Chapo Lança Comissão Técnica Para Integrar Serviços Digitais E Defende “Estado À Distância De Um Clique”

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Presidente afirma que não haverá economia digital forte sem um Estado digital robusto e anuncia plano nacional de interoperabilidade até ao fim do primeiro semestre

Questões-Chave:
  • Presidente considera a transformação digital uma escolha política e pilar do ciclo governativo;
  • Anunciada Comissão Técnica Multissectorial para integrar serviços digitais até ao final do primeiro semestre;
  • Governo defende interoperabilidade e fim das “ilhas tecnológicas” no Estado;
  • Portal do Cidadão e revisão da legislação de cibersegurança entre as reformas estruturantes;
  • Digitalização é apresentada como nova fronteira da soberania no século XXI.

“Não Haverá Estado Digital Se Persistirem Mentalidades Analógicas”

O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, declarou esta quarta-feira, em Maputo, que a transformação digital constitui uma escolha política estruturante do actual ciclo governativo, defendendo que o País deve abandonar modelos administrativos fragmentados e burocráticos.

Na abertura da Primeira Conferência Nacional sobre Transformação Digital, o Chefe do Estado afirmou que “não haverá Estado digital, se persistirem mentalidades analógicas”, sublinhando que a digitalização não pode ser um esforço isolado nem fragmentado entre instituições.

Chapo foi directo ao rejeitar o actual modelo de sistemas desconectados, declarando que “não devem existir ilhas tecnológicas dentro do nosso Estado”, numa referência à falta de interoperabilidade entre bases de dados e serviços públicos.

Comissão Técnica Multissectorial Com Mandato Para Integrar Sistemas

O momento mais estruturante do discurso foi o anúncio da criação de uma Comissão Técnica Multissectorial dos Serviços Digitais, com mandato para apresentar, até ao final do primeiro semestre, um plano nacional de integração de serviços.

Segundo o Presidente, esta comissão terá como missão mapear serviços existentes, promover interoperabilidade, eliminar redundâncias e propor um roteiro nacional de integração digital.

O objectivo declarado é transformar o paradigma actual, onde o cidadão circula entre instituições para tratar de um único documento, num modelo integrado em que os serviços cheguem ao cidadão com eficiência e simplicidade.

“Queremos um Estado à distância de um clique do telefone, do computador, mas próximo das necessidades do nosso povo”, afirmou.

Digitalização Como Pilar Da Modernização Do Estado

No discurso, o Presidente vinculou explicitamente a transformação digital às reformas estruturais em curso para modernizar o Estado, melhorar o ambiente de negócios e reforçar a transparência institucional.

Entre as iniciativas já em marcha, destacou a criação do Ministério das Comunicações e Transformação Digital, o estabelecimento da Agência de Modernização e Inovação, o desenvolvimento do Portal do Cidadão e a revisão da legislação sobre segurança cibernética e protecção de dados. Estas medidas, segundo o Chefe do Estado, configuram a base institucional necessária para garantir coerência estratégica e sustentabilidade à agenda digital do País.

O Presidente foi enfático ao afirmar que “não haverá economia digital forte sem um Estado digital robusto”, estabelecendo uma relação directa entre digitalização administrativa, competitividade económica e eficiência governativa.

Digitalização Como Nova Fronteira Da Soberania

Num plano mais estratégico, o Presidente enquadrou a transformação digital como questão de soberania no século XXI.

“A transformação digital é uma das grandes fronteiras da soberania no século XXI. Ontem, a independência media-se pelo controlo do território. Hoje, mede-se também pela capacidade de governar o espaço digital” .

Este enquadramento posiciona a agenda digital não apenas como modernização tecnológica, mas como componente estruturante da independência económica e tecnológica do País.

Digitalização E Resiliência Perante Calamidades

O discurso ocorreu num contexto marcado por cheias recentes, tendo o Presidente associado directamente a digitalização à capacidade de resposta a desastres naturais.

Advertiu que, sem preservação digital de dados escolares, de saúde e administrativos, o País arrisca perder memória institucional sempre que ocorre um desastre.

Neste sentido, a agenda digital foi apresentada também como instrumento de resiliência nacional.

Um Desafio Político E Institucional

O Presidente encerrou a intervenção desafiando as instituições públicas a alinharem-se sob liderança central do Ministério das Comunicações e Transformação Digital, defendendo cultura de colaboração e responsabilidade partilhada.

“Mais do que um espaço de reflexão, ela deve produzir resultados concretos”, afirmou, referindo-se à conferência.

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