Redução da pobreza em Moçambique tem fracassado devido ao insucesso de muitos factores endógenos na agricultura

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A agricultura continuará a ser um dos maiores motores de crescimento, com os serviços a serem mais um dos vários sectores a serem dinamizados para promover a diversificação económica.

O economista Ibraimo Mussagy, instado a comentar para O.Económico, “Actualidade Económica de Moçambique: Moldando o Futuro, o pepel dos serviços no crescimento económico e geração de empregos”, estudo recentemente posto a circular pelo Banco Mundial, concluiu que é necessário promover a coexistência frutífera entre os sectores da agricultura e serviços e, eventualmente outros com potencial para contribuir relevantemente para o crescimento económico.

Respondendo a uma pergunta do O.Económico sobre se a opinião do Banco Mundial, sugere a adopção de “uma nova agenda que muda o motor de crescimento”, Ibraimo Mussagy, questiona se sector dos serviços poderá alavancar o crescimento e criar empregos mais duradoiros, Para ele, trata-se de  uma questão que coloca em reflexão o papel da agricultura no crescimento económico e no papel da redução da pobreza.

“Os serviços têm ganho cada vez mais destaque numa economia com índices de produção agrícola decrescentes e com um tecido industrial quase que inoperante e que procura se reerguer. Os inputs para este sector são de fácil mobilização pois a empresa não precisa de produzir os seus produtos. Pela sua natureza, o sector facilita em si o rápido surgimento de empresas para suprir determinados serviços. Esta facilidade faz com que muitas destas empresas surjam no sector informal, mesmo que tendo ligações formais.” Analisa Ibraimo Mussagy

Para o economista o sector de serviços também padece dos problemas de baixa produção e produtividade e carecem por isso de investimentos nesse aspecto, sobretudo ao nível tecnológico: “neste momento, poucas são as empresas do sector de serviços que usam a tecnologia como um factor que aumente a produção e promova a produtividade”, Disse.

Conforme a análise que faz, o valor do acesso a tecnologia ainda é pesado na estrutura de investimento de grande parte das empresas, razão pela qual, grande parte das empresas do ramo de serviços, ainda opera com processos manuais e morosos. “A produtividade terá aumentos significativos se o sector de serviços estiver associado a tecnologia. Nos países em que tal acontece, o sector dos serviços chega a ter uma participação de cerca de 70-80% da produção nacional.” Observa Ibraimo Mussagy.

Referindo-se de forma mais directa ao estudo do Banco Mundial, Ibraimo Mussagy, conclui que o relatório questiona a importância que os serviços podem ter no crescimento e na criação do emprego. Destaca que “a percentagem de emprego na agricultura caiu de 83% em 1997 para 70% em 2020, tendo a maior parte da mão-de-obra passado para o sector de serviços”.

Na sua opinião, o Banco Mundial não procura equiparar este a agricultura e tão pouco a substituir.

“A agricultura continuará a ser importante pelo simples facto de que a maior parte da população esteja envolvido nela. A transferência de mão-de-obra irá ocorrer para os jovens ou os que estiverem mais bem preparados para emigrar para o sector de serviços ou outro sector. No entanto, a maior parte da população permanecerá na agricultura.” Frisa.

Para Ibraimo Mussagy, a redução da pobreza em Moçambique tem fracassado devido ao insucesso de muitos factores endógenos na agricultura. Mas o sector continuará a ser um dos maiores motores do crescimento. Já os serviços são mais um dos vários sectores a serem dinamizados para que a economia torne-se mais diversificada.

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