Petróleo Cai Mais De 5% Após Trump Suspender Novo Ataque Ao Irão

0
45
  • Brent recuou para 83,44 dólares por barril e WTI para 79,77 dólares, numa sessão marcada pela expectativa de negociações entre Washington e Teerão, pela possível reabertura do Estreito de Ormuz e pelo aumento da produção anunciado pela OPEP+ para Setembro.

Questões-Chave

  • Donald Trump suspendeu um novo ataque contra o Irão para permitir negociações destinadas a alcançar rapidamente um acordo nuclear e reabrir o Estreito de Ormuz.
  • O Brent caiu 5,11%, para 83,44 dólares por barril, enquanto o WTI perdeu 5,79%, para 79,77 dólares.
  • Os dois principais referenciais tinham avançado mais de 20% em Julho, impulsionados pela retoma das hostilidades entre os Estados Unidos e o Irão.
  • A OPEP+ aprovou um aumento de cerca de 188 mil barris por dia na produção a partir de Setembro.
  • O risco de novos ataques contra navios continua a limitar a circulação marítima e poderá provocar nova volatilidade nos preços.

Expectativa De Acordo Retira Prémio Geopolítico Aos Preços

Os preços do petróleo caíram mais de quatro dólares por barril nesta segunda-feira, 3 de Agosto, depois de o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter suspendido um novo ataque contra o Irão, abrindo espaço para negociações destinadas a alcançar rapidamente um acordo sobre o programa nuclear de Teerão.

De acordo com a Reuters, os futuros do Brent recuaram 4,49 dólares, ou 5,11%, para 83,44 dólares por barril, enquanto o West Texas Intermediate, referência norte-americana, caiu 4,90 dólares, equivalentes a 5,79%, para 79,77 dólares.

A correcção reflecte uma redução parcial do prémio de risco geopolítico incorporado nos preços ao longo de Julho. Os dois principais referenciais internacionais tinham avançado mais de 20% durante o mês, depois da retoma das hostilidades entre os Estados Unidos e o Irão e de ataques contra vários navios nas proximidades de Omã.

Segundo a Reuters, os incidentes aumentaram as preocupações com a segurança marítima e levaram vários operadores a evitar a entrada no Golfo para carregar petróleo.

Nos mercados de matérias-primas, o prémio geopolítico corresponde à parcela adicional do preço que os investidores estão dispostos a pagar para se protegerem contra possíveis interrupções da oferta. Quando a probabilidade de um ataque militar diminui, esse prémio pode reduzir-se rapidamente, mesmo antes de ocorrer uma alteração efectiva nos volumes disponíveis.

Reabertura De Ormuz Está No Centro Das Negociações

Trump anunciou, através da plataforma Truth Social, que o Irão e outros países do Médio Oriente solicitaram mais tempo para concluir um entendimento que permita a reabertura imediata e completa do Estreito de Ormuz e ponha termo à ameaça associada ao programa nuclear iraniano.

A Reuters refere que a suspensão do ataque foi interpretada pelos mercados como um sinal de desanuviamento, embora ainda não represente um acordo formal entre Washington e Teerão.

O Estreito de Ormuz permanece no centro das atenções porque constitui uma das principais rotas de transporte de petróleo e gás do mundo. Qualquer bloqueio, redução significativa do tráfego ou ataque contra embarcações pode afectar o fornecimento internacional e elevar os custos de transporte, seguro e energia.

Tony Sycamore, analista de mercados da IG, citado pela Reuters, advertiu que a principal questão é saber se o optimismo em torno de um acordo será novamente substituído pelo agravamento das tensões.

O analista considera que o cenário poderá mudar rapidamente caso o Irão endureça a sua posição, continue a utilizar o controlo do Estreito de Ormuz como instrumento negocial ou ocorra um novo ataque contra uma base norte-americana ou um navio em trânsito.

Tráfego Marítimo Permanece Condicionado

Apesar da suspensão do ataque norte-americano, a circulação marítima permanece longe da normalidade.

Segundo dados de navegação consultados pela Reuters, duas embarcações carregadas com petróleo saudita atravessaram o Estreito de Bab el-Mandeb e saíram do Mar Vermelho durante o fim-de-semana. Em sentido contrário, o tráfego no Estreito de Ormuz abrandou depois de novos relatos de ataques contra navios.

