Encerramento Temporário da Mozal Já Provoca Paralisação de Empresas e Coloca Milhares de Empregos em Risco

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Suspensão da fundição de alumínio em Beluluane leva pelo menos cinco empresas a cessarem operações, enquanto cerca de 25 fornecedores avaliam medidas semelhantes, num cenário que poderá afectar significativamente o sector manufactureiro e o crescimento económico do país.

Questões-Chave:
  • Pelo menos cinco empresas do Parque Industrial de Beluluane já suspenderam completamente as suas actividades após a decisão de colocar a Mozal em regime de care and maintenance;
  • Cerca de 25 empresas fornecedoras da fundição avaliam adoptar medidas semelhantes perante a interrupção da produção;
  • Aproximadamente 4.000 postos de trabalho indirectos ligados à cadeia de valor da Mozal poderão estar em risco;
  • A Mozal representa cerca de metade do contributo do sector manufactureiro para o PIB de Moçambique.

A decisão de suspender temporariamente as operações da Mozal, uma das maiores indústrias de Moçambique e a segunda maior fundição de alumínio de África, já começa a produzir efeitos imediatos no ecossistema industrial associado ao empreendimento. Pelo menos cinco empresas instaladas no Parque Industrial de Beluluane cessaram completamente as suas actividades, num contexto em que outras poderão seguir o mesmo caminho caso a paralisação da fundição se prolongue, segundo informações avançadas pela Agência Lusa.

De acordo com Onório Manuel, Director-Geral da MozParks — entidade responsável pela gestão do Parque Industrial de Beluluane, localizado a cerca de 20 quilómetros da cidade de Maputo — a interrupção da produção na Mozal desencadeou um efeito em cadeia entre as empresas que integram a sua rede de fornecedores e prestadores de serviços, acrescenta a Agência Lusa.

Onório Manuel

Segundo o responsável, estima-se que cerca de 25 empresas estejam directamente ligadas à cadeia de fornecimento da fundição, incluindo empresas de manutenção eléctrica, manutenção industrial e fornecimento de bens e serviços especializados. Com a transição da Mozal para o regime de care and maintenance, muitas dessas empresas avaliam igualmente suspender as suas operações, de acordo com declarações citadas pela Agência Lusa.

Neste momento, pelo menos cinco empresas já cessaram completamente as actividades, sobretudo aquelas cuja operação estava directamente ligada ao processo produtivo da fundição de alumínio, acrescentou o responsável da MozParks.

Cadeia de valor sob pressão e empregos em risco

O impacto potencial desta decisão vai muito além da própria fundição. Segundo dados avançados pela gestão do Parque Industrial de Beluluane e citados pela Agência Lusa, cerca de 4.000 postos de trabalho associados à cadeia de valor da Mozal poderão estar em risco caso a paralisação se prolongue.

Importa recordar que a Mozal emprega directamente mais de mil trabalhadores, mas sustenta um universo muito mais amplo de empregos indirectos através da sua rede de fornecedores, subcontratados e prestadores de serviços.

Este efeito multiplicador é particularmente visível no Parque Industrial de Beluluane, que se consolidou ao longo das últimas duas décadas como um dos principais pólos industriais do país, precisamente graças à presença da Mozal enquanto empresa âncora.

Algumas empresas mantiveram actividade até ao momento da suspensão para assegurar os procedimentos técnicos associados ao encerramento seguro da fundição. Com esse processo concluído, muitas dessas operações tornaram-se economicamente inviáveis, explicou Onório Manuel à Agência Lusa.

Impacto potencial na economia nacional

O impacto da paralisação da Mozal poderá também repercutir-se ao nível macroeconómico, dada a relevância do complexo industrial para o sector manufactureiro e para o próprio produto interno bruto do país.

De acordo com estimativas referidas pelo Director-Geral da MozParks e citadas pela Agência Lusa, a Mozal representa, em média, cerca de 49% da contribuição do sector manufactureiro para o PIB de Moçambique.

