Após violentas manifestações, Moçambique contabiliza prejuízos preliminares em meio a esforços de recuperação

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  • A rede sul-africana de supermercados Shoprite, com cerca de 30 lojas no país, encerrou temporariamente as suas actividades em Maputo e outras zonas consideradas de alto risco

Após uma onda de manifestações violentas com actos de vandalismo a propriedades privadas e públicas em Maputo e outras regiões do país, Moçambique entra agora numa fase de rescaldo, enquanto as autoridades começam a contar os prejuízos preliminares deixados pelos protestos. A mobilização, convocada pelo candidato presidencial Venâncio Mondlane em contestação aos resultados das eleições de 9 de outubro, gerou confrontos intensos e destruição em várias áreas.

A rede sul-africana de supermercados Shoprite, com cerca de 30 lojas no país, encerrou temporariamente as suas actividades em Maputo e outras zonas consideradas de alto risco, após duas lojas serem saqueadas e vandalizadas na capital. A empresa justificou a medida como uma ação preventiva para proteger a segurança dos funcionários e clientes. “As lojas abrirão assim que for seguro fazê-lo”, afirmou um porta-voz da rede.

Durante os protestos, manifestantes danificaram fachadas e vidraças em pontos como a Avenida Acordos de Lusaka, levando consigo televisores, telemóveis e outros artigos. As autoridades mobilizaram um forte contingente policial, que recorreu a gás lacrimogéneo e realizou detenções para conter os saques. Muitos dos bens roubados foram recuperados, mas o cenário de destruição deixou um rastro de caixas e embalagens vazias.

No Hospital Central de Maputo (HCM), pelo menos três pessoas morreram e 66 ficaram feridas nos confrontos entre manifestantes e forças de segurança, conforme relatado pelo diretor do serviço de urgência, Dino Lopes. Dos feridos, 57 apresentavam lesões de balas, enquanto outros sofreram ferimentos devido a quedas e agressões.

Apesar das tentativas de pacificação, Mondlane declarou que as manifestações continuarão até que “a verdade eleitoral seja restabelecida”. Em meio à incerteza e aos altos custos dos danos causados, as autoridades e a população buscam formas de restaurar a ordem, enquanto aguardam a validação dos resultados eleitorais pelo Conselho Constitucional.