
TotalEnergies vai levantar, já na próxima semana, a declaração de força maior sobre o projecto Mozambique LNG suspenso desde 2021
Questões-Chave
- TotalEnergies vai levantar, já na próxima semana, a declaração de força maior sobre o projecto Mozambique LNG (Área 1 da Bacia do Rovuma), suspenso desde 2021;
- Projecto avaliado em US$ 20 mil milhões, o maior investimento directo estrangeiro alguma vez realizado em Moçambique;
- Decisão abre caminho para a mobilização de empreiteiros, reactivação de contratos de fornecimento e acesso a financiamentos internacionais;
- Retoma enquadra-se num contexto de melhorias de segurança em Cabo Delgado e de pressão crescente da procura global de GNL, sobretudo na Europa e Ásia;
- Parceiros estratégicos incluem Mitsui, ONGC, ENH, PTTEP, Bharat Petroleum e Oil India.
A TotalEnergies vai levantar formalmente, já na próxima semana, a declaração de força maior que desde 2021 suspendeu o megaprojecto Mozambique LNG, na península de Afungi, Cabo Delgado. A decisão representa um marco histórico para Moçambique, reactivando um investimento de US$ 20 mil milhões e reposicionando o país no mapa estratégico do gás natural liquefeito (GNL) mundial.
O anúncio, avançado pelo portal especializado Upstream, confirma meses de negociações intensas entre a petrolífera francesa, o Governo moçambicano e financiadores internacionais. Declarada em Abril de 2021 após ataques insurgentes em Palma, a força maior congelou obras, paralisou contratos e suspendeu a mobilização de milhares de trabalhadores, afectando a trajectória económica nacional.
Com a decisão agora iminente, a TotalEnergies prepara-se para retomar a construção das infra-estruturas de liquefacção de gás na Área 1, liderando um consórcio que inclui a japonesa Mitsui, a indiana ONGC, a tailandesa PTTEP, a Bharat Petroleum, a Oil India e a moçambicana ENH. A retoma permitirá desbloquear contratos de fornecimento de GNL já firmados com clientes na Ásia e na Europa, num momento em que a procura global permanece elevada e a transição energética redefine mercados.
Do ponto de vista financeiro, o levantamento da força maior reabre igualmente o acesso a linhas de crédito internacionais e project finance associados ao projecto, considerados cruciais para sustentar o volume de investimento.
O Governo moçambicano vinha insistindo, desde 2023, na necessidade de reactivação do projecto, destacando os progressos de segurança em Cabo Delgado, onde a intervenção conjunta das Forças de Defesa e Segurança de Moçambique, da SADC e do Ruanda estabilizou parte significativa do território.
Para Moçambique, o impacto da retoma é decisivo. Estima-se que o Mozambique LNG possa gerar receitas fiscais anuais superiores a US$ 2,5 mil milhões no pico da produção, além de criar milhares de postos de trabalho directos e indirectos e dinamizar cadeias de fornecimento locais.
Num contexto em que o país já conta com a produção flutuante da Coral Sul (ENI) e prepara a Coral Norte, a retoma do Mozambique LNG recoloca Moçambique entre os grandes futuros exportadores de GNL, ao lado de países como Qatar e Estados Unidos.
Segundo fontes do sector, os próximos passos incluirão a reactivação de contratos com os principais empreiteiros de engenharia e construção (Technip Energies e JGC Holdings), bem como a calendarização da mobilização em Afungi.
O levantamento da força maior não apenas reactiva o maior investimento estrangeiro em Moçambique, como também envia um sinal de confiança aos mercados internacionais sobre a estabilidade e resiliência do país. Para o Governo, representa um impulso fundamental às perspectivas de crescimento económico, diversificação de receitas e fortalecimento do conteúdo local.
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