
Chapo Defende Nova Etapa Da Parceria Com A União Europeia E Afirma Que Moçambique Pode Tornar-Se Uma Potência Produtiva Africana
- Presidente da República destaca reformas económicas, industrialização, integração regional e criação de valor local como pilares para transformar Moçambique num dos principais polos produtivos e logísticos do continente.
- Daniel Chapo reafirmou que Moçambique continua aberto ao investimento nacional e estrangeiro;
- Governo destaca estabilidade macroeconómica, reformas fiscais e modernização administrativa como prioridades;
- Combate à corrupção, criminalidade económica e branqueamento de capitais permanece no centro da agenda governativa;
- Investimento Directo Estrangeiro terá crescido 60% no último ano;
- Presidente defende uma nova fase da parceria com a União Europeia baseada na industrialização e criação conjunta de valor;
- Moçambique pretende afirmar-se como uma potência produtiva africana, apoiada nos seus recursos, corredores logísticos e capital humano.
O Presidente da República, Daniel Chapo, reafirmou esta semana que Moçambique está empenhado em consolidar um ambiente de negócios cada vez mais favorável ao investimento privado, sustentado por reformas económicas, estabilidade macroeconómica, modernização institucional e reforço da segurança jurídica para os investidores.
Intervindo na abertura do II Fórum de Negócios Moçambique–União Europeia (Global Gateway), realizado em Maputo, o Chefe do Estado destacou que o Governo tem vindo a implementar um conjunto de reformas estruturais destinadas a reduzir custos de contexto, aumentar a previsibilidade regulatória e fortalecer a confiança dos agentes económicos.
“Queremos um país em paz, com segurança e com um ambiente de negócios atractivo para investidores nacionais e estrangeiros”, declarou Daniel Chapo perante representantes empresariais, parceiros de cooperação, instituições financeiras e investidores internacionais presentes no fórum.
Reformas Para Reforçar A Competitividade
Segundo o Presidente da República, desde 2025 o Executivo tem vindo a desenvolver reformas assentes em três pilares fundamentais: estabilidade macroeconómica, consolidação das finanças públicas e reforma fiscal e aduaneira.
Entre as medidas implementadas destacam-se a modernização do sistema tributário, a simplificação de procedimentos administrativos, a digitalização de processos fiscais, a revisão da pauta aduaneira, do IVA e do IRPC, bem como a actualização do quadro legal para responder às exigências de uma economia cada vez mais integrada e digitalizada.
O objectivo, segundo Chapo, é garantir maior transparência, previsibilidade e segurança aos investidores, ao mesmo tempo que se reforça a capacidade do Estado para mobilizar recursos internos e assegurar sustentabilidade fiscal.
A estratégia inclui igualmente a implementação da Estratégia de Mobilização de Receitas 2025-2027 e da Estratégia de Gestão da Dívida Pública 2025-2029, instrumentos orientados para o fortalecimento das finanças públicas e mitigação dos riscos financeiros.
Combate À Corrupção E Segurança Económica
Outro eixo destacado pelo Chefe do Estado foi o reforço das acções de combate à corrupção, aos raptos, ao branqueamento de capitais e à criminalidade económica.
Segundo Daniel Chapo, a realização da Conferência Nacional de Combate à Corrupção e a assinatura da Declaração de Maputo constituem demonstrações concretas do compromisso do Governo com a promoção da integridade e da transparência.
O Presidente apontou ainda a retirada de Moçambique da lista cinzenta do Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI) como um dos sinais mais relevantes para os mercados internacionais, por reforçar a credibilidade do sistema financeiro nacional e melhorar a percepção de risco do País.
Além disso, destacou a aprovação de grandes projectos de investimento, incluindo aquele que classificou como o maior investimento actualmente previsto em África, como indicadores da confiança crescente dos investidores nas perspectivas económicas de Moçambique.
Moçambique Quer Evoluir De Exportador De Recursos Para Plataforma De Produção E Transformação
Um dos aspectos mais relevantes da intervenção presidencial foi a visão estratégica apresentada para o posicionamento futuro da economia moçambicana.
Segundo Daniel Chapo, Moçambique reúne condições para se afirmar como uma potência produtiva africana, sustentada pela combinação de recursos naturais abundantes, localização geográfica privilegiada, população maioritariamente jovem e acesso aos principais corredores logísticos da África Austral.
Para o Chefe do Estado, a industrialização e a integração económica regional constituem prioridades centrais da actual agenda de desenvolvimento. Neste contexto, os corredores de Maputo, Beira e Nacala assumem um papel estratégico por funcionarem como plataformas de ligação entre os mercados do interior da África Austral e os circuitos internacionais de comércio.
“Os nossos corredores são verdadeiras artérias económicas que ligam o interior do continente ao mundo. Investir em Moçambique é também investir na conectividade regional da SADC e na competitividade da África Austral”, afirmou.
A visão apresentada representa uma evolução importante da estratégia económica nacional. Em vez de depender predominantemente da exportação de matérias-primas, Moçambique pretende posicionar-se como um centro regional de produção, transformação industrial, logística, energia e serviços, capaz de gerar mais valor acrescentado internamente.
Parceria Com A União Europeia Deve Evoluir
Na sua intervenção, Daniel Chapo reconheceu a importância histórica da União Europeia como um dos principais parceiros económicos e de desenvolvimento de Moçambique, mas defendeu que a cooperação entre as partes deve entrar numa nova fase.
“Hoje queremos elevar esta relação para um novo patamar”, afirmou, defendendo uma parceria que vá além da simples extracção de recursos naturais e que promova a criação conjunta de valor, industrialização, transferência de tecnologia e geração de emprego.
A posição surge numa altura em que o País reforça a sua aposta no processamento local de recursos minerais, procurando aumentar o valor acrescentado gerado internamente e estimular o desenvolvimento industrial.
Segundo o Presidente, a iniciativa Global Gateway surge como uma plataforma particularmente relevante para apoiar objectivos comuns ligados à transição energética, industrialização sustentável, conectividade regional, transformação digital, desenvolvimento do capital humano e crescimento económico colectivo.
Investimento Deve Gerar Emprego E Transformação
Daniel Chapo insistiu que a estratégia nacional de atracção de investimento não se limita à mobilização de capital.
O objectivo central passa por transformar investimento em industrialização, criação de emprego, transferência de conhecimento e desenvolvimento económico sustentável, com especial enfoque na juventude moçambicana.
O Presidente recordou que centenas de milhares de jovens entram anualmente no mercado de trabalho e que o verdadeiro desafio consiste em criar oportunidades que permitam transformar este potencial humano num motor de crescimento económico.
“A juventude é um activo”, afirmou, acrescentando que o País precisa de mais investimento, tecnologia, formação e oportunidades para acelerar a produção, a transformação industrial e as exportações de produtos com maior valor acrescentado.
Segundo dados apresentados durante o fórum, o Investimento Directo Estrangeiro em Moçambique terá crescido cerca de 60% no último ano. Contudo, Daniel Chapo alertou que o verdadeiro sucesso das parcerias económicas não deve ser medido apenas pelos montantes anunciados ou aprovados, mas pela rapidez com que estes investimentos se transformam em fábricas, infra-estruturas, empregos, rendimento e melhoria das condições de vida da população.
Mais do que captar investimento, a ambição declarada pelo Governo é construir uma economia moderna, competitiva e integrada nas cadeias globais de valor, capaz de produzir mais, transformar mais e exportar mais. Uma economia que transforme o potencial de Moçambique em prosperidade concreta para os seus cidadãos.
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