistentes com boas práticas de gestão de risco e destacam a eficácia do controlo interno.
Contudo, o custo do risco — embora baixo em termos absolutos (38 pontos base) — inverteu a tendência excepcionalmente positiva de 2023 (quando se registaram recuperações líquidas). A tendência de subida deverá ser acompanhada nos próximos trimestres.
Solidez de capital: um pilar de força
Um dos maiores trunfos do Millennium bim continua a ser o seu rácio de solvabilidade de 36,7%, largamente acima do mínimo regulatório de 12%. Este nível de capitalização proporciona uma margem de segurança confortável face a choques futuros e preserva a confiança dos investidores e depositantes.
Além disso, o rácio Tier 1 de 40,3% confirma uma estrutura de capital de alta qualidade, quase integralmente composta por fundos próprios primários.
Pressões operacionais: eficiência e rentabilidade em foco
Apesar da expansão da actividade, o Millennium bim registou uma deterioração do rácio de eficiência, que atingiu 50,2%, contra 47,8% no ano anterior. Um nível superior a 50% é geralmente considerado sub-óptimo para bancos universais em mercados emergentes.
Em termos de rentabilidade, os indicadores também sinalizaram erosão:
- ROE (Return on Equity) caiu de 21,1% para 9,5%;
- ROA (Return on Assets) desceu de 3,9% para 1,7%.
Embora a base de activos tenha crescido, a pressão sobre margens operacionais e o aumento dos custos de risco afectaram a capacidade de geração de valor para os accionistas.
Forças, vulnerabilidades e perspectivas
Aspectos Positivos | Vulnerabilidades e Riscos |
|---|---|
Capitalização muito elevada (solvabilidade 36,7%) | Pressão sobre a rentabilidade (queda de ROE e ROA) |
Qualidade dos activos robusta (NPE-EBA 1,4%) | Sensibilidade a choques soberanos e aumento de imparidades |
Crescimento sólido dos depósitos (7,1%) | Eficiência operacional aquém dos padrões de excelência |
Estabilidade da base de clientes (+6,7%) | Custo do risco voltou a terreno positivo |
Inovação e transformação digital em curso | Exposição elevada ao risco sistémico do país |
Uma fortaleza prudente em tempos incertos
O Millennium bim demonstra, no seu desempenho de 2024, que possui fundamentos sólidos, capacidade de absorver choques e compromisso com a prudência financeira.
Porém, a sustentabilidade futura exigirá mais do que robustez de balanço: será necessário recuperar rentabilidade, melhorar a eficiência operacional e reduzir a exposição a riscos soberanos excessivos.
A transformação digital e o fortalecimento da cultura de risco serão pilares estratégicos para assegurar que o banco continue não apenas resiliente, mas também competitivo e sustentável a longo prazo.
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