
Regras da União Europeia colocam em risco 70 000 postos de trabalho na África do Sul
A União Europeia (UE) está a impor regras mais rigorosas às exportações sul-africanas de citrinos, ameaçando 70.000 postos de trabalho e 15 mil milhões de Rands em receitas.
Deon Joubert, da Citrus Growers Association da África Austral (CGA), disse à eNCA (portal de notícias) que as regras impostas pela UE não têm nada a ver com a qualidade dos citrinos sul-africanos e são simplesmente restrições comerciais.
Joubert disse que esta é uma questão que se arrasta há uma década sem solução à vista, uma vez que a UE está empenhada em impor novos regulamentos aos produtores de citrinos sul-africanos.
A UE quer que os produtores locais melhorem a sua cadeia de frio, uma vez que Portugal registou casos de citrus black spot (CBS) em citrinos provenientes da África do Sul.
A CBS é uma doença fúngica que deixa marcas negras em parte do fruto, tornando-o indesejável para consumo humano e reduzindo o rendimento das plantas infectadas.
Joubert refutou as alegações da UE, afirmando que a África do Sul exporta fruta para a Europa há mais de um século sem registar um único caso de CBS.
Além disso, está provado que a origem da fruta, o Cabo Ocidental, está completamente livre da doença.
Não obstante, a UE está a impor regras mais rigorosas aos produtores de citrinos sul-africanos, obrigando-os a utilizar “super frigoríficos” para garantir que os frutos estão isentos de CBS.
A UE consome 48% da produção de citrinos da África do Sul e estas regras mais rigorosas ameaçam as exportações do País para o bloco.
Regras mais rigorosas, especialmente a utilização de “super frigoríficos”, tornarão as exportações sul-africanas de citrinos mais caros e por conseguinte, menos competitivas.
Joubert afirmou que a exportação para a UE já custa aos produtores sul-africanos mais 3,7 mil milhões de rands do que deveria. Esta nova regulamentação aumentará os custos em mais 2 mil milhões de rands.
“A UE tem actualmente estas regras estúpidas que não fazem sentido. Estão apenas a tornar mais difícil para os produtores sul-africanos exportar a sua fruta”, afirmou Joubert.
“Praticamente metade do sector, cerca de 70 000 postos de trabalho e 15 mil milhões de rands de receitas estão ameaçados”.

O Ministro do Comércio da África do Sul, Ebrahim Patel
O Ministro do Comércio da África do Sul, Ebrahim Patel, tem estado a dialogar com a UE sobre os seus novos regulamentos e o seu potencial impacto económico.
Joubert afirmou que o governo está a levar o assunto muito a sério e ameaçou levar a UE à Organização Mundial do Comércio por violação dos acordos comerciais.
Segundo Joubert e o Governo sul-africano, é evidente que esta regulamentação não tem nada a ver com a segurança e a qualidade dos alimentos, sendo antes uma restrição comercial imposta à África do Sul por razões geopolíticas.
Os citrinos sul-africanos não competem com as variantes europeias, uma vez que a produção é contra-sazonal, pelo que impedir as importações sul-africanas não ajudará os produtores europeus.
“A UE está a seguir o seu próprio caminho para o nada. É um disparate total, com um regulamento atrás do outro”, afirmou Joubert.
“A Citrus Growers Association (CGA) solicitou ao Presidente Ramaphosa que intervenha com urgência. É fundamental que o governo sul-africano trace uma linha na areia e solicite uma disputa oficial da Organização Mundial do Comércio com a UE sobre seus regulamentos CBS.
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