Na cimeira dos BRICS, Guterres pede reforma das instituições multilaterais

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  • O Secretário-Geral avalia que o avanço para um mundo multipolar pede instituições globais fortalecidas e reformadas;
  • Guterres também pediu mais união para lidar com desafios “existenciais”, como o clima e os conflitos.

O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, disse na recém terminada 15ª Cimeira dos BRICS, na cidade sul-africana de Joanesburgo haver necessidade urgente de unidade e justiça para enfrentar os desafios actuais, que vão desde a crise climática às disparidades económicas e os conflitos com implicações globais.

Mundo multipolar

O grupo criado em 2010 representa mais de um quarto do Produto Interno Bruto, PIB, global e 42% da população mundial, de acordo com dados da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, UNTACD, um pesou que aumentou substancialmente com a adição de seis novos membros, nomeadamente, Argentina, Egipto, Etiópia, Irão, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

No seu discurso, Guterres descreveu a mudança para um mundo multipolar, alertando que a multipolaridade por si só não pode garantir um status quo pacífico e justo.  Ele apelou por instituições multilaterais robustas e eficazes para apoiar esta transição.

Guterres destacou as lições do início do Século 20, quando a multipolaridade da Europa sem mecanismos multilaterais fortes contribuiu para o início da Primeira Guerra Mundial.

O Chefe da ONU avalia que, à medida que a comunidade global avança em direcção à multipolaridade, é urgente a necessidade de uma arquitetura multilateral fortalecida e reformada, baseada na Carta das Nações Unidas e no direito internacional.

Para Guterres, as estruturas de governança global que foram estabelecidas após a Segunda Guerra Mundial excluem muitos países africanos. 

Ele ressaltou a necessidade de reformas para reflectir novas dinâmicas de poder e realidades económicas.

Reformas para evitar fragmentação 

O Chefe da ONU alertou que sem reformas, uma fragmentação pode ser “inevitável”.

Guterres acrescentou que não se deve permitir um mundo com uma economia global e um sistema financeiro divididos, com estratégias divergentes em tecnologia, incluindo inteligência artificial e com estruturas de segurança conflitantes.

Ele avalia que essa fratura poderia custar 7% do PIB global, de acordo com estimativas do FMI. Para o Secretário-Geral, o custo seria desproporcionalmente pago pelos países de baixa renda, principalmente em África.

António Guterres destacou que, com sua presença na cimeira, desejou deixar uma mensagem simples: num mundo fraturado e dominado por crises, simplesmente não há alternativa à cooperação.

Redesenhar a arquitectura financeira global

Ao abordar os desafios de África, o Secretário-Geral disse que, como vítima histórica da escravatura e do colonialismo, o continente continua a enfrentar “graves injustiças”, incluindo disparidades económicas e rápidas alterações climáticas.

Ele recomenda que a arquitetura financeira global seja redesenhada e a uma acção climática intensificada, destacando o seu Pacto de Solidariedade Climática e a sua Agenda de Aceleração.

António Guterres lembrou que os países desenvolvidos também devem cumprir as promessas aos países em desenvolvimento, financiando em US$ 100 mil milhões as acções de adaptação, reabastecendo o Fundo Verde para o Clima e operacionalizando o fundo de perdas e danos.

Acção colectiva

Guterres concluiu com um apelo à acção colectiva, ressaltando que a humanidade não será capaz de resolver os seus problemas comuns de forma fragmentada.

Ele reforçou o apelo de trabalho conjunto para promover “o poder da acção universal, o imperativo da justiça e a promessa de um futuro melhor”.

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