
Ouro Cai 5,5% Após Rali Recorde e Regista a Maior Queda Diária Desde 2020
Investidores realizam lucros após o metal atingir novo máximo histórico, num contexto de valorização do dólar, expectativa de cortes de juros pela Reserva Federal e volatilidade crescente nos mercados.
- O preço do ouro caiu 5,5%, para 4.115,26 dólares por onça, a maior queda diária desde Agosto de 2020;
- A cotação tinha atingido na véspera um máximo histórico de 4.381,21 dólares por onça;
- A realização de lucros e a valorização do dólar provocaram correcções generalizadas nos metais preciosos;
- Analistas antecipam um período de consolidação, condicionado pela divulgação dos dados da inflação nos EUA;
- O mercado mantém expectativa de um corte de 25 pontos-base nas taxas de juro da Reserva Federal na próxima semana.
O ouro recuou 5,5% esta terça-feira, para 4.115,26 dólares por onça, após a maior valorização da história registada na sessão anterior, quando o metal atingiu 4.381,21 dólares, pressionado pela realização de lucros e pela recuperação do dólar norte-americano. Trata-se da maior queda diária desde Agosto de 2020, num movimento que reflecte o aumento da volatilidade e o realinhamento das posições dos investidores.
O ouro à vista registou a sua maior perda em cinco anos, encerrando o dia em queda acentuada, enquanto os futuros de Dezembro nos Estados Unidos recuaram 5,7%, para 4.109,10 dólares por onça.
A correcção ocorre após um rali alimentado por incerteza geopolítica, expectativas de cortes nas taxas de juro e forte procura por parte dos bancos centrais, factores que impulsionaram o metal em mais de 60% desde o início do ano.
“As quedas do ouro vinham sendo compradas até ontem, mas o salto na volatilidade nos níveis máximos acendeu sinais de cautela e encorajou a realização de lucros no curto prazo”, observou Tai Wong, analista independente de metais preciosos.
A valorização do índice do dólar (DXY) em 0,4% também contribuiu para a pressão descendente sobre o metal, tornando-o mais caro para investidores detentores de outras moedas.
De acordo com Jim Wyckoff, analista sénior da Kitco Metals, o “maior apetite pelo risco nos mercados no início da semana é desfavorável para os metais de refúgio”.
Expectativas Económicas e Factores Determinantes
Os investidores aguardam agora a divulgação do Índice de Preços no Consumidor (CPI) dos Estados Unidos, agendada para sexta-feira, e adiada devido à paralisação parcial do Governo norte-americano. O relatório deverá indicar uma subida anual de 3,1%, valor que poderá influenciar as decisões da Reserva Federal.
O mercado antecipa que a Fed reduza as taxas de juro em 25 pontos-base na próxima reunião de política monetária, medida que poderá voltar a impulsionar o ouro no médio prazo, caso confirme um cenário de abrandamento económico.
Correções no Mercado de Metais Preciosos
O movimento de correcção estendeu-se a outros metais:
- Prata caiu 7,6%, para 48,49 dólares por onça;
- Platina recuou 5,9%, para 1.541,85 dólares;
- Paládio desvalorizou 5,3%, para 1.417,25 dólares.
Segundo Tai Wong, “a prata tropeçou fortemente e arrastou o complexo metálico, sinalizando um topo técnico de curto prazo”.
Perspectiva de Curto Prazo: Consolidação e Volatilidade
Analistas do Citi consideram que a resolução da paralisação governamental nos EUA e potenciais avanços nas negociações comerciais EUA–China poderão conduzir a uma fase de consolidação dos preços do ouro nas próximas semanas.
A expectativa é de que o metal mantenha volatilidade acentuada, mas continue a ser procurado como activo de reserva num contexto de incerteza global persistente.
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