
Fórum África – Caraíbas: África almeja aumentar exportações para as Caraíbas em US$ 170 milhões por ano até 2026
- Georgetown, capital da República da Guiana, acolheu o segundo Fórum de Comércio e Investimento entre África e Caraíbas (ACTIF2023), marcando mais um passo no aprofundamento das relações comerciais entre a África e a comunidade caribenha (CARICOM).
- O comércio entre África e as Caraíbas é inferior a 1 por cento do comércio externo de cada uma das regiões, mas tem um potencial de US$ 1,1 mil milhões .
O fórum, de dois dias, foi organizado pelo Afreximbank e pelo Governo de Guiana, e decorreu sob o lema “Criando um Futuro Próspero Compartilhado”, contou com a presença de 1200 delegados, dos 50 do continente africano, incluindo Moçambique.
De acordo com os organizadores, o encontro discutiu vários temas, entre os quais a aceleração da industrialização e da capacidade, a criação de condições para acelerar o investimento do sector privado, melhoramento de infra-estruturas, o financiamento e a logística comercial. No programa do fórum, constou ainda da temas como o desenvolvimento de zonas económicas especiais e parques industriais e a promoção do comércio, o turismo e a integração regional, a produtividade agrícola e o agro-negócio, para impulsionar o crescimento do comércio e do investimento entre a África e as Caraíbas.
O Afreximbank refere que a cooperação comercial entre África e CARICOM tem vindo a crescer, e que tem estado a apoiar esse crescimento
Um relatório apresentado em Setembro de 2022, em Bridgetown, capital de Barbados indicou que comércio entre África e as Caraíbas é inferior a 1 por cento do comércio externo de cada uma das regiões, mas tem um potencial de US$ 1,1 mil milhões .
“Os números das trocas de bens e serviços são espantosos. Com as acções e redes certas, o comércio entre África e as Caraíbas poderia chegar até US$ mil milhões”, disse Pamela Coke-Hamilton, Directora-Executiva do Centro de Comércio Internacional (ITC, na sigla em inglês), uma agência multilateral sediada em Genebra, ao apresentar as conclusões do AfriCaribbean Trade and Investment Forum (ACTIF2022), a decorrer em Barbados.
Segundo o documento, que a responsável disse ser o primeiro do género, África poderia ver aumentar as exportações para as Caraíbas em US$ 170 milhões por ano até 2026, o que representaria um aumento de mais de 50 por cento face aos níveis de 2021, enquanto as Caraíbas poderiam ver aumentar as exportações em 80 milhões por ano, um aumento de quase um terço.
Além disso, as trocas de serviços representam grandes oportunidades. As Caraíbas têm o potencial de exportar serviços no valor de 500 milhões de Euros para África, o dobro do valor das exportações de bens.
Actualmente, acrescentou Coke-Hamilton, a troca de bens entre África e as Caraíbas “é negligenciável e altamente concentrada numa mão cheia de bens e países: nem 0,1 por cento das exportações africanas foram para as Caraíbas em 2020, e o continente africano comprou menos de 1 por cento das exportações caribenhas”.
O comércio entre as duas regiões é menos diversificado do que as exportações de cada uma para qualquer outra região do mundo, conclui o relatório.
Quase 70 por cento das exportações de África para as Caraíbas são minerais primários e mais de 40 por cento das exportações das Caraíbas para África são químicos.
Segundo o estudo, em causa estão os custos do acesso ao mercado, a falta de um acordo de comércio livre entre ambas as regiões significa que as taxas para alguns sectores são de 28 por cento em media, assim como os custos dos transportes.
No entanto, o relatório sublinha que “o comércio Sul-Sul pode ser transformador”. Pode começar a reverter séculos de comércio de mercadorias não lucrativas e não processadas destinadas aos antigos mercados da era colonial”.
Em cinco anos, as duas regiões poderiam mudar significativamente as dinâmicas de exportação, com mais de 25 por cento das exportações fluindo em cada direcção.
Os investigadores do ITC sugerem que a África e as Caraíbas deveriam incentivar o comércio de pequenas empresas, especialmente aquelas lideradas por jovens empreendedores e mulheres.
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