
Num mundo em crescente globalização, o sector financeiro está a passar por uma transformação notável com expectativas crescentes de clientes e conceitos novos a surgir, em escala e em eficiência e com impacto positivo crescente no negócio.
É neste contexto que emerge o conceito de “Open Banking” que altera a forma como os serviços financeiros são prestados, e redefine os factores envolvidos e os desafios que os bancos enfrentam.
Mas voltando um pouco atrás, afinal o que é o “Open Banking”?
Open Banking é um modelo de interoperabilidade no qual o cliente autoriza a sua instituição financeira a partilhar dados e serviços com terceiros, como fintechs e instituições financeiras não bancárias, de forma padronizada por via de APIs (Interface de Programação de Aplicativos).
Esta partilha de informação, feita de forma autorizada, controlada e segura, procura dar controlo ao cliente sobre os seus dados, dando opção de escolha sobre que informação é partilhada, o volume envolvido e com quem é partilhada.
Este modelo permite uma colaboração mais próxima entre os participantes e a criação de ecossistemas interconectados e abrangentes gerando valor para todos os intervenientes.
Que benefícios trouxe e qual o seu grau de Sucesso?
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E este modelo está a ter uma aceitação rápida pelos clientes e pelas entidades envolvidas em que todos vêem o valor acrescentado no conceito, nomeadamente:
Em termos da sua adopção e sucesso, os números actuais falam por si. As transacções via Open Banking em Junho de 2023 ascenderam a USD 57 biliões, esperando-se o seu crescimento em 2027 para USD 59 biliões com 580 biliões de conexões APIs. As análises dos especialistas apontam para um crescimento exponencial nos anos que se seguem atingindo USD 330 biliões em 2030 liderados pelo continente europeu e com uma adopção crescente e contínua a nível global. 1 Fonte: Statista a plataforma global de dados estatísticos(ver link) e especialistas de Open Banking (ver link) E porque motivo teve um sucesso tão rapido? O motor e factores do sucesso acelerado encontram-se na origem do conceito que contou com três forças motrizes que trabalhando em conjunto levaram à sua adopção crescente, são elas: i) Tecnologia: pelos avanços em questões de segurança de dados, computação em nuvem (“Cloud computing”), volumes crescentes de dados e sofisticação das análises “big data” que aumentaram exponencialmente a capacidade de processamento de informação. Pela combinação destes factores, os bancos estão hoje melhor preparados para partilhar informações de forma autorizada, segura e frequente. ii) Regulamentação: pelo apoio regulatório por via da Directiva de Pagamentos PSD2 na União Europeia e sua adopção equivalente no Reino Unido para aumentar a concorrência no sector financeiro e abrir a participação a intervenientes não financeiros com rigor aplicado em matérias de proteção de direitos do consumidor e obrigações dos provedores de serviços financeiros. Esta medida obrigou os bancos a criar APIs aos provedores externos permitindo-lhes iniciar transações ou solicitar informação de clientes. iii) Clientes: pela procura crescente da conveniência e personalização a um custo mais reduzido tornado possível pelo aumento da capacidade e escala de processamento. O Open Banking também trouxe a vantagem de oferecer acesso a serviços e produtos amplos e ajustados às necessidades dos clientes. Que esperar no futuro e para onde vai evoluir o Open Banking? Sabendo que é um conceito de adopção crescente há naturalmente expectativas a nível global e local. Em termos globais, os bancos internacionais estão a abrir o acesso e a adoptar o modelo de Open Banking permitindo o acesso autorizado de informações entre si e com as fintechs para desenvolverem ofertas mais abrangentes e inovadoras como por exemplo aplicativos de gestão de finanças pessoais ou agregadores financeiros. Paralelamente, os reguladores estão atentos ao conceito avaliando os impactos e mesmo desenhando diretrizes para a sua inserção ou adopção. E no nosso país, aplica-se o conceito? A nível de Moçambique, a iniciativa Sandbox Regulatório que vai na sua 4ª edição, cobre as bases deste conceito recorrendo a testes do conceito Open Banking de forma controlada e monitorada com foco na mitigação de riscos, estabilidade financeira, protecção do consumidor e conduta do mercado. A edição presente conta hoje com a participação de entidades não financeiras ligadas às áreas de carteiras digitais, agregador de pagamentos, intermediação financeira e grupos de poupança e crédito rotativos. Os projectos como se depreende enquadram-se no objectivo de promover a inclusão financeira e aumentar a adopção e uso de serviços financeiros. Em paralelo, a interoperabilidade entre os operadores de carteiras móveis e as instituições financeiras é um outro exemplo de adopção de componentes do conceito de Open Banking em que as transacções fluem em ambas direcções através do uso de interfaces de conexão. E o Futuro é Open Banking? O potencial do conceito é amplo e existe muito espaço por explorar no que se refere a um serviço eficiente e conveniente ao cliente com diversidade e customização de oferta e soluções inovativas. Em termos genéricos e globais, os avanços rápidos na tecnologia permitem ao sector financeiro um aumento das suas capacidades digitais e maior simplicidade, transparência e automação. Em termos específicos, os avanços na aplicação do conceito Open Banking ampliam o raio de ação de servir o consumidor com maior amplitude e segurança e por inerência fazem crescer o sector financeiro por via de: i) Expansão de Serviços: maior diversidade e quantidade na oferta de serviços financeiros, incluindo empréstimos, investimentos e seguros, entre outros. A partilha controlada de informação permite um melhor acesso à informação e por sua vez melhores decisões e maior competitividade. Em resumo, um ecossistema financeiro mais completo e integrado. ii) Segurança Acrescida: maior foco na segurança e acesso de informação com medidas mais apertadas, rigorosas e avançadas de cibersegurança para proteger os dados e informações dos clientes. Este desenvolvimento cobre e protege os sistemas em ambos lados da equação da interoperabilidade – aos bancos como entidades financeiras e às fintechs como entidades não financeiras. iii) Globalização: maior interoperabilidade além fronteiras entre agentes do sector financeiro e não financeiro trazendo benefícios aos clientes em poderem aceder a serviços financeiros de ponta a partir de qualquer parte do mundo. O resultado será um aumento da competitividade do sector e o expandir da oferta especializada e mais completa ao cliente final. Conclusão O Open Banking demonstra que a inovação tem um amplo espaço para se desenvolver e que os conceitos novos só estão ainda a começar a surgir. A procura e a expectativa dos clientes é a luz do farol que orienta e evolução do mercado na qual os bancos atentos e abertos às mudanças vão estar melhor preparados para a competitividade de mercado e igualmente melhor posicionados para o seu próprio crescimento. As mudanças globais estão hoje a caminhar para além do conceito de Open Banking com novas tecnologias e capacidades inovadoras como é o caso da Inteligência Artificial e a popularidade do seu modelo linguístico (Chat GPT) ou a capacidade exponencial da sua componente Machine Learning . Estes campos antes fechados e desconhecidos são hoje áreas novas e férteis a explorar e onde se observam os passos iniciais. Mas este tópico, é algo que vemos numa próxima oportunidade. Autor: Malik Amirali Malik é um especialista independente do sector financeiro, em gestão e monitoria de riscos, onde conta mais de 21 anos de experiência na banca local e internacional. O seu feedback sobre este artigo e partilha de tópicos de interesse é bem vindo. Escreva-nos em malik@bl-serv.com * |
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