A United Kingdom Maritime Trade Operations, entidade britânica responsável pelo acompanhamento de incidentes marítimos, reportou mais três ataques contra navios petroleiros desde sábado, de acordo com a Reuters.

A persistência de incidentes simultâneos em Ormuz e Bab el-Mandeb amplia o risco para o comércio internacional de energia. Ormuz liga os grandes produtores do Golfo aos mercados mundiais, enquanto Bab el-Mandeb constitui uma das principais portas de acesso ao Mar Vermelho e ao Canal de Suez.

Mesmo quando a produção petrolífera não é directamente afectada, a insegurança marítima pode aumentar os prémios de seguro, os custos de frete, o tempo das viagens e a necessidade de utilização de rotas alternativas mais longas.

Por essa razão, uma queda das cotações internacionais do petróleo não implica necessariamente uma redução imediata e proporcional do preço dos combustíveis nos mercados consumidores.

OPEP+ Aumenta Produção Em Cerca De 188 Mil Barris Por Dia

A descida dos preços foi igualmente influenciada pela decisão da OPEP+ de aumentar as quotas de produção em cerca de 188 mil barris por dia a partir de Setembro.

Segundo a Reuters, a decisão completa a reversão de uma das camadas de cortes voluntários anteriormente adoptados pelos países produtores para limitar a oferta e sustentar os preços internacionais.

Em condições normais, um aumento da produção da OPEP+ tende a exercer pressão descendente sobre os preços, ao ampliar a quantidade de petróleo potencialmente disponível no mercado.

O impacto efectivo da decisão poderá, contudo, ser inferior ao sugerido pelas quotas anunciadas. A Reuters observa que sucessivos aumentos mensais aprovados pela OPEP+ ao longo deste ano permaneceram, em larga medida, apenas no papel, devido às perturbações nas exportações do Golfo, da Rússia e do Cazaquistão, associadas aos conflitos envolvendo o Irão e a Ucrânia.

A distinção entre quotas formais e oferta física é, assim, determinante. O mercado reage não apenas aos volumes que os produtores estão autorizados a extrair, mas sobretudo à quantidade de petróleo que chega aos terminais, atravessa os corredores marítimos e é efectivamente entregue às refinarias.

Volatilidade Mantém Empresas E Importadores Em Alerta

Para as economias dependentes da importação de combustíveis, uma redução sustentada dos preços internacionais pode contribuir para diminuir a factura externa, aliviar os custos de transporte e limitar algumas pressões inflacionárias.

Em Moçambique, o eventual benefício dependerá da duração da queda e da sua transmissão ao custo dos produtos importados. Entre a cotação internacional do petróleo bruto e o preço pago pelo consumidor existem outras componentes, incluindo os preços dos produtos refinados, a taxa de câmbio, os fretes marítimos, os seguros, a logística, a fiscalidade e o mecanismo interno de formação de preços.

A queda registada nesta segunda-feira deve, por isso, ser interpretada com prudência. O mercado permanece exposto tanto ao resultado das negociações entre os Estados Unidos e o Irão como à segurança da navegação nos principais corredores energéticos.

Caso as negociações fracassem ou ocorram novos ataques contra navios, bases militares ou infra-estruturas petrolíferas, o prémio de risco poderá regressar rapidamente aos preços.

Diplomacia Passa A Determinar A Direcção Do Mercado

A correcção superior a 5% demonstra a elevada sensibilidade do petróleo às decisões políticas e militares.

Em Julho, a expectativa de interrupções no fornecimento fez subir os preços mais de 20%. No início de Agosto, a suspensão de um novo ataque contra o Irão foi suficiente para retirar mais de quatro dólares ao preço do barril numa única sessão.

O mercado passa agora a avaliar a capacidade dos Estados Unidos e do Irão de transformarem a pausa militar num acordo credível sobre o programa nuclear, a segurança marítima e a reabertura integral do Estreito de Ormuz.

A evolução do tráfego marítimo, a ocorrência de novos ataques e a concretização do aumento de produção anunciado pela OPEP+ determinarão se a actual descida dos preços se consolida ou se o risco geopolítico volta a dominar o mercado petrolífero.