
Zimbabwe projecta crescimento mais rápido em 14 anos após acordo com o FMI
Governo antecipa expansão entre 8,5% e 10% em 2026, impulsionada por reformas estruturais e recuperação da agricultura e mineração.
- Zimbabwe assegura programa de monitorização com o FMI por 10 meses;
- Governo revê crescimento para pelo menos 8,5% em 2026;
- Projecção poderá marcar ritmo mais elevado desde 2012;
- País procura resolver cerca de 23 mil milhões de dólares de dívida;
- Reintegração nos mercados internacionais permanece objectivo estratégico.
O Zimbabwe poderá registar em 2026 o crescimento económico mais acelerado dos últimos 14 anos, após assegurar um programa de monitorização com o Fundo Monetário Internacional (FMI), considerado um passo determinante para a normalização das relações financeiras externas do país.
Segundo declarações do secretário das Finanças e Desenvolvimento Económico, George Guvamatanga, citadas pela Bloomberg , a economia poderá expandir-se pelo menos 8,5% no próximo ano, podendo atingir uma faixa entre 9% e 10%. A nova estimativa supera amplamente a projecção anterior de 6,6% e quase duplica o crescimento de 5% que o FMI antecipa para este ano.
Caso se materialize, este desempenho representará a expansão anual mais robusta desde 2012, num país que permaneceu praticamente afastado dos mercados internacionais de capitais durante quase três décadas devido a uma dívida acumulada estimada em cerca de 23 mil milhões de dólares.
Reforma e disciplina macroeconómica como âncora
O programa de monitorização, com duração de 10 meses, não envolve financiamento directo, mas funciona como instrumento de credibilização das políticas económicas, sinalizando compromisso com reformas estruturais e disciplina fiscal.
Para Harare, o acordo constitui etapa essencial no processo de reestruturação da dívida e de reabertura gradual do acesso ao financiamento externo, condição indispensável para sustentar investimento público e privado em sectores estratégicos.
Guvamatanga sublinhou que a aceleração do crescimento será sustentada por reformas ancoradas no programa com o FMI, bem como pela recuperação contínua dos sectores agrícola e mineiro, pilares tradicionais da economia zimbabueana.
Mineração e agricultura no centro da retoma
O Zimbabwe possui reservas significativas de ouro, platina e lítio, este último particularmente estratégico no contexto da transição energética global. A consolidação do sector mineiro, aliada a condições agrícolas mais favoráveis, poderá gerar efeitos multiplicadores sobre emprego, receitas fiscais e balança externa.
No entanto, analistas alertam que o crescimento projectado dependerá da consistência das reformas, da estabilidade cambial e do controlo da inflação, historicamente volátil no país.
Sinal para a região
Num contexto em que várias economias africanas enfrentam constrangimentos de dívida e restrições de financiamento, o movimento do Zimbabwe é observado como teste relevante à eficácia de programas de monitorização como mecanismo de reconquista de credibilidade internacional.
Para a África Austral, um eventual ciclo de crescimento robusto no Zimbabwe poderá gerar efeitos de encadeamento regional, sobretudo em comércio transfronteiriço, cadeias mineiras e fluxos logísticos.
A trajectória de 2026 dependerá agora da capacidade do Governo em transformar o acordo com o FMI numa âncora efectiva de estabilidade macroeconómica, traduzindo compromissos reformistas em resultados tangíveis.
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