Dólar Mantém-Se Perto Do Mínimo De Seis Semanas À Espera Dos Dados Do Emprego

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  • Moeda norte-americana negoceia sem direcção definida, enquanto os mercados avaliam o possível acordo sobre o Estreito de Hormuz e procuram sinais sobre a próxima decisão da Reserva Federal; o Yen perde parte dos ganhos obtidos após a intervenção cambial
Questões-Chave:
  • O índice do dólar permaneceu em 99,65 pontos, próximo do nível mais baixo das últimas seis semanas;
  • Os mercados aguardam o relatório do emprego dos Estados Unidos, decisivo para as expectativas sobre as taxas de juro;
  • Economistas consultados pela Reuters esperam a criação de 80 mil empregos em Julho e uma taxa de desemprego estável em 4,2%;
  • O Brent recuou para 79,08 dólares por barril, perante a possibilidade de um acordo relacionado com o Estreito de Hormuz;
  • Para Moçambique, a evolução do dólar poderá influenciar os custos das importações, o serviço da dívida externa e os preços internos;
  • O Yen permaneceu em 157,71 por dólar, cedendo parte dos ganhos alcançados após a intervenção das autoridades.

O dólar manteve-se próximo do nível mais baixo das últimas seis semanas, numa sessão marcada por reduzidas variações e pela prudência dos investidores perante as negociações relacionadas com o Estreito de Hormuz e a divulgação iminente dos dados do emprego nos Estados Unidos.

O índice que mede o desempenho da moeda norte-americana face a seis das principais divisas internacionais permaneceu praticamente inalterado em 99,65 pontos, sem conseguir estabelecer uma direcção clara.

O euro negociava em 1,1557 dólares, enquanto a libra esterlina permanecia em 1,3469 dólares. Os dólares australiano e neozelandês também registavam movimentos limitados, reflectindo a atitude de espera adoptada pelos mercados.

A atenção está concentrada no relatório oficial do emprego norte-americano, que poderá alterar as expectativas sobre a trajectória das taxas de juro da Reserva Federal e determinar o próximo movimento do dólar.

Emprego Norte-Americano Pode Definir A Trajectória Do Dólar

Os economistas consultados pela Reuters esperam que a economia dos Estados Unidos tenha criado 80 mil postos de trabalho em Julho, depois dos 57 mil registados em Junho. A taxa de desemprego deverá permanecer em 4,2%.

O resultado será interpretado em conjunto com a evolução dos salários, a taxa de participação da população no mercado de trabalho e as revisões aos números dos meses anteriores.

Uma criação de emprego inferior às previsões poderá indicar uma desaceleração mais acentuada da economia norte-americana, reduzindo a probabilidade de novos aumentos das taxas de juro. Nesse cenário, os rendimentos das obrigações poderão recuar e o dólar perder valor.

Em sentido contrário, dados mais fortes, acompanhados por pressões salariais persistentes, poderão sustentar a perspectiva de uma política monetária mais restritiva e devolver força à moeda norte-americana.

A governadora da Reserva Federal, Lisa Cook, afirmou estar disponível para considerar um novo aumento da taxa de juro de curto prazo, caso seja necessário responder a níveis de inflação ainda excessivamente elevados.

A declaração mostra que a Reserva Federal continua dividida entre dois riscos: manter os juros elevados por demasiado tempo e enfraquecer a actividade económica, ou flexibilizar prematuramente a política monetária e permitir uma nova aceleração dos preços.

Dólar Mais Fraco Pode Aliviar Custos Externos De Moçambique

Para os leitores e agentes económicos moçambicanos, o comportamento do dólar é particularmente relevante porque uma parte significativa das transacções externas, importações, contratos comerciais e obrigações financeiras internacionais é denominada na moeda norte-americana.

Uma depreciação do dólar nos mercados internacionais pode contribuir para aliviar parcialmente o custo de produtos importados, sobretudo quando acompanhada por estabilidade do Metical. O impacto pode alcançar combustíveis, equipamentos, matérias-primas, medicamentos, serviços tecnológicos e outros bens adquiridos no exterior.

O efeito, contudo, não é automático. O custo final das importações depende igualmente da taxa de câmbio entre o Metical e o dólar, dos custos de transporte, dos seguros, dos preços internacionais das mercadorias e das margens aplicadas ao longo da cadeia de distribuição.

A evolução da moeda norte-americana também influencia o serviço da dívida externa. Quando o dólar se valoriza face às moedas dos países devedores, são necessários mais recursos em moeda nacional para pagar juros e amortizações denominados em dólares.

Um dólar persistentemente forte pode, por isso, aumentar os encargos do Estado e das empresas com dívida externa, pressionar as reservas internacionais e encarecer o financiamento de novos projectos.

Hormuz E Petróleo Acrescentam Uma Segunda Camada De Risco

Os mercados cambiais continuam atentos às negociações envolvendo o Irão, Omã e os Estados Unidos, destinadas a criar condições para a reabertura do Estreito de Hormuz.

