Banco de Moçambique. oeconomico.co.mz

Banco de Moçambique: COVID-19 agrava riscos e incertezas

0
1513

O Banco de Moçambique, no quadro da sua Política de Comunicação, tem levado a cabo de forma bimensal uma conferência de imprensa, entretanto, devido às medidas relativas à prevenção da propagação da COVID-19 decidiu remeter por escrito as respostas às questões previamente submetidas pela imprensa, onde sublinha que o novo coronavírus teve um efeito negativo na economia moçambicana, o que implicou na redução da procura externa e dos preços dos produtos exportados, redução da procura doméstica e aumento das despesas do Governo nas áreas de saúde e assistência humanitária, entre outras.

De acordo com o Banco de Moçambique (BM), a propagação da COVID-19, em vários países, agrava os riscos e incertezas associados à actividade económica global. “As últimas projecções do Fundo Monetário Internacional (FMI) apontam para uma recessão para as principais economias mundiais. O impacto desta crise sanitária para a economia moçambicana, de acordo a resposta que o Banco de Moçambique deu aos jornalistas, pode ser resumida no seguinte: redução da procura externa e dos preços dos produtos exportados, o que poderá comprometer a dinâmica de alguns sectores, onde se destacam as indústrias extractiva (carvão, areias pesadas e grafite) e transformadora (alumínio), cuja procura e preços estão sujeitos às flutuações do mercado internacional; redução acentuada da procura doméstica, devido à restrição na movimentação de pessoas e perda de rendimento dos trabalhadores em consequência do encerramento de algumas empresas, o que pode resultar na redução do volume do comércio e no desempenho dos sectores de transporte, hotelaria e restauração; e aumento das despesas do Governo nas áreas de saúde e assistência humanitária, bem como a redução dos investimentos, uma vez que o prolongamento da COVID-19, a médio prazo, poderá resultar no adiamento das decisões de investimento.

Ao impacto da COVID-19 na economia, descreve o banco central, acrescenta-se a instabilidade militar nas zonas norte e centro do país e os efeitos, ainda não dissipados, dos ciclones IDAI e Kenneth, o que poderá resultar num declínio acentuado do PIB, de acordo com as últimas perspectivas do CPMO de Abril.  Este resultado está muito aquém das perspectivas iniciais avançadas na reunião do CPMO de Fevereiro. Entretanto, continua o documento disponibilizado pelo correio electrónico, esta previsão poderá ser revista à medida que o Banco de Moçambique (BM) tiver informações mais actualizadas sobre a evolução da COVID-19.

BM atento a todos os riscos, não só decorrentes da COVID-19

As últimas projecções do BM indicam uma inflação doméstica menor relativamente à projectada em Fevereiro, que decorre do declínio acentuado da procura interna. “No entanto, estas projecções   são sujeitas a riscos e incertezas”. O BM está atento à evolução, não apenas do risco inerente à COVID-19, mas de todos os riscos e incertezas subjacentes às projeções de inflação.

Todavia, indica o BM, a principal preocupação, neste momento, é o efeito da crise sanitária na actividade económica e nos fluxos de caixa das empresas. Assim, o BM já reagiu tomando as seguintes medidas: reduzir a taxa MIMO e as taxas de facilidade de cedência e de depósito em 150 pontos base (na última sessão do CPMO), o que irá contribuir para a redução do custo dos empréstimos correntes e dos que serão futuramente contratados pelos clientes dos bancos comerciais; reduzir os coeficientes das Reservas Obrigatórias em moeda nacional e em moeda estrangeira em 150 pontos base, a 16 de Março de 2020, visando libertar liquidez (em cerca de 7.000 milhões de meticais) para o sistema bancário enfrentar, com maior resiliência, os riscos crescentes decorrentes dos impactos macroeconómicos da COVID-19.

Para limitar a excessiva volatilidade do metical face ao dólar norte-americano (USD), principal moeda transacionada no mercado cambial nacional e relaxar as condições de restruturação do crédito dos clientes bancários, por forma a mitigar os efeitos da COVID-19, o Banco de Moçambique decidiu, a 22 de Março: (i) introduzir linhas de crédito em moeda estrangeira para os participantes do mercado cambial interbancário, no montante de USD 500 milhões, por um período de 9 meses, contados a partir de 23 de Março de 2020, para apoiar eventuais necessidades adicionais de importações, num contexto em que se prevê a redução do fluxo de divisas com a queda das exportações; e (ii) aprovar o princípio de não obrigatoriedade de constituição de provisões adicionais para créditos de cobrança duvidosa pelos bancos comerciais, no caso de renegociação da dívida com os clientes afectados pela pandemia da COVID-19, antes do vencimento do empréstimo, com efeitos a partir de 23 de Março, até 31 de Dezembro de 2020, para apoiar empresas com dificuldades financeiras.

Qualquer medida irá ajudar…

“Qualquer medida tomada que contribua para amortecer o impacto económico da COVID-19 irá ajudar directa ou indirectamente na melhoria da capacidade do sistema de saúde pública lidar com a crise sanitária”, aponta BM, acrescentando que “o Estado continuará a sua intervenção directa no Sector da Saúde, através do Orçamento do Estado (OE) ou de apoios internacionais”. Recentemente, lembra o BM, o Fundo Monetário Internacional decidiu aliviar o serviço da dívida externa de Moçambique, em cerca de USD 15 milhões, que será redireccionado para o combate à COVID-19.

Para finalizar, vem expresso no documento em nossa posse que “para além de monitorar os indicadores económico-financeiros e os factores de risco, bem como o seu impacto sobre as perspectivas de inflação, conforme se pode constatar na comunicação do último CPMO de Abril, o BM está atento à evolução da pandemia e seu alastramento, à escala global, o que se reflecte nas recentes medidas tomadas pelo BM”.

SUBSCREVA O.ECONÓMICO REPORT
Aceito que a minha informação pessoal seja transferida para MailChimp ( mais informação )
Subscreva O.Económico Report e fique a par do essencial e relevante sobre a dinâmica da economia e das empresas em Moçambique
Não gostamos de spam. O seu endereço de correio electrónico não será vendido ou partilhado com mais ninguém.