Petróleo Sobe Com Quebras Na Oferta Venezuelana A Superarem Receios De Excedente

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Os preços do petróleo registaram ganhos esta segunda-feira, impulsionados por perturbações na oferta associadas ao agravamento das tensões entre os Estados Unidos e a Venezuela, apesar das persistentes preocupações com um excedente global de crude nos próximos anos.

Questões-Chave:
  • Brent e WTI recuperam após quedas superiores a 4% na semana passada;
  • Exportações de petróleo da Venezuela caem acentuadamente após apreensão de um navio pelos EUA;
  • Expectativas de excedente global continuam a pesar sobre as perspectivas de médio prazo;
  • Possível acordo de paz entre Rússia e Ucrânia poderá aumentar a oferta russa;
  • Geopolítica sustenta preços no curto prazo, mas não elimina riscos de queda.

Preços Recuperam Após Semana Negativa

Os preços do petróleo registaram ganhos moderados esta segunda-feira, 15 de Dezembro de 2025, recuperando parcialmente das perdas da semana anterior. Os contratos futuros do Brent subiram 30 cêntimos, ou 0,49%, para 61,42 dólares por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) avançou 28 cêntimos, ou 0,49%, para 57,72 dólares por barril, segundo dados de mercado recolhidos às 07h25 GMT.

Na semana passada, ambos os contratos tinham registado quedas superiores a 4%, pressionados por expectativas de um excedente de oferta em 2026.

Tensões EUA-Venezuela Afectam Exportações

O principal factor de suporte aos preços resulta das quebras acentuadas nas exportações de petróleo da Venezuela, na sequência da apreensão, pelos Estados Unidos, de um navio-petroleiro e da imposição de novas sanções a empresas de transporte marítimo envolvidas no comércio com o país sul-americano.

Dados de navegação, documentos e fontes do sector indicam que as exportações venezuelanas recuaram significativamente desde a apreensão do navio na semana passada. A agência Reuters noticiou ainda que Washington pondera interceptar mais navios transportando crude venezuelano, intensificando a pressão sobre o Presidente Nicolás Maduro.

Excedente Global Continua A Pesar No Médio Prazo

Apesar do suporte de curto prazo, o mercado mantém-se condicionado por expectativas de excedente estrutural de petróleo. Segundo a JPMorgan Commodities Research, os excedentes globais deverão aumentar em 2025, prolongando-se até 2026 e 2027, à medida que a oferta mundial cresce a um ritmo três vezes superior ao da procura.

“Os mercados continuam sem uma direcção clara. As preocupações com excesso de oferta permanecem fortes e, a menos que os riscos geopolíticos se agravem de forma significativa, o WTI poderá cair abaixo dos 55 dólares no início do próximo ano”, afirmou Tsuyoshi Ueno, economista-chefe do NLI Research Institute.

Guerra Na Ucrânia E Impacto Potencial Na Oferta Russa

O mercado acompanha igualmente os desenvolvimentos diplomáticos em torno da guerra na Ucrânia. O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, admitiu abdicar da aspiração de adesão à NATO, durante conversações com enviados norte-americanos em Berlim, sinalizando uma possível abertura para negociações de paz.

Um eventual acordo poderá conduzir, a médio prazo, a um aumento da oferta russa, actualmente limitada por sanções ocidentais. Entretanto, a Ucrânia anunciou ataques a uma importante refinaria russa em Yaroslavl, que terá suspendido a produção, segundo fontes do sector.

Produção E Investimento Nos EUA Sob Ajuste

Nos Estados Unidos, dados da Baker Hughes indicam que as empresas de energia reduziram, pela segunda vez em três semanas, o número de plataformas activas de petróleo e gás, sinalizando ajustamentos prudentes face ao actual nível de preços.

Ainda assim, a produção norte-americana mantém-se elevada, continuando a contribuir para o cenário de oferta abundante no mercado global.

Entre Suporte Geopolítico E Pressão Estrutural

À entrada da semana, o mercado petrolífero encontra-se dividido entre factores de suporte de curto prazo, ligados à geopolítica e a disrupções pontuais na oferta, e pressões estruturais associadas ao crescimento da produção global.

Num contexto de incerteza prolongada, os preços do petróleo mantêm-se sensíveis a qualquer escalada geopolítica, mas continuam limitados pelas expectativas de excedente nos próximos anos.

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