
Governo Desenha Novas Linhas De Crédito Para Desbloquear Financiamento À Agricultura
Executivo admite fragilidades estruturais no acesso ao crédito agrícola e prepara mecanismos financeiros diferenciados, com taxas bonificadas e carências ajustadas aos ciclos produtivos.
- O Governo reconhece que o acesso limitado ao crédito continua a travar o desenvolvimento da agricultura;
- Estão em preparação novas linhas de financiamento específicas para o sector agrícola;
- O modelo prevê créditos concessionais, taxas bonificadas e períodos de carência ajustados;
- Apenas cerca de 0,6% dos agricultores têm acesso ao crédito bancário formal.
O Governo está a trabalhar no desenho de novas linhas de crédito específicas para a agricultura, numa tentativa de corrigir uma das principais fragilidades estruturais do sector: o acesso extremamente limitado ao financiamento, que continua a comprometer a transformação da agricultura num verdadeiro motor de crescimento económico em Moçambique.
Crédito Agrícola Como Bloqueio Estrutural Ao Desenvolvimento
O difícil acesso ao crédito tem sido apontado como um dos principais constrangimentos à modernização e expansão da produção agrícola no país, num contexto em que a maioria dos produtores continua dependente de práticas de subsistência e de financiamento informal.
Dados oficiais citados no sector indicam que apenas cerca de 0,6% dos agricultores moçambicanos têm acesso ao crédito bancário, reflectindo o reduzido envolvimento da banca comercial no financiamento rural e a percepção persistente da agricultura como uma actividade de elevado risco.
Governo Quer Financiar Produção, Não Substituir O Mercado
Ao apresentar a iniciativa, o Director de Cooperação e Investimentos do Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, Jaime Chissico, afirmou que o Estado deve abandonar progressivamente o papel de comprador e distribuidor de insumos e equipamentos, apostando antes no financiamento directo da produção com base em planos apresentados pelos próprios agricultores.
“A agricultura deve dar dinheiro às pessoas. A agricultura de subsistência deve ficar para trás. Precisamos de olhar para a questão da procura e ouvir os próprios produtores sobre o que deve ser feito”, afirmou Chissico, defendendo uma transição para um modelo agrícola orientado para o mercado, capaz de gerar rendimento e melhorar as condições de vida das famílias rurais.
Linhas De Crédito Com Regras Diferenciadas
Segundo o responsável, o Governo está a desenhar linhas de crédito destinadas à aquisição de insumos, investimento em equipamentos e apoio directo à produção agrícola, assentes em mecanismos concessionais, com taxas de juro bonificadas e períodos de carência alinhados com os ciclos produtivos do sector.
Chissico sublinhou que o crédito agrícola não pode ser tratado da mesma forma que o financiamento ao comércio ou a outros sectores da economia, defendendo regras diferenciadas que tenham em conta a sazonalidade, os riscos climáticos e a natureza específica da actividade agrícola.
“Quem pede crédito para a agricultura não pode ser tratado da mesma forma que quem solicita financiamento para o comércio”, afirmou, acrescentando que os subsídios públicos poderão ser associados a créditos bonificados, tornando o financiamento mais acessível e menos oneroso para os produtores.
Banca Mantém Reticências, Mas Governo Quer Reduzir Barreiras
Apesar da importância estratégica do sector, os bancos continuam a encarar a agricultura como uma actividade de risco elevado, o que se traduz em custos financeiros elevados, exigências de garantias difíceis de cumprir e fraca adesão dos produtores ao crédito formal.
Com as novas linhas de financiamento, o Executivo espera reduzir estas barreiras, dinamizar a produção agrícola, estimular o investimento produtivo e colocar a agricultura no centro da estratégia de desenvolvimento económico do país, num momento em que se procura reforçar a segurança alimentar, a substituição de importações e a inclusão financeira no meio rural.
Conecte-se a Nós
Economia Global
Mais Vistos
Sobre Nós
O Económico assegura a sua eficácia mediante a consolidação de uma marca única e distinta, cujo valor é a sua capacidade de gerar e disseminar conteúdos informativos e formativos de especialidade económica em termos tais que estes se traduzem em mais-valias para quem recebe, acompanha e absorve as informações veiculadas nos diferentes meios do projecto. Portanto, o Económico apresenta valências importantes para os objectivos institucionais e de negócios das empresas.
últimas notícias
Mais Acessados
-
Governo admite nova operadora para a Mozal após suspensão das operações
14 de Março, 2026
















