• Investidores aguardam decisão das taxas de juro com expectativa de cortes para 2025

Os preços do ouro mantiveram-se estáveis nesta terça-feira, 17/12, enquanto os mercados aguardam com expectativa a última reunião da Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed) deste ano, marcada para quarta-feira, 20/12. O metal precioso, que funciona como activo-refúgio em tempos de incerteza económica, oscilou em torno de US$ 2.740 por onça, numa sessão marcada por negociações cautelosas e liquidez reduzida.

Expectativas em torno do Fed

O mercado financeiro espera que o Fed anuncie um corte de 0,25 pontos percentuais nas taxas de juro, refletindo uma resposta ao abrandamento da inflação e aos sinais de desaceleração da economia norte-americana. Em Novembro, os dados mais recentes apontaram para uma queda da inflação anual para 2,7%, reforçando a aposta dos investidores num ciclo de cortes mais agressivo para 2025.

Analistas alertam que o discurso do Presidente do Fed, Jerome Powell, será crucial para definir o rumo do ouro. Edward Moya, analista da OANDA, explicou: “Se o Fed adotar um tom dovish e sinalizar cortes adicionais para o início do próximo ano, o ouro poderá beneficiar diretamente, com potencial para superar os US$ 2.800 por onça ainda este mês.”

Desempenho do ouro em 2024

Em 2024, o ouro acumula uma valorização de 30%, posicionando-se para encerrar o ano com o seu melhor desempenho desde 2010. Esta valorização é sustentada por três fatores principais: a expectativa de políticas monetárias mais flexíveis nos Estados Unidos e na Europa, o aumento das tensões geopolíticas globais e a contínua procura por parte dos bancos centrais, especialmente de países emergentes.

Na Índia, o maior mercado consumidor de ouro, as importações registaram um crescimento de 38% em Novembro, impulsionadas pela redução das tarifas alfandegárias e pela procura sazonal durante a temporada de festivais e casamentos. A procura indiana continua a ser um motor importante no equilíbrio global do mercado do ouro.

Impacto do dólar e outros metais

O desempenho do ouro também foi influenciado pela leve desvalorização do dólar norte-americano. Nesta sessão, o índice Bloomberg Dollar Spot caiu 0,2%, tornando o ouro mais barato e atrativo para investidores que utilizam outras moedas.

No mercado de metais preciosos, os movimentos foram variados:

  • A prata avançou ligeiramente para US$ 32,90 por onça, refletindo a procura industrial estável;
  • A platina registou uma queda de 0,5%, negociada a US$ 1.165 por onça;
  • O paládio permaneceu estável em US$ 1.230 por onça.

Perspectivas para 2025

Com o ano de 2025 no horizonte, analistas consideram que o ouro deverá continuar em destaque, especialmente num cenário de políticas monetárias mais acomodatícias e risco geopolítico elevado. O estrategista de commodities do Saxo Bank, Ole Hansen, destacou: “O ouro está bem posicionado para sustentar novos ganhos no próximo ano, com suporte sólido acima dos US$ 2.700 e resistência técnica próxima dos US$ 2.850 por onça.”

Além disso, a continuação da compra de ouro por bancos centrais será um fator determinante, à medida que países emergentes, como a China e a Rússia, buscam diversificar as suas reservas internacionais.

Em suma, o ouro mantém-se estável, enquanto os investidores adotam uma postura cautelosa antes da última decisão de política monetária do Fed em 2024. A confirmação de um corte nas taxas de juro poderá servir como um catalisador importante para novas máximas, com o metal precioso a consolidar-se como um dos ativos mais seguros e rentáveis num ambiente económico ainda marcado por incertezas.

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