
Riscos fiscais e estabilidade dos preços: Dívida interna atinge pico de 447 mil milhões de meticais e inflação resiste a pressões externas e políticas
- Banco Central mantém foco na estabilidade de preços, apesar da deterioração das contas públicas e das incertezas económicas
Destaques:
- Stock da dívida interna aumentou 7,6% entre Dezembro de 2024 e Março de 2025.
- Inflação anual situou-se em 4,74% em Fevereiro, face a 4,69% em Janeiro.
- Inflação subjacente manteve-se estável em 5,14%.
- Expectativas dos agentes económicos para Dezembro de 2025 sobem para 4,71%.
- Redução de preços dos combustíveis e entrada da época fresca ajudam a travar subida de preços.
A dívida pública interna de Moçambique atingiu os 447,2 mil milhões de meticais em Março de 2025, representando um aumento expressivo de 31,7 mil milhões em apenas três meses. Em contrapartida, a inflação permanece sob controlo, com uma taxa anual de 4,74% em Fevereiro, reforçada pela estabilidade cambial e pelo abrandamento dos preços administrados.
A trajectória da dívida pública interna continua a ser motivo de preocupação para o Banco de Moçambique e os demais agentes económicos. De acordo com o Boletim de Conjuntura Económica e Perspectivas de Inflação, entre Dezembro de 2024 e Março de 2025, o stock da dívida interna aumentou de 415,5 mil milhões para 447,2 mil milhões de meticais, um acréscimo de 31,7 mil milhões de meticais. Este valor exclui contratos de mútuo, locações e responsabilidades em mora, revelando uma crescente dependência do Estado face ao financiamento interno.
Este agravamento da dívida elevou o seu peso para 28,7% do PIB, num contexto de crescentes dificuldades na mobilização de receitas para o Orçamento do Estado. O comportamento da dívida pública reflete, assim, não apenas pressões orçamentais estruturais, como também as limitações impostas pelo ambiente económico adverso e pela lentidão na retoma do investimento.
Do lado da inflação, os dados mais recentes apontam para uma ligeira aceleração da taxa anual, que passou de 4,69% em Janeiro para 4,74% em Fevereiro de 2025. Este aumento foi impulsionado sobretudo pelos preços das refeições e bebidas servidas em restaurantes, cafés e similares, que registaram uma procura estável, mesmo em ambiente económico difícil.
Ainda assim, a inflação subjacente, que exclui os produtos alimentares voláteis e os bens com preços administrados, manteve-se praticamente inalterada, situando-se em 5,14% em Fevereiro, contra 5,11% em Janeiro, sinal de que o núcleo duro da inflação permanece controlado.
O Boletim de Conjuntura Económica e Perspectivas de Inflação – Março 2025, adianta que as expectativas dos agentes económicos inquiridos em Março de 2025 apontam para uma inflação anual de 4,71% até Dezembro, o que representa uma revisão ligeiramente em alta face às previsões de Fevereiro (4,55%). Este ajustamento deve-se, em parte, ao reconhecimento de riscos persistentes como a instabilidade fiscal e a volatilidade climática.
O Banco de Moçambique destaca, no entanto, factores positivos no horizonte de curto prazo: espera-se uma redução da inflação mensal, sustentada pela melhoria no fornecimento de frutas e vegetais (com a entrada da época fresca), bem como pela descida dos preços dos combustíveis a nível nacional.
Estes sinais de alívio são reforçados pela estabilidade do metical, que se manteve em torno dos 63,90 MZN/USD durante o primeiro trimestre de 2025. Esta estabilidade cambial tem sido um dos pilares centrais na contenção de pressões inflacionistas importadas.
Fonte: Boletim de Conjuntura Económica e Perspectivas de Inflação – Março 2025, Banco de Moçambique.
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