O Ministério dos Recursos Minerais e Energia de Moçambique admitiu que a decisão da empresa mineira australiana Syrah de suspender a produção de grafite no país compromete as metas de receitas que o Estado tinha projetado.

A Syrah anunciou, a 18 de Julho, que em Abril tinha produzido 15 mil toneladas de grafite para baterias de carros eléctricos, que exporta a partir do distrito de Balama, na província nortenha de Cabo Delgado. Mas a produção foi interrompida no mês seguinte.

“As operações na fábrica de Balama foram interrompidas, resultando na ausência de produção em maio e junho de 2023, devido à volatilidade no mercado chinês de ânodos e à boa disponibilidade de stock de produtos acabados”, lê-se no relatório de actividades do segundo trimestre divulgado pela Syrah, no qual estima custos de quatro milhões de dólares por cada mês de encerramento daquela unidade.

Segundo o diretor nacional de Geologia e Minas de Moçambique, Cândido Rangeiro, a medida poderá comprometer as projecções de produção de grafite para este ano e as receitas para o Estado geradas por este minério.

“Estamos tristes com isto, porque tínhamos projecções para a produção de grafite e essa meta provavelmente não será atingida”, disse Rangeiro.

Sem especificar valores, disse que o impacto poderá ser considerável, tendo em conta que a Syrah é a maior produtora de grafite em Moçambique, à frente da GK, que explora este recurso no distrito de Ancuabe, também em Cabo Delgado.

“Esta empresa [GK] não nos comunicou qualquer paragem, talvez porque produz para uma empresa-mãe que está na Alemanha e que não instruiu a sua filial em Moçambique sobre qualquer decisão relativa à sua operação no norte”, acrescentou.

Congratulando-se com o facto de a decisão da Syrah não ter tido impacto nos postos de trabalho, Rangeiro salientou que a dinâmica do mercado internacional de matérias-primas é caracterizada por flutuações na procura e na oferta.

“Hoje estamos a enfrentar esta situação, mas amanhã acredito que ela vai mudar”, sublinhou.

A mina de Balama iniciou a produção comercial há quatro anos e esteve em destaque em dezembro, quando a Syrah anunciou um acordo com a multinacional de veículos eléctricos Tesla, que pretende utilizar a grafite da mina, descrita como um dos maiores depósitos deste tipo de mineral no mundo.

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