Turismo Como Estratégia De Desenvolvimento: CTA Defende Reformas Para Transformar Potencial Em Crescimento Económico

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  • Empresariado identifica cinco prioridades para desbloquear o potencial turístico de Moçambique e posicionar o país como destino competitivo no contexto do crescimento acelerado do turismo africano.
Questões-Chave:
  • CTA defende cinco reformas estruturantes para impulsionar o turismo nacional;
  • Conectividade aérea e facilitação de vistos lideram lista de prioridades do sector privado;
  • Turismo representou cerca de 4,5% do PIB e 32% das exportações de serviços antes da pandemia;
  • África recebeu 74 milhões de turistas internacionais em 2024, superando níveis pré-pandemia;
  • Nampula é apontada como um dos principais pólos estratégicos para o desenvolvimento turístico e económico do país.

O sector privado moçambicano considera que o turismo poderá assumir um papel muito mais relevante na transformação económica nacional, desde que sejam implementadas reformas estruturais capazes de melhorar a competitividade do destino Moçambique e atrair novos investimentos.

A posição foi defendida pelo Presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Álvaro Massingue, durante o Fórum de Turismo e Investimento de Moçambique, realizado na vila de Rapale, província de Nampula, onde identificou cinco prioridades consideradas essenciais para acelerar o desenvolvimento do sector.

Segundo o dirigente empresarial, a melhoria da conectividade aérea, a simplificação dos regimes de vistos, o investimento em infra-estruturas, a qualificação dos recursos humanos e o reforço da promoção internacional da marca Moçambique constituem os pilares fundamentais para converter o vasto potencial turístico do país em crescimento económico efectivo.

Uma Indústria Com Capacidade De Multiplicar O Crescimento

A CTA entende que o turismo não deve ser encarado apenas como uma actividade ligada ao lazer e às viagens, mas como um dos sectores com maior capacidade de gerar efeitos multiplicadores sobre a economia.

Cada turista que visita um destino movimenta uma extensa cadeia de valor que envolve hotéis, restaurantes, transportes, operadores turísticos, agricultores, pescadores, artesãos, comerciantes e diversos prestadores de serviços.

Esta característica confere ao turismo uma capacidade singular de criar emprego, estimular pequenas e médias empresas, promover o empreendedorismo local e gerar divisas para o país.

“Não estamos apenas a falar de um sector económico; estamos a falar de uma actividade capaz de gerar emprego, dinamizar pequenas e médias empresas, atrair investimento e impulsionar o desenvolvimento regional”, defendeu Massingue durante a sua intervenção.

África Cresce E Moçambique Procura Ganhar Espaço

A reflexão da CTA surge num contexto particularmente favorável para a indústria turística africana.

De acordo com os dados apresentados durante o fórum, o mundo registou cerca de 1,4 mil milhões de turistas internacionais em 2024, recuperando praticamente os níveis observados antes da pandemia da Covid-19. O sector contribui actualmente com mais de 11 biliões de dólares para a economia mundial e sustenta mais de 330 milhões de postos de trabalho.

Em África, a recuperação tem sido igualmente robusta. O continente recebeu aproximadamente 74 milhões de turistas internacionais em 2024, representando um crescimento de cerca de 12% face ao ano anterior e ultrapassando os níveis pré-pandemia.

Para a CTA, estes números demonstram que existe uma oportunidade concreta para Moçambique aumentar a sua quota neste mercado em expansão.

Cinco Reformas Para Desbloquear O Potencial Turístico

A primeira prioridade apontada pelo sector privado passa pela melhoria da conectividade aérea.

Apesar das vantagens geográficas do país, os operadores económicos continuam a identificar limitações relacionadas com a disponibilidade de voos, frequência das ligações e custos elevados das viagens aéreas, factores que reduzem a competitividade do destino moçambicano face a outros mercados regionais.

A segunda prioridade consiste na simplificação dos processos de mobilidade internacional através de regimes de vistos mais céleres e eficientes.

A terceira dimensão está relacionada com a aceleração dos investimentos em infra-estruturas críticas, incluindo estradas, energia, água, saneamento, telecomunicações e serviços de saúde, elementos considerados fundamentais para assegurar uma experiência turística competitiva.

O quarto eixo centra-se no reforço da qualificação dos recursos humanos, respondendo às exigências crescentes de um sector cada vez mais orientado para padrões internacionais de qualidade.

Finalmente, a CTA defende um esforço mais consistente de promoção internacional da marca Moçambique nos mercados considerados prioritários para a captação de turistas e investidores.

Nampula Vista Como Plataforma Estratégica De Crescimento

A escolha de Nampula para acolher o fórum não foi casual.

A CTA considera que a província reúne algumas das mais importantes vantagens competitivas do país, combinando património histórico, recursos naturais, infra-estruturas logísticas e uma localização estratégica.

Entre os activos destacados encontram-se a Ilha de Moçambique, classificada como Património Mundial da UNESCO, a Baía de Nacala, considerada uma das maiores baías naturais profundas do mundo, bem como destinos como Chocas Mar, Fernão Veloso e Ilha de Goa.

A província beneficia ainda das vantagens proporcionadas pelo Corredor de Nacala, pelo Porto de Nacala e pelo Aeroporto Internacional de Nacala, infra-estruturas que reforçam a conectividade regional e internacional.

Turismo Pode Reforçar A Diversificação Económica

Para sustentar a sua visão, a CTA recorda que, entre 2016 e 2019, Moçambique recebeu em média cerca de dois milhões de turistas por ano.

Durante esse período, o turismo contribuiu com aproximadamente 4,5% do Produto Interno Bruto nacional e representou cerca de 32% das exportações de serviços, evidenciando a sua relevância para a geração de receitas externas e para a diversificação da base económica do país.

Num contexto em que Moçambique procura reduzir a dependência de sectores específicos e ampliar as fontes de crescimento, o sector privado considera que o turismo pode assumir um papel estratégico na criação de emprego, captação de investimento e promoção do desenvolvimento regional.

A mensagem deixada pelo empresariado é clara: o país já possui os recursos naturais, culturais e geográficos necessários. O desafio passa agora por criar as condições que permitam transformar esse potencial em investimento, o investimento em actividade económica e a actividade económica em prosperidade para os moçambicanos.