Considerando que a economia moçambicana apresenta um PIB estimado em cerca de 16 mil milhões de dólares, e que o sector manufactureiro contribui com aproximadamente 10% desse total, a produção da Mozal constitui praticamente metade da actividade industrial formal do país, segundo os mesmos dados.

Neste contexto, uma paralisação prolongada poderá afectar o ritmo de crescimento económico, com potenciais implicações para receitas fiscais, emprego e dinâmica industrial.

Tarifas de energia no centro da decisão

A decisão de suspender as operações da fundição está directamente relacionada com os custos de energia eléctrica, um factor crítico para a indústria do alumínio, altamente intensiva em consumo energético.

A empresa australiana South32, accionista da Mozal, considerou “totalmente insustentável” a tarifa de electricidade proposta para o fornecimento de energia à unidade industrial em Maputo, segundo informações avançadas pela Agência Lusa.

Num encontro recente com investidores, o CEO da empresa, Graham Kerr, indicou que a única proposta formal apresentada pela empresa sul-africana Eskom rondava quase 100 dólares por megawatt-hora, um valor significativamente superior ao praticado na maioria das fundições de alumínio fora da China, onde menos de 1% das unidades opera com contratos acima de 50 dólares por megawatt-hora, refere a mesma fonte.

Apesar da suspensão das operações, a empresa não exclui a possibilidade de reactivar a fundição no futuro, caso as condições de fornecimento de energia se tornem mais competitivas.

Um sinal observado pelos investidores

Para os gestores do Parque Industrial de Beluluane, o impacto da suspensão da Mozal não se limita ao parque industrial, podendo também afectar a percepção dos investidores internacionais sobre o ambiente de negócios em Moçambique.

Segundo Onório Manuel, citado pela Agência Lusa, a paralisação de uma das maiores unidades industriais do país pode gerar sinais negativos nos mercados internacionais com interesse em investir no país, particularmente em projectos industriais de grande escala.

Num momento em que Moçambique procura acelerar a industrialização e diversificar a sua base produtiva, o desfecho deste processo poderá tornar-se um importante teste à capacidade do país de preservar e atrair investimentos industriais estratégicos.

  • Suspensão da fundição de alumínio em Beluluane leva pelo menos cinco empresas a cessarem operações, enquanto cerca de 25 fornecedores avaliam medidas semelhantes, num cenário que poderá afectar significativamente o sector manufactureiro e o crescimento económico do país.

Questões-Chave

  • Pelo menos cinco empresas do Parque Industrial de Beluluane já suspenderam completamente as suas actividades após a decisão de colocar a Mozal em regime de care and maintenance;
    • Cerca de 25 empresas fornecedoras da fundição avaliam adoptar medidas semelhantes perante a interrupção da produção;
    • Aproximadamente 4.000 postos de trabalho indirectos ligados à cadeia de valor da Mozal poderão estar em risco;
    • A Mozal representa cerca de metade do contributo do sector manufactureiro para o PIB de Moçambique.

A decisão de suspender temporariamente as operações da Mozal, uma das maiores indústrias de Moçambique e a segunda maior fundição de alumínio de África, já começa a produzir efeitos imediatos no ecossistema industrial associado ao empreendimento. Pelo menos cinco empresas instaladas no Parque Industrial de Beluluane cessaram completamente as suas actividades, num contexto em que outras poderão seguir o mesmo caminho caso a paralisação da fundição se prolongue, segundo informações avançadas pela Agência Lusa.

De acordo com Onório Manuel, Director-Geral da MozParks — entidade responsável pela gestão do Parque Industrial de Beluluane, localizado a cerca de 20 quilómetros da cidade de Maputo — a interrupção da produção na Mozal desencadeou um efeito em cadeia entre as empresas que integram a sua rede de fornecedores e prestadores de serviços, acrescenta a Agência Lusa.

Segundo o responsável, estima-se que cerca de 25 empresas estejam directamente ligadas à cadeia de fornecimento da fundição, incluindo empresas de manutenção eléctrica, manutenção industrial e fornecimento de bens e serviços especializados. Com a transição da Mozal para o regime de care and maintenance, muitas dessas empresas avaliam igualmente suspender as suas operações, de acordo com declarações citadas pela Agência Lusa.

