
Inflação mantém-se controlada no primeiro trimestre: a homóloga foi 4,77% em Março – alimentos e serviços continuam a liderar aumentos de preços
- O País registou, em Março de 2025, uma inflação mensal de 0,06%. A inflação acumulada situou-se em 2,03%
- Tete destaca-se com a maior variação regional; Maputo regista queda de preços. Produtos alimentares e vestuário pressionam o índice mensal
O Índice de Preços no Consumidor (IPC) de Moçambique, referente ao mês de Março de 2025, aponta para uma inflação homóloga de 4,77%, com uma variação mensal moderada de 0,06% e uma inflação acumulada de 2,03% no primeiro trimestre. Os dados do INE revelam estabilidade relativa no ritmo de crescimento dos preços, mas destacam pressões específicas nos sectores da alimentação, vestuário e serviços de restauração.
Pressão inflacionária moderada, mas persistente
De acordo com a Nota de Imprensa divulgada a 10 de Abril de 2025 pelo Instituto Nacional de Estatística, o país registou uma inflação mensal de 0,06% em Março, resultante de contribuições positivas e negativas entre diferentes grupos de bens e serviços. A variação acumulada no primeiro trimestre foi de 2,03%, enquanto a inflação homóloga — isto é, comparando com Março de 2024 — fixou-se em 4,77%.
Alimentação e restauração continuam a pressionar o índice
Os sectores de Alimentação e bebidas não alcoólicas e Restaurantes, hotéis, cafés e similares foram os que mais contribuíram para a variação acumulada e homóloga dos preços. Só a alimentação respondeu por 12,08% de variação homóloga e 1,50 pontos percentuais (pp) na variação acumulada.
Produtos como tomate (7,2%), couve (7,1%), feijão manteiga, arroz em grão, farinha de milho e refeições completas em restaurantes figuram entre os principais responsáveis pelo aumento dos preços no acumulado do trimestre.
No grupo dos bens não alimentares, também se registou um aumento significativo nos preços de vestuário e calçado, com contributo de 0,05 pp para a inflação mensal, e de serviços como consultas em clínicas (7,9%), sumos de fruta (1,7%), manteiga (1,8%) e massas esparguetes (2,1%).
Descidas de preços compensam variações mensais
Apesar das pressões pontuais sobre determinados bens, o índice geral foi suavizado por reduções nos preços de produtos essenciais e combustíveis. Entre os destaques, incluem-se:
- Carapau (-5,6%)
- Gasóleo (-3,4%)
- Coco (-7,9%)
- Óleo alimentar (-1,1%)
- Milho em grão (-3,4%)
- Gasolina (-0,4%)
- Saco de cimento (-0,7%)
Estes produtos contribuíram, em conjunto, com cerca de 0,28 pp negativos, contrariando a tendência de aumento.
Tete lidera aumento regional; Maputo regista queda
A análise regional dos centros de recolha de preços revela contrastes importantes:
- Tete foi a cidade com o maior aumento de preços em Março (0,57%) e também lidera na variação homóloga com 7,24% e na variação acumulada com 4,09%.
- Maputo, por outro lado, registou uma queda de preços de -0,15% em Março, embora mantenha uma variação homóloga de 4,30%.
- Cidades como Beira (0,42%), Chimoio (0,08%) e Nampula (0,05%) também registaram aumentos mensais, enquanto Xai-Xai (-0,14%), Inhambane (-0,13%) e Quelimane (-0,03%) acompanharam Maputo nas descidas.
No geral, todas as cidades registaram aumento do nível geral de preços no comparativo homólogo.
Estabilidade geral e desafios à vista
Apesar dos sinais de contenção inflacionária, os dados revelam desafios persistentes no controlo de preços, especialmente no sector alimentar e em serviços com maior procura. A estabilidade aparente do índice global — com a inflação mensal próxima de zero — contrasta com variações significativas entre centros urbanos e categorias de consumo.
O comportamento dos preços nos próximos meses dependerá da evolução climática, da estabilidade cambial, e da política fiscal e monetária, incluindo eventuais alterações na tributação de produtos básicos.
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