
Zimbabué deve acelerar as reformas monetárias – FMI
O Fundo Monetário Internacional (FMI) encorajou na quarta-feira o Zimbabué a acelerar as reformas monetárias. A recomendação foi feita no final de uma missão recente que instituição realizou no País, tendo sido sublinhado que as autoridades devem avançar para uma taxa de câmbio orientada para o mercado e eliminar as distorções actualmente existentes.
A visita discutiu o pedido do Zimbabué de um programa monitorizado pelo FMI, parte dos esforços do país da África Austral para se reaproximar da comunidade financeira internacional, demonstrando um historial de políticas económicas sólidas.
Há mais de duas décadas que o Zimbabué não consegue obter financiamento de instituições como o FMI devido a atrasos no serviço da sua dívida para com os credores, incluindo o Banco Mundial, o Banco Africano de Desenvolvimento e o Banco Europeu de Investimento.
“O FMI está actualmente impedido de prestar apoio financeiro ao Zimbabué devido à sua situação insustentável em termos de dívida (…) e aos atrasos no pagamento da dívida externa oficial”, declarou o FMI num comunicado.
“Um acordo financeiro com o FMI exigiria uma via clara para a reestruturação global da dívida externa do Zimbabué, incluindo a liquidação dos pagamentos em atraso e um plano de reformas que seja coerente com o restabelecimento duradouro da estabilidade macroeconómica”.
O Banco Central do Zimbabué e o Ministério das Finanças afirmaram que estão a trabalhar em medidas para estabilizar o dólar do Zimbabué, que caiu cerca de 40% em relação ao dólar americano desde o início do ano.
Uma opção que está a ser considerada é ligar a taxa de câmbio a activos como o ouro.
O FMI afirmou que os responsáveis políticos deveriam eliminar a restrição da margem comercial de 10% permitida para a fixação dos preços das transacções nacionais e limitar o mandato legal do banco central às funções essenciais.
Numa conferência de imprensa conjunta com o FMI, o Ministro das Finanças do Zimbabué, Mthuli Ncube, afirmou que as autoridades concordam que a moeda local deve refletir melhor as condições do mercado.
O dólar do Zimbábue foi relançado em 2019 após uma década de dolarização, mas rapidamente perdeu valor e o uso de moedas estrangeiras em transações domésticas foi reautorizado logo depois.
O Governador do banco central, John Mangudya, disse que o foco de uma próxima declaração de política monetária seria a estabilização da taxa de câmbio.
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