
Comércio Turquia–África Aponta a 50 Mil Milhões de Dólares Até 2028
O 5.º Fórum Económico e Empresarial Turquia–África encerrou em Istambul com compromissos de investimento e cooperação estratégica que visam duplicar o comércio bilateral, consolidar parcerias de longo prazo e impulsionar a industrialização do continente.
- Trocas comerciais entre a Turquia e África deverão atingir 50 mil milhões de dólares até 2028;
- Mais de 3.000 empresários africanos e turcos participaram no Fórum TABEF 2025;
- A Turquia já possui 44 embaixadas em África e mais de 1.500 empresas a operar no continente;
- Moçambique defendeu um modelo de industrialização sustentável assente em energia, mineração e transformação local.
A Turquia e o continente africano definiram um novo patamar de ambição económica. No encerramento do 5.º Fórum Económico e Empresarial Turquia–África (TABEF 2025), realizado em Istambul, o Presidente Recep Tayyip Erdoğan anunciou a meta de 50 mil milhões de dólares em trocas comerciais até 2028, num movimento que reforça o papel de Ancara como parceiro estratégico de África.
Turquia Assume Papel de Parceiro Económico de Longo Prazo
O evento, que reuniu mais de 3.000 empresários, líderes institucionais e representantes de governos africanos, consolidou a mensagem de que a Turquia pretende ser um parceiro “compreensivo, tecnológico e duradouro”.
“As portas da Turquia estão abertas a todos os investidores e empreendedores africanos. Queremos ser parceiros de confiança num futuro partilhado de crescimento”, afirmou Erdoğan, sublinhando que o país “não procura lucros imediatos”, mas sim parcerias que criem valor sustentável.
Com uma economia em rápido crescimento e uma localização estratégica no cruzamento de três continentes, a Turquia tem vindo a expandir a sua influência económica em África desde 2005. O número de embaixadas turcas no continente passou de 12 para 44, com planos para alcançar 50 nos próximos anos.
Investimento Turco Multiplica-Se e Redefine o Panorama Africano
Nos últimos 20 anos, o comércio bilateral aumentou quase oito vezes, de 4,5 mil milhões de dólares em 2002 para 40,7 mil milhões em 2025. A Comissária da União Africana para o Desenvolvimento Económico, Francisca Tatchouop Belob, sublinhou que “a Turquia é hoje um parceiro transformador, comprometido com o futuro africano”.
A Turquia investiu 8,5 mil milhões de dólares no continente apenas em 2024, e mais de 1.500 empresas turcas operam actualmente em 40 países africanos, com destaque para os sectores de construção, energia, logística, mineração e aviação.
“A Turquia já executou mais de 2.000 projectos de construção avaliados em 100 mil milhões de dólares, reforçando a infraestrutura africana e a sua competitividade global”, referiu o ministro turco do Comércio, Omer Bolat.
Cooperação Económica Alinhada com a Agenda 2063 da União Africana
A parceria entre a Turquia e África é apresentada como um pilar da Agenda 2063 da União Africana, que visa uma África industrializada, integrada e próspera. O comércio bilateral é visto como um instrumento de integração regional e aceleração do comércio intra-africano, apoiado pela Zona de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA).
“Com a AfCFTA, África deixa de ser apenas um fornecedor de matérias-primas. É um mercado de 1,4 mil milhões de pessoas e mais de três triliões de dólares de PIB, pronto para se afirmar no comércio global”, disse Tatchouop Belob.
Moçambique Defende Industrialização Sustentável e Inclusiva
Moçambique marcou presença activa no fórum, representado pelo Secretário de Estado da Indústria e Comércio, António Grispos, que destacou o papel estratégico dos sectores energético e mineiro na transformação estrutural do continente.
“A verdadeira riqueza africana não está apenas nos seus recursos, mas na capacidade de os transformar em desenvolvimento real e partilhado”, afirmou Grispos, num painel sobre Energia e Mineração para um Crescimento Sustentável de África.
O dirigente moçambicano alertou que o continente continua preso a um modelo de exportação de matéria-prima bruta e importação de produtos manufacturados, um ciclo que precisa ser quebrado através de investimento tecnológico, inovação e criação de cadeias de valor regionais.
Grispos sublinhou ainda que 600 milhões de africanos vivem sem acesso à electricidade, defendendo um modelo de transição energética equilibrado, combinando o uso do gás natural como energia de transição e o avanço das renováveis.
“Em Moçambique, estamos a conectar comunidades rurais às redes modernas de energia. Queremos um sistema inclusivo e capaz de impulsionar a industrialização local”, afirmou.
Recursos Minerais e Parcerias Justas Como Pilar do Futuro Africano
O representante moçambicano alertou que o sector mineiro continua a ser simultaneamente uma oportunidade e um risco, lembrando que África detém 30 % das reservas globais de minerais críticos para a transição energética — como lítio, grafite e cobalto — mas carece de capacidade de transformação local.
“O futuro está na inovação e na criação de empregos em solo africano. Queremos investidores que fiquem, que construam connosco, que criem centros de pesquisa e indústrias, e não apenas extraiam recursos”, declarou Grispos.
O apelo foi recebido com aplausos no fórum e alinhou-se com a visão de uma África que negocia de igual para igual com os seus parceiros internacionais.
A Nova Geoeconomia Afro-Turca em Construção
O 5.º TABEF encerrou com uma mensagem clara: a relação entre a Turquia e África ultrapassou a dimensão comercial para se tornar geoeconómica e estratégica. As promessas de investimento, os acordos de cooperação e a retórica de “crescimento partilhado” sinalizam uma nova fase de aproximação entre Ancara e o continente.
“O nosso objectivo é transformar laços económicos em prosperidade real para ambos os lados”, sintetizou Erdoğan, encerrando o fórum com apelos à solidariedade económica, à confiança política e à sustentabilidade empresarial.
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