Mercados africanos continuam a desenvolver-se apesar dos choques globais

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O Índice dos mercados Financeiros Africanos do ABSA, publicado esta semana, ( Absa Africa Financial Markets Index (AFMI) 2023 revela que houve um progresso contínuo no desenvolvimento dos mercados financeiros em toda a África no ano passado, com muitos países do AFMI a tomarem medidas para reforçar a sua resiliência contra os choques do mercado global.

Agora no seu sétimo ano, o índice classifica o desenvolvimento financeiro dos países africanos com base em medidas de acessibilidade, abertura e transparência do mercado. Com o apoio da Comissão Económica das Nações Unidas para África, a cobertura do relatório deste ano aumentou para 28 economias, com a inclusão de Cabo Verde e da Tunísia. O objectivo do relatório é mostrar como os países podem reduzir as barreiras ao investimento e impulsionar o crescimento sustentável. 

Para construir o índice, o Fórum Oficial das Instituições Monetárias e Financeiras (OMFIF) realizou uma extensa pesquisa quantitativa e análise de dados com inquéritos a mais de 50 organizações em toda a África, incluindo bancos centrais, bolsas de valores, reguladores e participantes no mercado. 

Pelo segundo ano consecutivo, as pontuações aumentaram na maioria dos países do AFMI. Em 15 países, aumentaram em grande medida devido a uma melhoria da transparência do mercado, nomeadamente, um aumento do número de notações de crédito. A maioria dos países também obteve pontuações mais elevadas, uma vez que as condições macroeconómicas se estabilizaram, de um modo geral, após os choques provocados pela pandemia e pelo conflito Rússia-Ucrânia.

As principais conclusões do índice indicam que, entre as maiores melhorias estão o Zimbabwe e o Ruanda, que subiram quase dois pontos cada um, devido aos progressos realizados na criação de quadros sustentáveis para os mercados financeiros. 

A maioria (71%) dos países do AFMI implementa agora alguma forma de iniciativas ambientais, sociais e de governação, contra 57% em 2021. “Isto está a ajudar a mobilizar novos investimentos, uma vez que a sustentabilidade se torna cada vez mais importante para os investidores globais”, frisa o AFMI 2023.

O AFMI 2023 observa como um desenvolvimento relevante, o facto de estarem a ser disponibilizados novos activos nas bolsas nacionais, incluindo as primeiras obrigações sukuk na África do Sul e na Tanzânia.

No entanto, os progressos no índice não foram uniformes, já que cada país registou uma pontuação mais baixa em pelo menos um dos seis pilares que compõem o relatório. “Esta situação deve-se principalmente a condições globais desfavoráveis, fora do controlo directo dos decisores políticos africanos. O aumento das taxas de juro nas economias avançadas provocou a depreciação das taxas de câmbio, a saída de capitais e a diminuição das reservas de divisas em África”, observa o AFMI 2023 que acrescenta que a conjuntura mundial difícil também afectou a liquidez e a dimensão dos mercados financeiros nacionais.