Ouro, Cobre e Prata Disparam Para Máximos Históricos Com Dólar Fraco e Escalada Geopolítica

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A valorização sincronizada das matérias-primas intensifica receios inflacionistas, pressiona os mercados obrigacionistas e reforça a procura por activos de refúgio num contexto de elevada incerteza geopolítica e monetária.

Questões-Chave:
  • O ouro sobe mais de 30% em Janeiro e atinge máximos históricos, impulsionado pela fraqueza do dólar e pela escalada das tensões geopolíticas;
  • A prata acumula ganhos excepcionais, prolongando uma trajectória de forte valorização iniciada em 2025;
  • O cobre dispara na LME, reforçando o ciclo de alta das matérias-primas industriais;
  • O dólar regista o pior desempenho mensal desde Abril, favorecendo activos cotados em moeda norte-americana;
  • A subida das commodities reacende receios inflacionistas e pressiona os mercados de dívida soberana.

Os mercados globais registaram, esta semana, um novo e intenso rally das matérias-primas, com o ouro, a prata e o cobre a atingirem máximos históricos, num contexto marcado pela fraqueza persistente do dólar norte-americano e pelo agravamento das tensões geopolíticas, em particular no Médio Oriente. A combinação destes factores está a reforçar a procura por activos de refúgio e a reavivar preocupações quanto à trajectória da inflação global.

A escalada dos preços das commodities ganhou novo fôlego à medida que o ouro valorizou mais de 2% numa única sessão, acumulando ganhos próximos de 30% no mês de Janeiro, enquanto a prata prolongou uma trajectória extraordinária de valorização, após ter registado um desempenho histórico em 2025. O cobre, por sua vez, disparou na Bolsa de Metais de Londres, beneficiando da mesma dinâmica de dólar fraco e da expectativa de procura estrutural associada à transição energética e à electrificação da economia global.

Sendo activos cotados em dólares, a valorização destas matérias-primas foi amplificada pela queda da moeda norte-americana. O índice que mede o desempenho do dólar face a um cabaz de divisas registou a sétima queda em nove sessões, encaminhando-se para o pior mês desde Abril, num contexto de crescente incerteza quanto à política monetária dos Estados Unidos e à credibilidade institucional da Reserva Federal.

A pressão nos mercados obrigacionistas tornou-se evidente, com a subida das yields dos Treasuries norte-americanos, reflectindo o receio de que o novo ciclo de alta das commodities possa traduzir-se num ressurgimento das pressões inflacionistas, num momento em que os sinais sobre cortes de taxas de juro permanecem ambíguos.

No plano geopolítico, o ambiente deteriorou-se após declarações do Presidente norte-americano, Donald Trump, advertindo o Irão para a possibilidade de novos ataques militares caso não haja avanços num acordo nuclear. Estas ameaças, associadas ao reforço da presença militar dos Estados Unidos na região, contribuíram para um aumento da aversão ao risco e para uma maior procura por activos considerados seguros.

Apesar da elevada volatilidade nos mercados cambiais e obrigacionistas, os mercados accionistas revelaram falta de direcção clara. Os resultados das grandes tecnológicas foram mistos, alimentando uma postura de maior selectividade por parte dos investidores, num contexto em que cresce o escrutínio sobre os elevados investimentos em inteligência artificial e o seu retorno efectivo.

Analistas alertam, contudo, para os riscos associados à velocidade e magnitude da valorização dos metais preciosos. Estratégas da Bloomberg sublinham que os ganhos acumulados pelo ouro e pela prata colocam estes activos próximos de alguns dos rallies mais acentuados de que há registo, aumentando a probabilidade de correcções abruptas caso o enquadramento macroeconómico ou geopolítico se altere de forma significativa.

Ainda assim, o quadro actual continua a favorecer activos de refúgio, num ambiente em que a combinação entre incerteza geopolítica, fragilidade do dólar e sinais contraditórios da política monetária global mantém os investidores num registo de cautela estratégica, mais do que de retirada generalizada dos mercados.

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