Ouro Prolonga Quedas Perante a Força do Dólar e a Redução das Apostas em Cortes de Juros da Fed

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O metal precioso recuou pela quarta sessão consecutiva, pressionado pela valorização do dólar e pelo abrandamento das expectativas de um novo corte da taxa directora norte-americana já no próximo mês, enquanto os investidores aguardam os dados do mercado laboral dos EUA.

Questões-Chave:
  • Ouro cai pelo quarto dia consecutivo e negoceia em torno dos 4.010 USD/onça;
  • Valorização do dólar encarece o metal para detentores de outras moedas;
  • Fed sinaliza prudência, reduzindo a probabilidade de corte de juros em Dezembro;
  • Shutdown prolongado nos EUA alterou expectativas do mercado;
  • Investidores atentos aos non-farm payrolls para avaliar a trajectória económica;
  • Prata, platina e paládio acompanham tendência de queda.

O ouro prolongou as perdas esta terça-feira, regressando à casa dos 4.010 dólares por onça, num movimento influenciado pela firmeza do dólar e pela redução significativa das expectativas de que a Reserva Federal avance com um novo corte de juros já no próximo mês. O mercado mantém-se em modo de cautela à espera dos dados do emprego norte-americano, considerados determinantes para a orientação da política monetária nos Estados Unidos.

O metal precioso recuou 0,9% no mercado spot, para cerca de 4.010 dólares por onça, enquanto os futuros de Dezembro desvalorizaram 1,6%, reflectindo uma deterioração do apetite dos investidores. Segundo Edward Meir, analista da Marex, a valorização do dólar e a redução das posições especulativas ao longo da última semana estão a contribuir para uma fase de consolidação do mercado do ouro.

O índice do dólar manteve-se firme após um salto expressivo na sessão anterior, reforçando a pressão sobre o metal. Um dólar mais forte torna o ouro menos atractivo para investidores que utilizam outras moedas, levando a uma retracção natural da procura.

O ambiente político nos Estados Unidos também tem influenciado o comportamento do mercado. O recente acordo que pôs fim ao mais longo shutdown governamental da história norte-americana veio acompanhado de um período em que a ausência de dados económicos oficiais reduziu a visibilidade sobre a trajectória da economia. Tal contexto ajudou a moderar as expectativas de um corte de juros por parte da Fed em Dezembro.

As declarações do vice-presidente da Reserva Federal, Philip Jefferson, reforçaram essa leitura. Jefferson afirmou, na segunda-feira, que o banco central precisa de “avançar lentamente” com novos cortes, enfatizando prudência num contexto de incerteza. Esta posição levou a uma queda abrupta das probabilidades implícitas de um corte no próximo mês, que recuaram para 42%, depois de terem atingido quase 100% logo após a decisão de Setembro.

O ouro, sendo um activo não remunerado, beneficia geralmente de ambientes de juros baixos e de incerteza económica. A possibilidade de uma Fed mais conservadora retira-lhe impulso no curto prazo, embora analistas continuem a apontar para factores estruturais que sustentam a procura de médio e longo prazo, incluindo tensões geopolíticas persistentes, preocupações com a sustentabilidade da dívida dos EUA, tendências de desdolarização e compras contínuas por bancos centrais.

Nas restantes matérias-primas preciosas, a prata recuou 1,2%, para 49,58 dólares por onça, a platina caiu 1%, para 1.517,73 dólares, e o paládio desvalorizou 1,5%, para 1.372,05 dólares, acompanhando o movimento descendente do ouro.

Com o foco dos investidores centrado nos dados do mercado laboral norte-americano e na prudência crescente da Fed, o ouro deverá permanecer sensível ao comportamento do dólar e às expectativas de política monetária, num cenário em que factores estruturais continuam a conferir suporte ao metal a médio prazo.

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