
Ouro Avança Com Recuo Do Dólar E Inflação Dos EUA No Radar
- Investidores aguardam os próximos dados de preços para avaliar a trajectória dos juros da Reserva Federal, enquanto a tensão entre Washington e Teerão sustenta a procura por activos de protecção.
- Ouro à vista valorizou 0,6%, para US$ 4.432,79 por onça;
- Índice do dólar recuou 0,3%, tornando os metais mais acessíveis para compradores que utilizam outras moedas;
- Mercado aguarda os dados da inflação ao produtor e ao consumidor dos Estados Unidos;
- Probabilidade de subida dos juros na próxima reunião da Reserva Federal situa-se em 58,4%;
- Prata avançou mais de 1%, acompanhada por ganhos da platina e do paládio;
O ouro avançou, esta terça-feira, 8 de Setembro, beneficiando do enfraquecimento do dólar, numa sessão marcada pela expectativa em torno dos próximos dados da inflação dos Estados Unidos, que poderão influenciar a decisão de política monetária da Reserva Federal norte-americana.
De acordo com a Reuters, o ouro à vista valorizou 0,6%, para US$ 4.432,79 por onça, enquanto os contratos futuros norte-americanos para entrega em Dezembro permaneceram praticamente inalterados, nos US$ 4.478,40 por onça.
O índice do dólar recuou 0,3%, reduzindo o custo relativo dos metais cotados na moeda norte-americana para os investidores que operam com outras divisas. A relação inversa entre o dólar e o ouro voltou, assim, a favorecer o metal precioso, depois das perdas registadas nas duas sessões anteriores.
Inflação Poderá Definir Trajectória Dos Juros
A atenção dos mercados está concentrada na divulgação do índice de preços no produtor dos Estados Unidos, prevista para quinta-feira, e do índice de preços no consumidor, agendada para sexta-feira.
Os indicadores deverão oferecer novas referências sobre a persistência das pressões inflacionárias e sobre a margem da Reserva Federal para ajustar as taxas de juro na sua próxima reunião de política monetária.
Segundo o CME FedWatch Tool, os operadores atribuem uma probabilidade de 58,4% a uma subida dos juros na reunião da próxima semana. Taxas mais elevadas tendem a reduzir a atractividade do ouro, uma vez que o metal não paga juros nem distribui rendimentos regulares aos seus detentores.
O ouro havia recuado nas duas sessões anteriores, depois de os dados mostrarem uma forte aceleração da criação de emprego nos Estados Unidos em Agosto, enquanto a taxa de desemprego permaneceu estável em 4,1%. Os números sugeriram uma melhoria do mercado laboral, aumentando os argumentos favoráveis à manutenção de uma política monetária restritiva.
Mercado Sem Direcção Consolidada
Chris Weston, responsável de pesquisa do Pepperstone Group, considerou que o ouro permanece num equilíbrio entre compradores e vendedores, sem que qualquer dos lados demonstre, até ao momento, convicção suficiente para estabelecer uma trajectória sustentada.
A avaliação reflecte um mercado dividido entre, por um lado, o risco de juros mais elevados nos Estados Unidos e, por outro, a procura por protecção perante as incertezas monetárias, fiscais e geopolíticas.
Edward Meir, analista da Marex, considera que uma eventual subida dos juros poderá provocar alguma pressão sobre o ouro, mas não deverá resultar numa queda acentuada. Para o especialista, a inquietação dos mercados em relação aos sinais emitidos pela Reserva Federal e pelo Tesouro norte-americano poderá continuar a sustentar o preço do metal.
Tensão Entre Estados Unidos E Irão Apoia Procura
O ambiente geopolítico também contribuiu para a valorização do ouro. O Irão ameaçou os Estados Unidos com uma “guerra económica” e anunciou ter disparado um míssil avançado contra navios de guerra norte-americanos, poucos dias depois de novos confrontos entre os dois países.
A possibilidade de agravamento das hostilidades aumenta a procura por activos considerados seguros e poderá elevar os prémios de risco nos mercados de energia e de matérias-primas.
O ouro tende a beneficiar de períodos de maior incerteza geopolítica, embora a evolução das taxas de juro e do dólar continue a desempenhar um papel decisivo na formação dos preços.
Prata Lidera Ganhos Entre Outros Metais
Os restantes metais preciosos também registaram ganhos. A prata à vista avançou 1,2%, para US$ 66,96 por onça, a platina valorizou 0,6%, para US$ 1.837,13, e o paládio subiu igualmente 0,6%, para US$ 1.396,70.
A evolução do mercado nos próximos dias deverá ser determinada pela combinação entre os dados da inflação norte-americana, as expectativas sobre a decisão da Reserva Federal, o comportamento do dólar e o desenvolvimento das tensões geopolíticas.
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