
Petróleo Brent mantém-se acima dos US$ 80 após a espiral descendente desta semana
A referência do petróleo bruto Brent pairou acima dos US$ 80 dólares por barril nesta quinta-feira, 09 de Novembro, com as preocupações com a procura e a diminuição do risco de guerra a desencadearem uma venda na semana passada.
Os futuros do petróleo bruto Brent estavam acima de US$ 1 dólar, ou cerca de 1,3%, em US$ 80,54 dólares por barril, às 14:45 GMT. Os futuros do petróleo bruto U.S. West Texas Intermediate (WTI) subiram US$1,01 dólares, também cerca de 1,3%, para US$ 76,34, dólares.
A subida surge depois de ambos os valores de referência terem caído para o seu valor mais baixo desde meados de Julho, na quarta-feira, 08 de Novembro, com a preocupação sobre possíveis interrupções de fornecimento no Médio Oriente a diminuir e a preocupação sobre a procura dos EUA e da China a intensificar-se.
O Brent está quase US$ 20 dólares por barril abaixo do seu pico de Setembro.
“Pode ser que este estado de quase sobrevenda esteja a causar um hiato nas vendas desta manhã”, disse John Evans, da corretora de petróleo PVM, acrescentando que houve poucas notícias positivas durante a noite e que as perdas anteriores da semana reduziram o impacto dos últimos dados chineses.
Os dados desta quinta-feira, 09 de Novembro, da China sugeriram que a luta contra a desinflação, face à fraca procura, continua a ser um desafio para os decisores políticos do país.
Os preços ao consumidor chineses baixaram em Outubro, com os principais indicadores da procura interna a apontarem para uma fraqueza não observada desde a pandemia, enquanto o agravamento da deflação nas fábricas lançou dúvidas sobre as possibilidades de uma recuperação económica generalizada.
No início da semana, os dados aduaneiros revelaram que as exportações totais de bens e serviços da China registaram uma contracção mais rápida do que o previsto.
Os indicadores da procura também não são animadores nos Estados Unidos. Os inventários de petróleo bruto dos EUA aumentaram em 11,9 milhões de barris durante a semana até 3 de Novembro, disseram as fontes, citando dados do Instituto Americano do Petróleo.
A confirmar-se, este seria o maior aumento semanal desde Fevereiro. A Administração de Informação de Energia (EIA, em inglês) dos EUA, no entanto, adiou a divulgação dos dados semanais dos inventários de petróleo até 15 de Novembro para uma actualização do sistema.
Pelo lado positivo, os mercados globais estiveram optimistas na quinta-feira, 09 de Novembro, acreditando que os principais bancos centrais já não estão a aumentar as taxas. As taxas de juro elevadas aumentam o custo dos empréstimos, diminuindo a procura de tudo, incluindo o petróleo.
Tanto a OPEP como a Agência Internacional de Energia (AIE) deverão apresentar a sua opinião sobre o estado da procura de petróleo e os fundamentos da oferta na próxima semana.
De acordo com Callum Macpherson, director de matérias-primas da Investec, desde os relatórios do mês passado, espera-se que a Venezuela aumente a sua produção após o abrandamento das sanções impostas pelos Estados Unidos, salientando igualmente uma deterioração das perspectivas da procura.
“Existe o perigo de o mercado poder vir a registar um excedente no próximo ano, mesmo que os sauditas prolonguem os seus cortes para além do final de Dezembro”, afirmou.
A OPEP deverá reunir-se no final do mês para discutir a política de produção para 2024.
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