
Ouro Recua Com Investidores Cautelosos Antes De Dados-Chave Da Economia Dos EUA
Metal mantém-se acima dos 5.000 dólares por onça após máximos históricos, enquanto o mercado reavalia expectativas sobre a trajectória das taxas da Reserva Federal.
- O ouro recuou cerca de 0,8%, mas manteve-se acima do patamar psicológico dos 5.000 dólares por onça;
- Os investidores aguardam dados decisivos sobre emprego e inflação nos Estados Unidos ao longo da semana;
- O mercado continua a incorporar expectativas de cortes de juros pela Reserva Federal a partir de 2026;
- A prata registou uma correcção acentuada após forte valorização recente, evidenciando elevada volatilidade;
- O dólar manteve-se fraco, limitando quedas mais expressivas nos preços dos metais preciosos.
Os preços do ouro registaram uma descida moderada esta terça-feira, à medida que os investidores adoptaram uma postura mais cautelosa antes da divulgação de um conjunto de indicadores económicos nos Estados Unidos, considerados determinantes para a trajectória futura da política monetária da Reserva Federal. Apesar da correcção, o metal manteve-se acima do nível dos 5.000 dólares por onça, após ter atingido máximos históricos no final de Janeiro.
Ouro corrige após máximos históricos
O ouro à vista recuou 0,8%, para 5.022,57 dólares por onça, enquanto os futuros do ouro nos EUA para entrega em Abril caíram 0,7%, para 5.044,80 dólares. A descida sucede a uma valorização de cerca de 2% na sessão anterior, impulsionada pela fraqueza do dólar, que tocou mínimos de mais de uma semana.
No final de Janeiro, o ouro atingiu um máximo histórico de 5.594,82 dólares por onça, num movimento sustentado por expectativas de política monetária mais acomodatícia e pela procura por activos de refúgio.
Expectativas sobre a Reserva Federal moldam mercado
Segundo analistas, o comportamento recente do ouro reflecte um equilíbrio delicado entre fundamentos de médio prazo favoráveis e ajustamentos tácticos de curto prazo. “Existe um viés estrutural positivo para o ouro, mas a questão imediata é até que ponto as expectativas de política monetária da Fed irão pesar no curto prazo”, afirmou Ilya Spivak, responsável de macro global da Tastylive.
Os mercados aguardam esta semana dados sobre vendas a retalho, emprego (nonfarm payrolls) e inflação, que deverão ajudar a clarificar o calendário de eventuais cortes de juros. As actuais expectativas apontam para pelo menos dois cortes de 25 pontos base em 2026, com o primeiro potencialmente em Junho.
Prata evidencia volatilidade elevada
A prata à vista recuou 2,8%, para 81,08 dólares por onça, depois de ter subido quase 7% na sessão anterior. Tal como o ouro, a prata atingiu um máximo histórico em Janeiro, nos 121,64 dólares, reflectindo um ambiente de forte actividade especulativa.
Analistas observam que a prata apresenta uma volatilidade significativamente superior à do ouro, reagindo de forma mais acentuada a movimentos de curto prazo e à realização de lucros.
Outros metais sob pressão
O movimento correctivo estendeu-se a outros metais preciosos. O platina caiu 2,3%, para 2.075,18 dólares por onça, enquanto o paládio perdeu 1,3%, fixando-se em 1.718,37 dólares.
Mercado em compasso de espera
Com o dólar a manter-se relativamente fraco e os rendimentos das obrigações sob observação, os metais preciosos permanecem num intervalo de negociação estreito. Analistas indicam que, no curto prazo, o ouro deverá oscilar em torno do nível dos 5.000 dólares, funcionando este como suporte técnico, enquanto a direcção mais clara dependerá dos sinais vindos da economia norte-americana.
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