
Tendência do mercado de emprego pode precipitar fim dos estímulos económicos nos EUA
A iminência da redução de estímulos monetários por parte do Sistema da Reserva Federal – Fed, ganhou consistência depois que ficaram conhecidos desde sexta-feira última os números do mercado de trabalho.
Os dados eram muito esperados pelos investidores, principalmente após o posicionamento “moderado” do Presidente do Fed (Banco Central norte-americano), Jerome Powell, no simpósio anual de Jackson Hole, um dos principais eventos mundiais de política monetária, no último dia 27 de agosto. As informações divulgadas revelam-se cruciais para a tomada de decisão na próxima reunião da Reserva Federal, e por via disso o comportamento dos mercados, marcada para os dias 21 e 22 de setembro.
Apesar do tom optimista com que Powell se referiu à forma como a economia norte-americana está a recuperar da crise provocada pela covid, alertou que “há ainda muito caminho por percorrer até se atingir a meta de máximo emprego”. “Continuaremos a manter os juros no seu nível actual até que a economia alcance condições consistentes com o máximo emprego e que a inflação tenha atingido 2%”, disse Jerome Powell no referido simpósio.
De acordo com o Relatório de Emprego (Payroll) divulgado nesta sexta-feira, 03/09, pelo Departamento de Trabalho, os EUA criaram 235 mil empregos em agosto, abaixo dos 1,05 milhões de postos de trabalho criados em julho.
Apesar dos níveis de contratação decepcionantes, a taxa de desemprego caiu 0,2 pontos percentuais para 5,2% em agosto, contra 5,4% em julho, em linha com o esperado pelo mercado, da mesma forma que, os ganhos médios por hora registaram um crescimento mensal de 0,6%.
Reagindo as informações divulgadas, o índice do dólar acelerou a sua tendência de baixa na última sexta-feira, 06/09, atingindo o mínimo de 91,94, após ter iniciado a sessão no nível de 92,22.
Conforme referido, os desenvolvimentos no mercado de trabalho jogam um papel crucial na próxima reunião do Fed, principalmente no que diz respeito a postura da política monetária.
Apesar de Powell não ter mencionado qualquer data e volume de redução no decurso do simpósio de Jackson Hole, a próxima reunião em de setembro assume-se como fundamental para perceber quais serão os planos do Banco neste domínio.
Refira-se que, actualmente, o programa de compras de activos do Fed está a disparar a um ritmo de 120 mil milhões de dólares a cada mês, numa altura em que as taxas directoras estão ainda em mínimos no intervalo entre 0% e 0,25%.
Em reação à estes estímulos, a inflação tem estado a acelerar (5,4% em julho em termos homólogos) e a economia do país tem respondido de forma célere, tendo registado um crescimento de 6,5% no segundo trimestre.












