Venda Global de Activos de Risco Arrasta Bitcoin Para Mínimos de 16 Meses

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  • Queda das tecnológicas, saídas de capital dos ETFs e crescente aversão ao risco pressionam o mercado cripto, com o bitcoin a testar o suporte dos 60 mil dólares.


A intensificação da venda global de activos de risco, liderada por uma correcção acentuada nas acções tecnológicas, está a provocar uma nova vaga de turbulência no mercado das criptomoedas. O Bitcoin recuou para níveis não observados desde Outubro de 2024, testando o patamar psicológico dos 60 mil dólares, num movimento que reacende o debate sobre volatilidade, correlação com os mercados accionistas e a real robustez do investimento institucional em activos digitais.

Questões-Chave:

  • Bitcoin tocou mínimos de 16 meses num contexto de venda transversal de activos de risco;
  • Capitalização do mercado cripto caiu cerca de 2 biliões de dólares desde Outubro;
  • ETFs de bitcoin nos EUA registaram saídas superiores a 3 mil milhões de dólares em Janeiro;
  • Analistas alertam para o impacto da crescente correlação entre criptomoedas e sector tecnológico.

Bitcoin testa suporte crítico num mercado em modo defensivo

O bitcoin chegou a negociar nos 60.008 dólares durante a sessão de sexta-feira, recuperando posteriormente para a zona dos 64 mil dólares, ainda assim acumulando uma queda semanal próxima de 16% e perdas de 27% desde o início do ano. O nível representa o ponto mais baixo desde Outubro de 2024, período que antecedeu a eleição presidencial nos Estados Unidos.

A descida ocorre num ambiente de forte aversão ao risco, com investidores a reduzir exposição a activos considerados mais voláteis, num movimento que se estendeu aos mercados accionistas e aos metais preciosos.

Desmonte de posições alavancadas acelera a correcção

Segundo Chris Weston, responsável de research da corretora Pepperstone, a velocidade da queda reflecte o desmonte rápido de posições excessivamente concentradas e alavancadas. Na sua leitura, o comportamento do bitcoin poderá ter funcionado como um sinal antecipado das actuais tensões financeiras globais, num momento em que muitos investidores subestimaram o risco associado a narrativas excessivamente optimistas.

Queda alastra ao ether e confirma arrefecimento do mercado

A pressão vendedora não se limitou ao bitcoin. O ether caiu para mínimos de dez meses, chegando a negociar abaixo dos 1.800 dólares, sinalizando um arrefecimento generalizado do apetite por risco no ecossistema das criptomoedas e reforçando a percepção de fragilidade no curto prazo.

2 biliões de dólares evaporam desde o pico de Outubro

Dados da plataforma CoinGecko mostram que o valor total do mercado global de criptomoedas encolheu cerca de 2 biliões de dólares desde o pico registado no início de Outubro. Apenas no último mês, mais de 1 bilião de dólares foi eliminado, evidenciando a dimensão e a rapidez da correcção.

Este movimento devolve ao centro do debate a resiliência estrutural do mercado cripto face a choques macroeconómicos e ciclos de liquidez adversos.

ETFs nos EUA sinalizam retração do capital institucional

Um dos factores mais relevantes por detrás da pressão recente resulta das saídas significativas de fundos cotados em bolsa. Analistas do Deutsche Bank indicam que os ETFs de bitcoin nos Estados Unidos registaram saídas superiores a 3 mil milhões de dólares em Janeiro, depois de resgates expressivos nos dois meses anteriores.

A tendência sugere uma redução clara do apetite institucional no curto prazo, num contexto de maior incerteza macroeconómica e financeira.

Correlação com tecnologia expõe vulnerabilidade estrutural

Apesar de o sector ter beneficiado, em 2025, de um ambiente político mais favorável nos Estados Unidos, após a eleição de Donald Trump, analistas sublinham que a crescente correlação entre o bitcoin e o sector tecnológico tornou a criptomoeda particularmente sensível à recente correcção das big techs.

Para Joshua Chu, co-presidente da Hong Kong Web3 Association, o regresso do bitcoin à zona dos 60 mil dólares não representa o colapso do sector, mas sim um ajustamento após um período prolongado de expectativas excessivamente optimistas. Investidores que assumiram uma trajectória de valorização contínua estão agora a confrontar-se com a realidade da volatilidade e da necessidade de uma gestão de risco mais disciplinada.

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