Segundo a Reuters, uma proposta em discussão poderia conceder a Teerão controlo sobre os navios que entram no Golfo. O Governo norte-americano ainda não se pronunciou formalmente sobre os termos apresentados, embora tenha indicado que um acordo poderia estar próximo.

As autoridades dos Estados Unidos têm, porém, defendido que não aceitariam que o Irão controlasse o acesso a uma das mais importantes rotas mundiais de transporte de energia.

O Brent recuou 0,5%, para 79,08 dólares por barril, aproximando-se dos níveis observados quando os Estados Unidos e o Irão alcançaram um acordo de paz provisório em Junho.

A redução do preço do petróleo pode contribuir para aliviar as expectativas de inflação internacional e diminuir a necessidade de novos aumentos dos juros nos Estados Unidos. Esse cenário tende a pressionar o dólar, porque reduz a vantagem relativa dos activos denominados na moeda norte-americana.

Para Moçambique, a evolução do petróleo tem efeitos contraditórios. Preços internacionais mais baixos podem reduzir o custo de importação de combustíveis refinados e aliviar a pressão sobre os transportes, a produção e o custo de vida.

Em contrapartida, uma descida prolongada pode afectar as expectativas de receitas associadas aos projectos de hidrocarbonetos e reduzir o interesse dos investidores por determinados activos energéticos.

Dólar, Petróleo E Inflação Estão Interligados

O comportamento recente dos mercados mostra que a evolução do dólar não pode ser analisada isoladamente.

Uma solução diplomática para o Estreito de Hormuz poderá reduzir o risco de interrupções no abastecimento de petróleo, moderar os preços da energia e aliviar as pressões inflacionárias. Menor inflação poderá permitir uma política monetária menos restritiva nos Estados Unidos, enfraquecendo a moeda norte-americana.

Caso as negociações fracassem, o petróleo poderá voltar a subir, elevando as expectativas de inflação e aumentando a pressão sobre a Reserva Federal para manter ou elevar os juros.

Esse cenário poderia fortalecer o dólar, mas também aumentaria os custos das importações para economias como a moçambicana, sobretudo se a valorização internacional da moeda norte-americana fosse acompanhada por uma depreciação do Metical.

Na leitura do O.Económico, a principal questão para Moçambique não é apenas saber se o dólar sobe ou desce num determinado dia. É perceber como o movimento se transmite para as importações, reservas internacionais, dívida externa, inflação e decisões de investimento.

Yen Cede Parte Dos Ganhos Após Intervenção

Num plano secundário, o Yen permaneceu praticamente inalterado em 157,71 por dólar, depois de ter enfraquecido durante duas sessões consecutivas.

A moeda japonesa chegou a negociar em 155,20 por dólar no início da semana, beneficiando de intervenções realizadas por Tóquio e de uma acção coordenada com Washington. Apesar da valorização inicial, o Yen começou a devolver parte dos ganhos, embora permaneça distante do mínimo de várias décadas, próximo de 164 por dólar, atingido em Julho.

A reacção reforça a percepção de que as intervenções cambiais conseguem travar movimentos abruptos, mas não eliminam as causas estruturais da desvalorização.

Uma sondagem da Reuters mostrou que cerca de 95% dos participantes consideram que futuras intervenções do Japão, quando realizadas isoladamente, não serão suficientes para sustentar a moeda. A maioria defende que o Banco do Japão terá também de aumentar as taxas de juro.

As actas da reunião de Junho indicaram que os decisores japoneses discutiram riscos inflacionários crescentes e a possibilidade de novos aumentos do custo do dinheiro, depois de elevarem as taxas para o nível mais alto dos últimos 31 anos.

Diferencial De Juros Mantém O Dólar No Centro Do Mercado Cambial

O Yen continua vulnerável porque os activos denominados em dólares oferecem rendimentos mais elevados do que os activos japoneses. Esse diferencial incentiva os investidores a obterem financiamento em Yen e a aplicarem os recursos nos Estados Unidos ou noutros mercados com remunerações superiores.

A redução desta diferença dependerá de novos aumentos dos juros pelo Banco do Japão, de uma eventual moderação da política monetária norte-americana ou de uma combinação dos dois movimentos.

Apesar da importância do Yen para a leitura dos fluxos financeiros internacionais, o principal indicador para Moçambique permanece o dólar. É a evolução da moeda norte-americana, associada aos preços do petróleo e às decisões da Reserva Federal, que poderá produzir os efeitos mais directos sobre os custos externos, a inflação importada e as condições de financiamento do País.

O relatório do emprego norte-americano constitui, assim, o próximo momento decisivo. Os seus resultados poderão determinar se o dólar prolonga a fraqueza observada nas últimas semanas ou recupera terreno perante as principais moedas internacionais.