Redução da Taxa MIMO: Ainda não chegou o tempo do acelerador de crédito ganhar ímpeto

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  • A avaliação dos riscos e incertezas associadas às projecções da inflação é mais favorável e há perspectivas de manutenção desta tendência em um dígito, no médio prazo.

O Governador do Banco do Banco – BdM, Rogério Zandamela, que o Comité de Política Monetária – CPMO, decidiu reduzir a taxa de juro de política monetária, taxa MIMO, de 17,25% para 16,50%.

O BdM fundamenta que em Dezembro 2023 a inflação anual fixou-se em 5,3%, após em Novembro ter atingido 5,4%. 

Governador do Banco do Banco – BdM, Rogério Zandamela

“Esta variação decorre fundamentalmente da redução de preços de bens alimentares importados, com destaque para os produtos de mercearia”. Explicou o Governador.

 Ainda mais, a inflação subjacente que exclui as frutas e vegetais e bens com preços administrados, também reduziu, após cinco meses de sucessivos aumentos.

“Para médio prazo, consolidam-se as perspectivas de uma inflação em um dígito, reflectindo, sobretudo, a estabilidade do metical, a previsão de queda dos preços das mercadorias no mercado internacional e o impacto das medidas tomadas pelo CPMO. Continuou.

Em contrapartida, a pressão sobre o endividamento público interno mantém-se elevado.

“O endividamento público interno, excluindo os contratos mútuos e de locação e as responsabilidades em mora situa-se em 320,6 mil milhões de meticais, o que representa um aumento de 8,3 mil milhões em relação a Dezembro de 2023”.

Entretanto, segundo o Governador do BdM, a avaliação dos riscos e incertezas associados às projecções da inflação é mais favorável, destacando-se como possíveis factores de redução da inflação o esforço da consolidação fiscal.

“A menor severidade dos eventos climáticos extremos e o impacto menos gravoso dos conflitos geopolíticos sobre a cadeia logística e sobre os preços das mercadorias no mercado internacional”.

Em face da situação, o CPMO considera estarem criadas as condições para o início de um ciclo de redução gradual da taxa MIMO, com vista à sua normalização num período de 24 a 36 meses.

“O ritmo e a magnitude dos próximos ajustamento irão depender das perspectivas da inflação, bem como da avaliação dos riscos e incertezas subjacentes às projecções do médio prazo”.

Sublinhe-se que com a mexida da taxa MIMO, todas as taxas serão mexidas, exceptuando-se das Reservas Obrigatórias.

Uma análise à medida do CPMO, ou seja, o corte de 75 pontos base na taxa directora (de 17,25% para 16,5%), deverá permitir um ligeiro alívio nas prestações dos empréstimos com taxa de juro variável. Os bancos, provavelmente, irão manter os spreads de risco para proteger a margem financeira e, por outro lado, compensar o elevado custo de funding associado aos actuais níveis de reservas bancárias (39% MN e 39,5% ME). De uma forma genérica as medidas  anunciadas encorajam a procura (empresas e famílias), mas do lado da oferta (bancos), as restrições na concessão de crédito deverão persistir, mesmo por a taxa das reservas obrigatórias, não foram e nem deverão ser revistas em baixa nos próximos tempos, tal ciomo deu a entender o Governador do Banco de Moçambique, pelo que, infere-se,  ainda não chegou o tempo do acelerador de crédito ganhar ímpeto. A boa notícia é que as pressões  inflacionárias abrandaram nas economias avançadas e em desenvolvimento. As previsões apontam para desinflação em vários países. 2024 pode ser o ano de inversão do ciclo de subida das taxas de juro. Oxalá que seja.

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