
PIB Cresce 1,7%, Mas Queda do Investimento Limita Recuperação da Economia
A economia moçambicana manteve uma trajectória de recuperação no segundo trimestre de 2026, apoiada pela agricultura, indústria extractiva e serviços. A composição do crescimento revela, contudo, fragilidades: o investimento contraiu, a indústria transformadora continuou penalizada pela paralisação da Mozal e a procura externa líquida teve uma contribuição marginal.
- PIB real cresceu 1,7% em termos anuais no segundo trimestre de 2026;
- Agricultura, indústria extractiva e serviços foram os principais suportes da expansão;
- Consumo privado contribuiu positivamente, enquanto o investimento contraiu e limitou o crescimento;
- Sector secundário permaneceu condicionado pela paralisação da Mozal;
- PIB acumulou crescimento de 2,6% no primeiro semestre, depois de uma contracção de 2,2% no período homólogo de 2025;
- PMI atingiu 51,9 pontos em Agosto, sinalizando melhoria das condições de funcionamento das empresas.
A economia moçambicana cresceu 1,7% em termos anuais no segundo trimestre de 2026, mantendo a recuperação da actividade económica, mas com uma composição que evidencia diferenças significativas entre sectores e componentes da procura.
De acordo com o Banco de Moçambique, no seu mais recente Relatório de Conjuntura Económica e Perspectivas de Inflação, a expansão observada no período foi impulsionada sobretudo pela agricultura, indústria extractiva e serviços.
Em conjunto, os sectores primário e terciário deram o principal suporte à actividade económica, enquanto o sector secundário apresentou um desempenho desfavorável, associado sobretudo à contracção da indústria transformadora num contexto marcado pela paralisação das actividades da Mozal.
Consumo Sustenta Actividade, Investimento Recua
A decomposição do PIB pela óptica da despesa oferece uma leitura particularmente relevante sobre a natureza da recuperação económica.
Segundo o Banco de Moçambique, o crescimento foi sustentado pela procura interna, apesar da contracção do investimento. O consumo privado apresentou uma contribuição positiva, enquanto a redução do investimento constituiu um dos principais factores de contenção da expansão económica.
A procura externa líquida teve uma contribuição marginal, evidenciando que o impulso observado no período esteve fundamentalmente associado à dinâmica interna da economia.
Esta composição coloca o investimento no centro da análise da actual conjuntura. Uma recuperação apoiada pelo consumo pode estimular a actividade no curto prazo, enquanto a expansão sustentada da capacidade produtiva exige acumulação de capital, modernização tecnológica, infra-estruturas e investimento empresarial.
A contracção do investimento assume, por isso, particular importância para as perspectivas de médio prazo. A formação de capital influencia a capacidade futura de produção, a produtividade e a criação de emprego, condicionando o ritmo a que a economia consegue ampliar e diversificar a sua base produtiva.
Primeiro Semestre Reverte Contracção de 2025
A evolução acumulada mostra uma melhoria da actividade económica. No primeiro semestre de 2026, o PIB cresceu 2,6%, comparativamente à contracção de 2,2% registada no período homólogo de 2025, segundo o Banco de Moçambique.
A recuperação ocorre, entretanto, a velocidades diferentes entre sectores.
O sector primário beneficia do desempenho da agricultura e da indústria extractiva, enquanto os serviços continuam a apoiar a expansão. A indústria transformadora enfrenta limitações que reduzem a contribuição do sector secundário para a recuperação.
Esta configuração é relevante para a qualidade do crescimento. Uma maior participação da indústria transformadora e do investimento pode ampliar os efeitos sobre cadeias de fornecimento, produtividade, emprego, exportações e incorporação de valor acrescentado na economia nacional.
Mozal Continua a Pesar Sobre a Indústria
A paralisação das actividades da Mozal permanece entre os factores que condicionam o desempenho industrial.
O Banco de Moçambique associa o desempenho negativo do sector secundário à contracção da indústria transformadora, influenciada pela paralisação da produção da Mozal.
O impacto económico ganha dimensão pela importância da produção de alumínio na estrutura industrial e exportadora do País. A interrupção da actividade repercute-se na produção industrial e nas exportações, podendo igualmente afectar empresas e serviços integrados na respectiva cadeia de fornecimento.
A evolução do sector secundário constitui, assim, uma variável importante para perceber em que medida a recuperação económica poderá ganhar maior amplitude sectorial durante os próximos trimestres.
Empresas Dão Sinais de Melhoria da Actividade
Os indicadores de curto prazo oferecem sinais mais favoráveis.
Segundo o Banco de Moçambique, o Purchasing Managers’ Index (PMI) atingiu 51,9 pontos em Agosto, permanecendo acima do limiar de 50 pontos que separa expansão de contracção da actividade empresarial.
O indicador sugere melhoria das condições de funcionamento das empresas e reforça a perspectiva de recuperação da actividade económica no curto prazo.
O Banco de Moçambique antecipa uma recuperação moderada, apoiada pelo desempenho dos sectores primário e terciário, num contexto em que permanecem condicionantes internas e externas capazes de afectar o ritmo da expansão.
Investimento Torna-se Variável Central Para a Sustentabilidade do Crescimento
Os números do segundo trimestre mostram uma economia em recuperação, mas cuja estrutura de crescimento mantém limitações importantes.
O avanço de 1,7% do PIB, o crescimento acumulado de 2,6% no primeiro semestre e a melhoria do PMI constituem sinais de recuperação da actividade. Em paralelo, a contracção do investimento e o desempenho desfavorável da indústria transformadora mostram que a expansão ainda não se traduz de forma uniforme no reforço da capacidade produtiva.
A evolução do investimento privado e público, a normalização da actividade industrial e a capacidade de converter a melhoria da actividade económica em nova formação de capital serão indicadores importantes nos próximos trimestres.
Para Moçambique, a consolidação da recuperação económica passa pela combinação entre investimento produtivo, aumento da produtividade, diversificação da base industrial e maior capacidade de geração de emprego, factores essenciais para transformar a actual retoma numa trajectória de crescimento económico mais consistente.