Neste momento, pelo menos cinco empresas já cessaram completamente as actividades, sobretudo aquelas cuja operação estava directamente ligada ao processo produtivo da fundição de alumínio, acrescentou o responsável da MozParks.

Cadeia de valor sob pressão e empregos em risco

O impacto potencial desta decisão vai muito além da própria fundição. Segundo dados avançados pela gestão do Parque Industrial de Beluluane e citados pela Agência Lusa, cerca de 4.000 postos de trabalho associados à cadeia de valor da Mozal poderão estar em risco caso a paralisação se prolongue.

Importa recordar que a Mozal emprega directamente mais de mil trabalhadores, mas sustenta um universo muito mais amplo de empregos indirectos através da sua rede de fornecedores, subcontratados e prestadores de serviços.

Este efeito multiplicador é particularmente visível no Parque Industrial de Beluluane, que se consolidou ao longo das últimas duas décadas como um dos principais pólos industriais do país, precisamente graças à presença da Mozal enquanto empresa âncora.

Algumas empresas mantiveram actividade até ao momento da suspensão para assegurar os procedimentos técnicos associados ao encerramento seguro da fundição. Com esse processo concluído, muitas dessas operações tornaram-se economicamente inviáveis, explicou Onório Manuel à Agência Lusa.

Impacto potencial na economia nacional

O impacto da paralisação da Mozal poderá também repercutir-se ao nível macroeconómico, dada a relevância do complexo industrial para o sector manufactureiro e para o próprio produto interno bruto do país.

De acordo com estimativas referidas pelo Director-Geral da MozParks e citadas pela Agência Lusa, a Mozal representa, em média, cerca de 49% da contribuição do sector manufactureiro para o PIB de Moçambique.

Considerando que a economia moçambicana apresenta um PIB estimado em cerca de 16 mil milhões de dólares, e que o sector manufactureiro contribui com aproximadamente 10% desse total, a produção da Mozal constitui praticamente metade da actividade industrial formal do país, segundo os mesmos dados.

Neste contexto, uma paralisação prolongada poderá afectar o ritmo de crescimento económico, com potenciais implicações para receitas fiscais, emprego e dinâmica industrial.

Tarifas de energia no centro da decisão

A decisão de suspender as operações da fundição está directamente relacionada com os custos de energia eléctrica, um factor crítico para a indústria do alumínio, altamente intensiva em consumo energético.

A empresa australiana South32, accionista da Mozal, considerou “totalmente insustentável” a tarifa de electricidade proposta para o fornecimento de energia à unidade industrial em Maputo, segundo informações avançadas pela Agência Lusa.

Num encontro recente com investidores, o CEO da empresa, Graham Kerr, indicou que a única proposta formal apresentada pela empresa sul-africana Eskom rondava quase 100 dólares por megawatt-hora, um valor significativamente superior ao praticado na maioria das fundições de alumínio fora da China, onde menos de 1% das unidades opera com contratos acima de 50 dólares por megawatt-hora, refere a mesma fonte.

Apesar da suspensão das operações, a empresa não exclui a possibilidade de reactivar a fundição no futuro, caso as condições de fornecimento de energia se tornem mais competitivas.

Um sinal observado pelos investidores

Para os gestores do Parque Industrial de Beluluane, o impacto da suspensão da Mozal não se limita ao parque industrial, podendo também afectar a percepção dos investidores internacionais sobre o ambiente de negócios em Moçambique.

Segundo Onório Manuel, citado pela Agência Lusa, a paralisação de uma das maiores unidades industriais do país pode gerar sinais negativos nos mercados internacionais com interesse em investir no país, particularmente em projectos industriais de grande escala.

Num momento em que Moçambique procura acelerar a industrialização e diversificar a sua base produtiva, o desfecho deste processo poderá tornar-se um importante teste à capacidade do país de preservar e atrair investimentos industriais estratégicos.

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