
Sem Novo Programa Com o FMI, Moçambique Terá Dificuldades Em Mobilizar Financiamento Externo
No Semanário Económico, o economista Oldemiro Belchior alerta para restrições macrofiscais, fragilidade da economia real e riscos associados à escassez de divisas.
- Retoma do apoio do FMI é vista como crucial para restaurar confiança internacional na economia moçambicana;
- Ausência de financiamento externo limita capacidade do Estado em gerir défice orçamental;
- Economia real permanece praticamente estagnada fora da indústria extractiva;
- Mercado cambial continua pressionado pela escassez estrutural de divisas.
Relação com o FMI continua a condicionar financiamento externo
A capacidade de Moçambique mobilizar financiamento externo continua fortemente condicionada pela evolução das negociações com o Fundo Monetário Internacional.
Participando no “Tema de Fundo” do programa televisivo Semanário Económico, o economista Oldemiro Belchior defendeu que a ausência de um novo programa com o FMI limita significativamente o acesso do país a recursos financeiros internacionais.
“Sem um novo programa com o FMI, Moçambique terá dificuldades em mobilizar financiamento externo”, afirmou o economista durante a entrevista.
Segundo Belchior, a presença activa de instituições multilaterais como o FMI, o Banco Mundial e o Banco Africano de Desenvolvimento funciona como um importante sinal de confiança para investidores internacionais.
Sem esse enquadramento institucional, o risco soberano tende a aumentar, dificultando a mobilização de capital externo.
Finanças públicas enfrentam margem de manobra reduzida
A situação torna-se particularmente sensível num contexto em que o país enfrenta restrições macrofiscais significativas.
De acordo com o economista, o Governo opera actualmente com uma margem de manobra limitada para financiar despesas públicas e investimento.
A escassez de financiamento externo, combinada com pressões sobre a dívida pública interna, cria um cenário em que o Estado tem dificuldades em equilibrar receitas e despesas.
Neste contexto, Belchior sublinha que a consolidação fiscal exigida pelo FMI implica um conjunto de medidas difíceis, incluindo a contenção da despesa pública e o reforço da capacidade de arrecadação de receitas.
“A consolidação fiscal significa conter despesas e melhorar a capacidade de arrecadação”, explicou.
Economia real permanece fragilizada
Outro ponto crítico identificado pelo economista prende-se com o desempenho da economia real.
Segundo Belchior, expurgando a contribuição da indústria extractiva, vários sectores produtivos continuam a registar um crescimento limitado.
“A economia real do país está praticamente sem crescimento fora do sector extractivo”, afirmou.
Este cenário reflecte dificuldades estruturais no tecido produtivo nacional, particularmente ao nível das micro, pequenas e médias empresas, muitas das quais foram afectadas por choques económicos recentes.
Mercado cambial continua sob pressão
A escassez de divisas continua a representar outro desafio importante para a economia moçambicana.
Durante a entrevista, Belchior destacou a existência de uma disparidade entre a taxa de câmbio observada no mercado paralelo e aquela praticada no mercado cambial interbancário.
Segundo o economista, esta diferença reflecte uma oferta limitada de moeda estrangeira face à procura existente na economia.
A eventual liberalização do regime cambial é frequentemente apontada como uma solução possível, mas Belchior advertiu para os riscos associados a essa estratégia.
“Uma liberalização abrupta do câmbio poderia provocar um choque inflacionário”, alertou.
Confiança internacional continua a ser determinante
Numa espécie de avaliação final, Belchior considerou que a recuperação da confiança internacional será um factor determinante para o futuro económico de Moçambique.
A conclusão de um novo programa com o FMI poderá desempenhar um papel crucial na restauração da credibilidade macroeconómica do país e na mobilização de financiamento externo.
“A confiança dos investidores depende da estabilidade macroeconómica”, sublinhou o economista.
Num contexto global marcado por instabilidade geopolítica e por restrições macroeconómicas internas, a capacidade do país em restaurar essa confiança poderá
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