• O país poderá partilhar a sua estratégia e visão energética durante a realização da Conferência Internacional sobre Cozinha Limpa, a ter lugar em Paris, França, em Maio, evento a ser co-presidido pela Presidente da Tanzânia, Primeira-Ministra da Noruega e pelo Director-Executivo da Agência de Energia – AIE.
    Com efeito, à margem da visita que o Chefe de Estado moçambicano efectua à Roma, na sequência da audiência que concedeu ao Director-Executivo da Agência Internacional de Energia – AIE, Fatih Birol, recebeu o convite para o evento de Paris.


À saída do encontro, Fatih disse que aflorou com o estadista moçambicano as enormes potencialidades que Moçambique tem em termos de energia, quer seja gás natural, quer energias a partir de fontes hídricas e outras renováveis.
Acrescentou que foi abordada também a estratégia que o país tem sobre a transição energética e o que deve ser feito para que possa ser promovida junto de potenciais investidores para desenvolver estes recursos para o bem do país e para o seu desenvolvimento.
Fatih frisou que o convite para o Presidente Filipe Nyusi participar na Conferência em Paris é um reconhecimento claro dos esforços que o estadista moçambicano tem feito na transição energética e por ter iniciativas similares.
“Esta vai ser uma grande oportunidade para Moçambique projectar aquilo que é a sua estratégia e a sua visão sobre transição energética e cozinha limpa”, finalizou Faith.
No encontro, a decorrer em Maio, são esperados dirigentes empresariais, sobre- tudo da área de energia de várias partes do mundo.
Moçambique apresenta significativos progressos no sector das energias renováveis, conforme destacado na terceira edição do “Resumo: Renováveis para Moçambique 2023”, lançado pela Associação Lusófona de Energias Renováveis – ALER e pela Associação Moçambicana de Energias Renováveis – AMER.
De acordo com os dados publicados no Resumo, as energias renováveis mantiveram a sua posição como a principal fonte de produção de energia, representando 62% da geração em 2022, apesar do aumento da geração térmica. Em 2022, Moçambique exportou 27% da sua produção para países vizinhos, visando posicionar-se como um polo energético na região da SADC.
O Resumo realça um conjunto de projectos que contribuíram em larga escala para o desenvolvimento do sector. Exemplo disso é a primeira central solar de Mocuba e a central solar de Tetereane com armazenamento de baterias, que contribuem para o aumento da capacidade instalada em 170 MW.
Destaca-se o lançamento do Programa de Leilões de Energias Renováveis – PROLER, que já apresenta resultados positivos, nomeadamente através da concessão da primeira central solar de Dondo à empresa Total Eren. O PROLER planeia adicionar 140 MW adicionais através de concursos para centrais solares e eólicas.
O Resumo faz também referência ao programa GET FiT Moçambique cujo objectivo futuro será adicionar cerca de 130 MW em concursos destinados a zonas críticas da rede.
Já no sector fora da rede, a nova Lei de Electricidade oferece incentivos para projectos de autoconsumo, tornando-os financeiramente atractivos, e o recentemente aprovado Plano de Electrificação Fora da Rede, fornecerá um mapeamento das zonas fora da rede a electrificar. Está prevista uma implementação faseada e actualização a cada dois anos.
Na primeira fase, prevista até final de 2023, será lançado o concurso para electrificação de onze clusters, que abrangem 71 localidades, nas províncias de Nampula, Zambézia e Tete.
Em Julho de 2024 prevê-se que se inicie a segunda fase que irá abranger as províncias de Cabo Delgado, Inhambane, Manica e Niassa. Por último, a terceira fase focar-se-á nas províncias de Gaza, Maputo e Sofala.
O futuro das energias renováveis em Moçambique afigura-se, assim, em grande crescimento.
Actualmente, a capacidade de 75 MW de energia solar representa 3%, com uma estimativa de atingir pelo menos 690 MW até 2030, aproximadamente 11% da matriz energética, entre energia solar e eólica. Estes valores superam as projecções iniciais do Plano Quinquenal do Governo 2020/2024, indicando um crescimento acelerado.
Foi neste sentido que, para assegurar as necessidades energéticas do país, o Governo aprovou o Plano Director de Infra-Estruturas Eléctricas 2018-2043, apontando, como solução de menor custo, a integração de 20% de energias renováveis na matriz energética nacional.

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