Para o sector privado, o conteúdo anunciado no Pacote de Medidas de Aceleração Económica (PAE) que incidem particularmente sobre o turismo  representam não apenas a  conformidade com as boas práticas internacionais de facilitação de mobilidade e prática do turismo – que  é na verdade, um determinismo e de implementação urgente – sobretudo configuram a abertura de uma janela de oportunidade visando a recuperação rápida e sustentável do sector, como afirma o Presidente do Pelouro do Turismo, Hotelaria e Restauração da CTA, Muhammad Abdullah

Muhammad Abdullah – Presidente do Pelouro do Turismo, Hotelaria e Restauração da CTA

Analisando as medidas, Muhammad Abdullah diz tratarem em grande parte, de um princípio que já vinha sendo defendido pelo sector privado visando a dinamização do turismo, particularmente fustigado pela pandemia.  

Os operadores argumentam que,  a convergência com os padrões internacionais é, a esta altura, decisiva para um máximo aproveitamento das oportunidades  face a reabertura e retoma do sector depois do enclausuramento a que esteve votado devido a pandemia do Covi19.

“Alcançamos uma vitória para a qual há muito tempo trabalhávamos e esforçávamo-nos, que é a questão da facilitação dos vistos,” disse Muhammad Abdullah , tendo se referido também a possibilidade da extensão significativa do tempo de vigor dos vistos para cidadãos de países  que ofereçam a devida segurança, citando exemplos de “alguns países da SADC que são fortes no turismo como o caso das Maurícias e outros países que têm a isenção de vistos para países que tenham garantias de segurança e que sejam baixo risco”.

Comparativamente a outras regiões do mundo que levantaram as restrições impostas devido a pandemia, em Mocambique, embora  o sector tenha experimentado um ligeiro aumento da facturação na sequência do alívio das restrições, ainda não se pode falar de um processo efectivo e consolidado de retoma de indústria. No sector da Hotelaria e Restauração, o Índice de Robustez Empresarial, da CTA,  apresentou um ligeiro recuo entre o IV Trimestre de 2021 e I Trimestre de 2022, tendo passado de 28.8% para 27,6%, o correspondente a uma variação de 1.1 pontos percentuais. A tendência negativa do desempenho empresarial neste sector deveu-se, maioritariamente, a combinação do efeito do alívio de medidas restritivas de combate a COVID-19 e o efeito sazonal da quadra festiva.

Assim, os operadores do sector vêm nas medidas anunciadas no pacote de estímulo a economia, como um  balão de oxigénio que vai insuflar o sector e catapultar um retoma consistente e sustentável, a curto prazo, ultrapassando inclusive os registos do período pré pandemia.

“Irá  sem dúvidas se dinamizar o turismo, teremos mais entrada de turistas e, é importante aqui focar também a questão das outras medidas anunciadas (…) quando falamos em tudo aquilo que vem a incentivar a economia, o turismo é um sector transversal, portanto a partir do momento em que temos a economia mais robusta, seja na agricultura, seja na electrificação ou nas outras áreas que neste anúncio foram priorizadas pelo governo, nós do turismo, com uma visão ampla, aberta e abrangente só temos a aproveitar porque tudo isto irá criar mais movimento de pessoas”, Disse Abdullah.

Ao se propor a uma maior flexibilização dos processos formais para autorização da entrada de turistas no país, sendo que, entre as propostas avançadas, a introdução do visto online destaca-se como uma solução oportuna e acertada para viabilização do dinamismo  reclamado pelo sector, apesar de entenderem as medidas como sendo de implementação imediata, os industriais do turismo reconhecem o grau de receptividade e abertura do Governo na formulação de respostas aos problemas do sector.

Para o Presidente do Pelouro de Turismo, Hotelaria e Restauração da CTA, as medidas constituem “um grande passo e é uma grande vitória para sector” no sentido em que a actual situação constitui “um entrave grande para o crescimento do turismo e para a entrada de turistas em Moçambique”.

“A partir do momento em que o Governo mostra-se preocupado em facilitar a mobilidade e a prática do turismo em si, é para nós uma grande vitória. Não só sentimo-nos motivados e de alguma forma acarinhados mas vemos que de facto o nosso esforço está a surtir o efeito desejado e isto tudo é muito bom para a economia no geral, principalmente nesta altura em que o mundo todo está a abrir-se novamente”, Disse Muhammad Abdullah, em entrevista ao O.Económico.

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