Produção das empresas sofre queda acentuada devido à pandemia da COVID-19

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Acentuada contracção da actividade acompanha as medidas do Governo

Novos trabalhos diminuem a um ritmo sem precedentes

Números de postos de trabalho diminuem com o agravamento do panorama para a atividade empresarial

Segundo mostram os dados do último inquérito de Índice de Gestores de Compras do Standard Bank (PMI, na sua sigla em inglês), as empresas moçambicanas observaram um declínio acentuado na produção durante o mês de Abril, com a escalada da pandemia provocada pela doença do coronavírus de 2019 (COVID-19) a resultar numa redução drástica de novos negócios. As medidas destinadas a reduzir a propagação do vírus, incluindo as restrições às viagens e a proibição à concentração de pessoas, tiveram um impacto substancial na procura, com a contracção dos números relativos ao emprego e à actividade de aquisição face ao agravamento no panorama para a actividade.

Entretanto, de acordo com o Standard Bank, cortes no emprego, nos salários dos trabalhadores e nos preços de aquisição levaram à primeira queda nos custos dos meios de produção da história do inquérito e, sublinha a instituição, os encargos com as vendas continuaram a subir, mas apenas ligeiramente.

“O principal indicador do PMI caiu para 37,1 em abril, uma descida sem precedentes, indicando uma deterioração acentuada na saúde do sector privado em Moçambique. Isto em comparação com um registo de 49,9 em Março, consistente com condições estáveis para as empresas em termos globais”, refere o documento do Standard Bank na posse do O.Económico.

Refere ainda, no entanto, que três dos subcomponentes do índice principal também caíram para valores recorde em Abril: produção, novas encomendas e stock de aquisições. Estes valores assinalaram uma redução drástica na actividade, tendo as empresas associado essa situação à COVID-19 e às restrições do governo às deslocações. Os negócios foram também atingidos por uma queda acentuada em novos trabalhos, devido a uma menor procura por parte dos clientes durante a pandemia.

“A queda nos novos negócios foi a mais rápida na história da série (desde Abril de 2015) e provocou reduções massivas nas aquisições e nos inventários das firmas moçambicanas. Algumas empresas referiram que o encerramento das fronteiras – em particular, com a África do Sul – dificultou a obtenção de meios de produção, tendo os prazos de entrega, por conseguinte, sofrido atrasos”, lê-se.

Sublinha o documento, o emprego caiu pela primeira vez em dezoito meses, com as empresas a ajustarem os números da mão-de-obra face à pandemia. Dito isto, a redução foi apenas modesta. Entretanto, as encomendas em atraso diminuíram pela primeira vez desde janeiro, em virtude da redução no número de encomendas recebidas.

“As empresas moçambicanas esforçaram-se duramente para reduzir os custos dos meios de produção durante o mês, devido à descida das vendas. Com a queda nas aquisições, os fornecedores reduziram acentuadamente os preços das matérias-primas, tendo os custos com o pessoal registado, também, uma descida devido a salários mais baixos. Os preços de produção subiram pelo terceiro mês consecutivo, embora a um ritmo ligeiro”, acrescenta-se.

As expectativas para a produção no prazo de um ano pioraram em Abril, pelo segundo mês consecutivo. O sentimento foi mais fraco do que a média da série, tendo as empresas relacionado o pessimismo com a pandemia do vírus e o declínio em novos negócios. Dito isto, o panorama global continua a ser positivo.

Entretanto, menciona o documento que continuamos a citar, A produção nas empresas moçambicanas caiu dramaticamente em Abril devido à crise provocada pela COVID-19. “As empresas comentaram que a declaração do Estado de Emergência e as proibições relativas às viagens e às reuniões sociais iniciaram uma grande quebra na actividade, principalmente devido a uma menor procura. O índice corrigido de sazonalidade correspondente caiu mais de 26 pontos, tendo registado, de longe, o seu valor mais baixo desde o início da série, em Abril de 2015”, conclui-se.

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