• Arábia Saudita adopta linha dura face aos incumpridores e poderá desfazer até 2,2 milhões de barris/dia de cortes voluntários nos próximos meses

A OPEP+ planeia acelerar o aumento da produção de petróleo nos próximos meses e poderá reverter até Novembro cortes voluntários de 2,2 milhões de barris por dia, numa tentativa liderada pela Arábia Saudita de penalizar membros que não têm cumprido as quotas de produção. A medida visa também expandir a quota de mercado saudita num cenário de preços em queda e tensões geopolíticas.

Destaques 

  • Até 2,2 milhões de barris/dia em cortes voluntários poderão ser desfeitos até Novembro.
  • Subidas rápidas da produção são esperadas entre Julho e Outubro.
  • Arábia Saudita quer punir o Iraque e o Cazaquistão por incumprimento das quotas.
  • OPEP+ decidiu acelerar o processo iniciado em Dezembro de 2023.
  • Os preços do petróleo caíram em Abril para mínimos de 4 anos, abaixo dos 60 dólares/barril.
  • Trump visitará a Arábia Saudita em Maio para discutir segurança e energia.

Fontes internas da OPEP+ revelaram que o grupo planeia libertar no mercado até 2,2 milhões de barris por dia de petróleo até Novembro de 2025, revertendo parcialmente os cortes voluntários implementados desde 2022. A decisão surge num momento de desaceleração da procura e de queda dos preços do crude, que em Abril caíram para mínimos de quatro anos, situando-se abaixo dos 60 dólares por barril.

A medida é impulsionada pela Arábia Saudita, que, segundo analistas, procura penalizar países como o Iraque e o Cazaquistão por não respeitarem as quotas acordadas. “Riad deixou claro que não está disposto a continuar a suportar o mercado sozinha”, afirmou uma das fontes, sublinhando que as autoridades sauditas consideram que chegou o momento de recuperar quota de mercado.

Em Dezembro, a OPEP+ tinha acordado eliminar progressivamente os 2,2 milhões de barris/dia de cortes voluntários até Setembro de 2026, mas decidiu antecipar essa decisão em Abril, iniciando já aumentos em Maio, Junho e Julho. Para este último mês, estão previstos mais 411 mil barris por dia.

A tendência deverá manter-se em Agosto, Setembro e Outubro, sobretudo se os países incumpridores não entregarem as chamadas “compensações de corte”. Caso persistam as violações, os cortes voluntários serão completamente desfeitos em Novembro, advertiu uma das fontes.

A visita de Donald Trump à Arábia Saudita, marcada para Maio, poderá também influenciar o ritmo dos acontecimentos. O presidente norte-americano, pressionado pela inflação interna e pelas tarifas comerciais em vigor, tem apelado reiteradamente à OPEP+ para aumentar a produção e aliviar os preços dos combustíveis.

A aceleração dos aumentos poderá, no entanto, continuar a exercer pressão em baixa sobre os preços, enquanto a disciplina interna do cartel não for restaurada. “As notícias de aumentos acelerados continuarão a pesar sobre os preços até que a conformidade melhore”, observou o analista da UBS, Giovanni Staunovo.

Apesar da ausência de comentários formais por parte da OPEP e das autoridades russas, o cenário actual evidencia uma mudança estratégica clara: da gestão equilibrada da oferta para uma abordagem mais agressiva em busca de quota de mercado — com potenciais implicações para os mercados emergentes, países africanos exportadores e a estabilidade global dos preços energéticos.

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