Sector Privado Da Beira Exige Reformas Para Desbloquear Investimento E Competitividade

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  • Empresários apontam escassez de divisas, morosidade nos pagamentos do Estado, constrangimentos logísticos e dificuldades no sector portuário como obstáculos ao crescimento económico e defendem uma agenda acelerada de reformas.
Questões-Chave:
  • Empresários da Beira alertam para constrangimentos que limitam a competitividade das empresas nacionais;
  • Falta de divisas continua a afectar a importação de matérias-primas e equipamentos;
  • Morosidade nos pagamentos do Estado é apontada como factor de pressão sobre as PME’s;
  • Operadores defendem maior transparência e previsibilidade no sector portuário;
  • Governo garante abertura ao diálogo e compromisso com reformas económicas.

Segundo uma reportagem publicada pelo Jornal Notícias na sua edição de sábado, 6 de Junho, empresários da cidade da Beira aproveitaram a recente visita de trabalho do Ministro da Economia, Basílio Muhate, para alertar sobre um conjunto de constrangimentos que continuam a afectar o ambiente de negócios e a competitividade das empresas, defendendo medidas urgentes para estimular o investimento e acelerar o crescimento económico.

As preocupações apresentadas pelos operadores económicos abrangem matérias relacionadas com o acesso a divisas, os pagamentos do Estado, os custos logísticos, o funcionamento do Porto da Beira e a necessidade de maior participação das empresas nacionais nos grandes investimentos que estão a ser implementados no país.

Divisas Continuam A Limitar A Actividade Empresarial

A escassez de moeda estrangeira voltou a ocupar lugar de destaque entre as preocupações do sector privado.

Empresários de diversos ramos de actividade alertaram que as dificuldades de acesso a divisas continuam a comprometer a importação de matérias-primas, equipamentos e outros insumos essenciais para a actividade produtiva, afectando particularmente os sectores industrial, comercial e de serviços.

A situação surge numa altura em que várias empresas procuram recuperar dos impactos dos últimos anos e reposicionar-se para aproveitar as oportunidades associadas à retoma económica e aos grandes projectos de investimento.

Para os operadores económicos, a persistência destas restrições acaba por limitar a capacidade produtiva, atrasar investimentos e reduzir a competitividade das empresas nacionais face à concorrência internacional.

Custos Logísticos Continuam A Penalizar As Empresas

Os empresários manifestaram igualmente preocupação com os custos associados ao transporte e à logística, defendendo uma maior racionalização de encargos e uma melhor coordenação institucional ao longo da cadeia de abastecimento.

A preocupação é particularmente relevante numa região cuja dinâmica económica depende fortemente da actividade portuária e do papel estratégico desempenhado pelo Corredor da Beira no escoamento de mercadorias para os países do hinterland.

Entre os participantes nos encontros, houve referências aos impactos do aumento dos preços dos combustíveis e às dificuldades de abastecimento, factores que continuam a pressionar os custos operacionais das empresas e a reduzir as margens de rentabilidade.

Porto Da Beira Sob Escrutínio

O funcionamento do Porto da Beira foi outro dos temas que mereceu destaque durante o diálogo entre o Governo e o sector privado.

Empresários ligados à indústria e à logística apontaram situações de congestionamento e atrasos operacionais que, segundo afirmam, contribuem para o aumento dos custos de importação e exportação.

Citado pelo Jornal Notícias, Mac Donald Mpisa alertou para os prejuízos causados pelos atrasos na descarga de matérias-primas e mercadorias, situação que pode afectar os ciclos de produção e aumentar os encargos suportados pelas empresas.

Os operadores defendem que uma maior eficiência operacional poderá reforçar a competitividade do corredor logístico e consolidar a posição da Beira como uma das principais plataformas de comércio regional da África Austral.

Pagamentos Do Estado Continuam A Preocupar As PME’s

Os atrasos nos pagamentos do Estado aos fornecedores e empreiteiros constituíram igualmente um dos pontos centrais das preocupações apresentadas ao Ministro da Economia.

Representantes do sector da construção civil consideram que a morosidade na liquidação de facturas afecta a tesouraria das empresas, limita a capacidade de investimento e dificulta o acesso ao financiamento bancário.

Citado pelo periódico, Luís Tivane, representante da Associação dos Empreiteiros de Sofala, defendeu mecanismos mais eficazes para assegurar a previsibilidade dos pagamentos e fortalecer a sustentabilidade financeira das empresas nacionais.

A preocupação assume particular importância para as pequenas e médias empresas, que dispõem de menor capacidade para absorver períodos prolongados de incumprimento ou atraso.

Empresas Nacionais Reclamam Maior Espaço Nos Grandes Projectos

Outro aspecto abordado durante os encontros foi a necessidade de reforçar a participação das empresas moçambicanas nos grandes investimentos em curso no país.

Os empresários entendem que uma maior integração do sector privado nacional nas cadeias de fornecimento poderá contribuir para a retenção de valor na economia, promover a transferência de conhecimento e estimular a criação de emprego.

A reivindicação surge num contexto em que Moçambique procura maximizar os benefícios económicos dos projectos associados aos sectores da energia, mineração, logística e infra-estruturas.

Governo Reafirma Compromisso Com Reformas

Em resposta às preocupações apresentadas, Basílio Muhate reafirmou o compromisso do Governo em aprofundar o diálogo com o sector privado e prosseguir com as reformas destinadas a melhorar o ambiente de negócios.

O governante destacou a importância da colaboração entre o Estado e os agentes económicos para impulsionar o crescimento, aumentar a competitividade e criar condições favoráveis ao investimento privado.

As preocupações recolhidas durante a visita evidenciam desafios que ultrapassam a realidade da cidade da Beira e reflectem questões estruturantes para a economia moçambicana. A capacidade de transformar estas inquietações em medidas concretas poderá desempenhar um papel determinante na trajectória do investimento, da industrialização e da criação de emprego nos próximos anos.