Linha-Férrea De Nacala Passa A Projectar Integração De Quatro Países Da SADC

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Memorando assinado por Moçambique, Malawi, Zâmbia e RDC posiciona o Corredor de Nacala como eixo estratégico para comércio regional, logística competitiva e desenvolvimento económico partilhado.

Questões-Chave:
  • Quatro países da SADC acordam estender o Corredor Ferroviário de Nacala em cerca de 2.400 quilómetros;
  • O projecto liga Chipata (Zâmbia) a Sereje (RDC), atravessando Malawi e Moçambique;
  • A iniciativa reforça o papel do Porto de Nacala como saída logística dos países do interior;
  • O próximo passo é identificar parceiros estratégicos e financiamento até ao primeiro trimestre de 2026.

Moçambique, Malawi, Zâmbia e República Democrática do Congo deram um passo político e estratégico relevante para a integração regional ao assinarem um memorando que visa a extensão do Corredor Ferroviário de Nacala, consolidando esta infraestrutura como uma das principais plataformas logísticas da África Austral e um catalisador do comércio intra-regional.

Um corredor regional com ambição continental

O memorando foi assinado no âmbito da 10.ª Reunião do Comité de Gestão do Corredor de Desenvolvimento de Nacala, realizada em Maputo, com a presença dos ministros responsáveis pelos transportes e logística dos quatro países. O entendimento prevê o desenvolvimento de uma linha férrea com cerca de 2.400 quilómetros, ligando Chipata, na Zâmbia, a Sereje, na República Democrática do Congo, atravessando o Malawi e Moçambique.

Segundo o ministro dos Transportes e Logística de Moçambique, João Matlombe, esta é a via para que o Porto de Nacala se afirme como “motor de integração regional e catalisador de desenvolvimento económico partilhado”, sublinhando que o corredor deve ser encarado como uma infraestrutura regional e não exclusivamente nacional.

Racionalidade económica da extensão ferroviária

Do ponto de vista económico, a extensão da linha-férrea responde a um constrangimento estrutural das economias do interior da África Austral: o acesso eficiente e competitivo ao mar. Malawi, Zâmbia e RDC dependem fortemente de corredores logísticos para escoar produção mineira, agrícola e industrial, sendo os custos de transporte um dos principais factores de perda de competitividade.

Ao reduzir tempos de trânsito, custos logísticos e riscos operacionais, o Corredor de Nacala pode melhorar a inserção destes países nas cadeias regionais e globais de valor, ao mesmo tempo que reforça a utilização de infraestruturas já existentes em Moçambique.

Porto de Nacala como activo estratégico regional

O Porto de Nacala surge como elemento central desta estratégia. Com um investimento estimado em cerca de 300 milhões de dólares na sua modernização, Nacala posiciona-se como um dos portos naturais de águas profundas mais eficientes da região. A lógica defendida pelo Governo moçambicano é clara: quanto maior for a massa crítica de carga proveniente do interior, maior será a viabilidade económica do corredor ferroviário e das infraestruturas associadas.

Matlombe sublinhou que Moçambique está disponível para oferecer facilidades adicionais aos países vizinhos, permitindo que estes planeiem o seu desenvolvimento logístico a partir do território moçambicano sem entraves administrativos ou operacionais, numa abordagem assente na interdependência regional.

Financiamento e parceiros como próximo desafio

Apesar da ambição estratégica, o projecto entra agora numa fase decisiva. Os quatro países acordaram mobilizar financiamento de forma conjunta e identificar parceiros estratégicos para a construção da linha-férrea e das infraestruturas logísticas associadas ao longo do corredor.

O ministro moçambicano indicou que o próximo passo deverá ser a assinatura de um acordo no primeiro trimestre de 2026, momento considerado crítico para transformar a visão política em acção concreta e assegurar a execução do projecto.

Integração regional como desfecho estratégico

A extensão do Corredor Ferroviário de Nacala enquadra-se numa visão mais ampla de integração económica regional defendida no seio da SADC. Para Moçambique, o projecto reforça o posicionamento do país como plataforma logística regional; para os países do interior, oferece uma alternativa estratégica de acesso ao Oceano Índico.

Mais do que uma infraestrutura física, o corredor assume-se como um instrumento de política económica regional, capaz de estimular comércio, industrialização, criação de emprego e investimento. O sucesso do projecto dependerá agora da capacidade dos países signatários em alinhar interesses, garantir financiamento sustentável e assegurar uma governação eficiente da infraestrutura — factores determinantes para que Nacala se afirme, de forma efectiva, como um verdadeiro eixo de integração e prosperidade partilhada na África Austral.

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