Brent atinge os US$ 93 dólares, com os conflitos no Médio Oriente a aumentarem as preocupações com a oferta

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  • Irão apela a embargo petrolífero contra Israel
  • Jordânia cancela cimeira com líderes dos EUA, Egípcios e Palestinianos
  • Biden chega a Israel para consultar sobre o conflito de Gaza
  • As reservas de petróleo bruto dos EUA caem mais do que o esperado – dados da API
  • PIB do terceiro trimestre da China cresce 4,9%, acima da previsão do mercado

O petróleo de referência Brent atingiu os US$ 93 dólares por barril na quarta-feira, 18/10, com o risco de escalada do conflito no Médio Oriente a ameaçar interromper o fornecimento de petróleo da região, com o Irão a pedir um embargo de petróleo a Israel.

Os futuros do petróleo Brent subiram US$ 2,54 dólares, ou 2,8%, para US$ 92,44 dólares por barril, em 10:56 GMT. Os futuros do petróleo West Texas Intermediate (WTI) subiam 2,54 dólares, ou 2,9%, para US$ 89,2 dólares por barril.

Ambas as referências ganharam mais de US$ 3 dólares para atingir seus níveis mais altos em duas semanas no início da sessão.

Os mercados tiveram em conta os prémios de risco depois de centenas de palestinianos terem sido mortos numa explosão num hospital da cidade de Gaza, na terça-feira, 17 de Outubro, que as autoridades israelitas e palestinianas culparam mutuamente.

A Jordânia cancelou então uma cimeira que iria acolher com o Presidente dos EUA, Joe Biden, e os líderes egípcios e palestinianos. Biden chegou a Israel nesta quarta-feira, 18 de Outubro prometendo solidariedade na sua guerra contra o Hamas e apoiando a sua versão de que a explosão no hospital de Gaza tinha sido causada por militantes.

“Esta reviravolta diplomática volta a suscitar o receio do alastramento do conflito e, por conseguinte, o salto do petróleo”, afirmou John Evans, da corretora de petróleo PVM.

Em Jeddah, na Arábia Saudita, o Ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Hossein Amirabdollahian, exortou os membros da Organização de Cooperação Islâmica a imporem um embargo petrolífero a Israel.

A OPEP+ não tenciona tomar qualquer medida imediata em relação ao apelo do Irão, disseram à Reuters duas fontes do grupo de produtores.

“Uma ocupação prolongada surge como o cenário que empurra os futuros do petróleo Brent acima dos US$ 100/bbl, porque aumenta o risco de que o conflito entre Israel e o Hamas se expanda e potencialmente atraia o Irão directamente”, acrescentou Vivek Dhar, analista do Commonwealth Bank of Australia.

Para além das tensões geopolíticas, outros factores estão também a apoiar os preços do petróleo.

Os estoques de petróleo bruto dos EUA caíram muito mais do que o esperado em 4,4 milhões de barris na semana encerrada em 13 de Outubro, em comparação com a previsão de uma queda de 300.000 barris, de acordo com fontes do mercado citando dados do American Petroleum Institute na terça-feira, 17 de Outubro.

Os dados oficiais do governo dos EUA serão divulgados ainda nesta quarta-feira, 18 de Outubro.

Do lado da procura, a economia da China cresceu mais rapidamente do que o esperado no terceiro trimestre, mostraram dados oficiais nesta quarta-feira, 18 de Outubro, sugerindo que uma recente enxurrada de medidas políticas está a ajudar a reforçar uma tentativa de recuperação.

Os dados também mostraram que o rendimento das refinarias de petróleo do país em Setembro atingiu uma taxa diária recorde, mais 12% do que no ano anterior, uma vez que as refinarias aumentaram as taxas de funcionamento para satisfazer a forte procura de combustível para transportes durante o feriado da Semana Dourada e a melhoria da actividade industrial.

Mas os analistas mostraram-se cautelosos em relação à economia chinesa, com o sector imobiliário do País ainda em perigo.

“A recuperação económica ainda está a dar os primeiros passos”, afirmou Harry Murphy Cruise, economista da Moody’s Analytics.

Entretanto, as vendas a retalho dos EUA em Setembro, mais elevadas do que o previsto, estimularam as expectativas de uma nova subida das taxas de juro até ao final do ano. O aumento das taxas de juro para conter a inflação pode abrandar o crescimento económico e reduzir a procura de petróleo.