BVM reforça-se face às ameaças cibernéticas, exorta o mercado a fazer o mesmo

0
973

Ciente das ameaças cada vez mais frequentes e intensas que os crimes cibernéticos representam, no caso particular, ao sistema financeiro, a Bolsa de Valores de Moçambique, tem vindo a robustecer a integridades dos seus sistemas tecnológicos e informáticos, para lograr a segurança necessária e continuar a merecer a confiança dos investidores e do mercado.

PCA da BVM, Salim Valá

Efectivamente, segundo admitiu o PCA da BVM, Salim Valá, as bolsas de valores são instituições cada vez mais tecnológicas, onde enormes volumes de informação e milhões de transacções são processados digitalmente, tornando estas um alvo apetecível para os cibercriminosos.

Nesse sentido, para a BVM, a gestão da segurança cibernética, não é mais uma questão meramente técnica, mas igualmente e, sobretudo, estratégica, recomendando assim ao mercado a assumir essa mesma postura já que trata-se de um combate que deve ser travado de forma coordenado envolvendo os diferentes agentes do mercado.

“Um ataque cibernético a uma bolsa de valores pode pôr em causa o seu principal activo: a confiança no mercado. Sem confiança não há mercado, não há investidores, não há empresas cotadas, não há bolsa de valore”. Assumiu Salim Valá.

Nessa perspectiva, o PCA da BVM, defende que “é essencial assegurar a confiança, e evitar o risco sistémico decorrente da instabilidade do mercado e da perca de confiança, e a cibersegurança é parte da solução, mas tendo sempre presente que não há estratégias de Cibersegurança infalíveis”.

“As bolsas de valores devem estar sempre em alerta constante, monitorar os seus sistemas de controle, actualizar as suas políticas de segurança, para lograrem estar à frente das ameaças cibernéticas que estão sempre em constante evolução”, disse, deixando entender ser essa a realidade da BVM face à essa questão emergente.

O PCA da BVM, fez estes pronunciamentos quando intervinha no “ Cibersecurity Summit 2023” evento organizado pela Media Club, realizado recentemente em Maputo, destinado a compulsar sobre o estágio do tema no nosso País e partilhar ideias e experiencias face a uma ameaça comum emergente que é o cibercrime.

Na sua alocação, discorreu sobre a interdependência que caracteriza a relação entre as bolsas de valores, enquanto infraestruturas críticas na economia global, tecnologia e da digitalização.

“A relação entre cibersegurança e as bolsas de valores é profunda e complexa, devido à digitalização avançada das transacções financeiras e ao enorme volume de dados confidenciais envolvidos”, disse.

“As bolsas de valores contêm informações sensíveis, como dados pessoais e financeiros dos investidores, além de informações detalhadas sobre as empresas cotadas, o que as torna um alvo apetecível para os cibercriminosos”, o que aliado à natureza digital das operações financeiras modernas, colocam os mercados bolsistas sob constante risco de ataques cibernéticos.

“A vulnerabilidade dos sistemas a ataques cibernéticos tem consequências potencialmente devastadoras, não apenas para os indivíduos e instituições diretamente afetados, mas também para a estabilidade dos mercados financeiros”, alertou Valá, enfatizando que um ataque cibernético bem-sucedido a uma bolsa de valores pode resultar em graves consequências financeiras, para além de prejudicar a confiança no mercado bolsista.

“Porque a confiança é um dos principais activos dos sistemas financeiros e das bolsas de valores, a cibersegurança é essencial para o bom funcionamento dos mercados de capitais, e sem confiança não há mercado bolsista. Se as bolsas de valores não conseguirem proteger as informações e os dados dos investidores, a confiança fica comprometida, levando a uma descida da negociação e do preço das suas acções.”. Fundamentou.

Nessa perspectiva, o entendimento e cultura prevalecente na BVM, é de que a cibersegurança tornou-se uma questão crítica para garantir a integridade, a confidencialidade e a disponibilidade da informação que circula nos mercados bolsistas, dados de investidores, das empresas cotadas, dos títulos negociados, entre outros.

“Porque os ataques cibernéticos são uma ameaça constante, muitas bolsas de valores estão investindo em seguros contra este tipo de risco para ajudar a cobrir as perdas potenciais causadas por esse tipo de ataques.”. Disse, elencando os aspectos que devem constituir uma estratégia de cibersegurança, designadamente, o atendimento eficiente dos riscos cibernéticos. Tal estratégia, sendo dinâmica, deve compreender, designadamente, a tecnologia, a formação, os testes de vulnerabilidade, a continuidade de negócio, o investimento e a própria estratégia corporativa, sobre esta última, particularmente, tal como disse Valá, “a cibersegurança não deve ser considerada apenas como um aspecto técnico, mas deve ser integrada na estratégia corporativa. Os gestores da organização devem entender o impacto potencial de um ciberataque e a importância de investir em medidas de segurança adequadas”.

SUBSCREVA O.ECONÓMICO REPORT
Aceito que a minha informação pessoal seja transferida para MailChimp ( mais informação )
Subscreva O.Económico Report e fique a par do essencial e relevante sobre a dinâmica da economia e das empresas em Moçambique
Não gostamos de spam. O seu endereço de correio electrónico não será vendido ou partilhado com mais ninguém.