Ouro Sobe para Máximo de Três Semanas com Pressões Sobre a Dívida dos EUA e Expectativas de Cortes de Juros

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Encerramento do shutdown norte-americano aumenta preocupações com o endividamento federal, enquanto indicadores económicos fracos reforçam apostas de nova redução das taxas pela Reserva Federal.

Questões-Chave:
  • O ouro atingiu o nível mais alto em três semanas, impulsionado por expectativas de maior dívida pública dos EUA;
  • Encerramento do shutdown de 43 dias atrasa divulgação de dados económicos cruciais;
  • 80% dos economistas consultados pela Reuters antecipam corte de 25 pontos base na reunião de Dezembro da Fed;
  • Prata aproxima-se de máximos históricos;
  • Ouro acumula valorização de 61% no ano, sustentado por incerteza económica e fluxos para ETFs.

O preço do ouro subiu esta quinta-feira para o nível mais alto em mais de três semanas, à medida que a resolução do prolongado shutdown nos Estados Unidos reacendeu preocupações com o aumento da dívida federal e fortaleceu as expectativas de novos cortes das taxas de juro pela Reserva Federal.

Ouro avança com a expectativa de maior pressão sobre a dívida norte-americana

O ouro à vista valorizou 0,7%, para 4.229,19 USD por onça, o nível mais alto desde 21 de Outubro, enquanto os futuros para Dezembro subiram 0,5%, para 4.234,10 USD. O avanço ocorre após o Presidente norte-americano, Donald Trump, assinar a legislação que pôs fim ao shutdown de 43 dias, o mais longo da história do país.

O acordo garante financiamento apenas até 30 de Janeiro e deverá acrescentar 1,8 biliões de dólares à já pesada dívida pública dos EUA, hoje estimada em 38 biliões de dólares. Segundo analistas, esta trajectória reforça a procura por activos de refúgio como o ouro.

Mercado antecipa trajectória mais dovish da Fed

A paralisação governamental atrasou a divulgação de dados laborais e de inflação, deixando a Reserva Federal com menos informação para orientar a política monetária. Apesar de o presidente da Fed, Jerome Powell, ter alertado contra cortes adicionais este ano, os mercados continuam a antecipar uma trajectória mais acomodatícia.

Uma sondagem da Reuters indica que 80% dos economistas esperam uma nova redução de 25 pontos base em Dezembro. A combinação de crescimento económico mais fraco e expectativas de juros mais baixos tem sustentado a subida do ouro, que não gera rendimento e tende a beneficiar de custos de financiamento mais baixos.

Procura física permanece robusta

O trader Hugo Pascal, da InProved, refere que os metais preciosos “estão a recuperar juntamente com as bolsas, com os investidores a anteciparem maior dovishness”, sublinhando que a procura física por ouro e prata permanece forte. Para Pascal, o encerramento do governo “não altera significativamente a trajectória económica”, mas o aumento da dívida reforça o apelo dos metais preciosos.

Ouro regista forte performance anual e prata aproxima-se de máximos

O ouro acumula uma valorização de 61% no ano, tendo atingido um recorde de 4.381,21 USD a 20 de Outubro, impulsionado por preocupações geopolíticas, entradas em ETFs e expectativas de mais cortes de juros.

A prata avançou 0,6%, para 53,70 USD por onça, aproximando-se do máximo histórico registado a 17 de Outubro. Já a platina recuou 0,1%, para 1.613,17 USD, e o paládio caiu 0,5%, para 1.466,05 USD.

Num ambiente marcado por incerteza económica, expectativas de política monetária mais branda e preocupações crescentes com o endividamento norte-americano, o ouro reforça a sua posição como activo de refúgio, enquanto os mercados aguardam dados económicos cruciais que poderão definir o rumo da Fed nas próximas semanas.