
Robustez Empresarial manteve-se fraco no III trimestre – CTA
- O Índice de Robustez Empresarial cresceu exíguo no terceiro trimestre de 2023, tendo passado dos 28 do segundo trimestre para 29 ponto percentuais no trimestre em análise.
Falando, esta quinta-feira, (09/11), na abertura do Economic Briefing, sob o tema Desempenho Empresarial e Retrospectiva Económica 2023, o Presidente da Confederação das Associações Económicas (CTA), Agostinho Vuma, disse que a avaliação decorreu no contexto de duas velocidades e explica essas duas situações ambivalentes.
“Uma velocidade, guiada pelos grandes projectos no sector extractivo que está a registar crescimentos extraordinários. A outra, guiada pelos sectores tradicionais da economia, se verificam crescimentos bastantes ligeiros e/ou negativos com destaque para a indústria transformadora, pescas e construção civil”.
Apesar do ligeiro crescimento, Vuma diz que o desempenho da economia moçambicana revela um quadro frágil e fundamenta com dois argumentos.
Primeiro: “Este desempenho, ainda que superior ao trimestre anterior, mostra-se bastante frágil. As razões deste desempenho empresarial são várias: Primeiro, neste ano, registou-se um arranque tardio da época de comercialização agrícola, devido às cheias e inundações registadas no início do ano. Isto afectou as vias de acesso e organização da rede comercial que escoa os produtos. Os constrangimentos enfrentados na comercialização agrícola incluem, desde as questões logísticas até ao acesso do certificado fitossanitário, a questão da gestão das quotas de exportação de feijão bóer entre outros aspectos”.
Os constrangimentos enfrentados na comercialização do feijão bóer afectam os outros produtos agrícolas e explica:
“É que os comerciantes do feijão bóer e gergelim são os mesmos da castanha de cajú, as infra-estruturas de logística são as mesmas. Então, quando a campanha de um produto corre mal, afecta a dos produtos seguintes”, realça.
As estimativas da CTA apontam que se medidas não forem tomadas, cerca de 20 por cento das exportações agrícolas poderão estar comprometidas, daí que o dirigente do organismo lançou o apelo ao Presidente da República, para que se tome uma decisão, que chama de firme, para a liberalização da exportação do feijão bóer”.
O segundo argumento sobre a fragilidade da economia cinge-se ao aumento dos encargos financeiros com a banca.
“A subida sucessiva da taxa MIMO de 13,25 em Janeiro de 2022 para 17,25 por cento em Setembro do mesmo ano, e não tendo alterado até hoje, combinado com a subida da taxa de reservas obrigatórias para 39 por cento, levou ao aumento do endividamento das empresas junto à banca. Refira-se que, cerca de 48,5 por cento do crédito concedido vai para as empresas”. Acrescenta.
Agostinho Vuma vai ainda mais longe, ao esclarecer que, actualmente, a taxa de juro activa do mercado atingiu os 32 por cento em Setembro, contra os 27 por cento, antes das alterações na política monetária e, no mercado de emprego a situação continua muito frágil.
“Os novos postos de emprego têm sido sustentados pelas contratações a tempo parcial ou temporário. Isto, podemos ver com o aumento do índice de emprego temporário e em tempo parcial, 10.3 pontos percentuais. A demanda de mão-de-obra para atender ao início da comercialização agrícola registou um aumento de 28 por cento para 38, justificada em grande parte pelas actividades de colheita e logística de produtos. Por fim, o contínuo acúmulo das facturas por pagar aos fornecedores, por parte do Estado. Isto significa que as empresas, maioritariamente, as Pequenas e Médias Empresas, (PMEs) estão a financiar o Estado e, com isso, limitando o seu crescimento. A despesa pública, numa situação desta, acaba sendo adversa e prejudicial para a economia”.
Face ao exposto, a CTA propõe ao Governo para que crie limites máximos de acumulação dos atrasados para que essa despesa seja controlada e monitorada, o que se traduziria na limitação do crescimento de facturas atrasadas e aumentaria a disciplina por parte do tesouro em relação aos pagamentos ao sector privado.
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