
Companhia De Sena Liberaliza Venda Directa De Açúcar Após Intervenção Da ARC
- Decisão surge após condenação da Autoridade Reguladora da Concorrência contra cinco açucareiras por práticas anticoncorrenciais no sector. Empresa afirma que qualquer entidade ou cidadão pode agora comprar directamente na fábrica.
- Companhia de Sena liberaliza venda directa de açúcar;
- Medida surge após decisão da ARC sobre cartelização no sector;
- Açucareira afirma que vendas deixam de depender de intermediários;
- ARC dissolveu modelo da DNA e aplicou multas de 69,5 milhões de meticais;
- Debate sobre concorrência e liberalização volta ao centro do sector açucareiro.
A Companhia de Sena anunciou a liberalização da venda directa de açúcar na fábrica, permitindo que qualquer entidade ou cidadão possa adquirir o produto sem necessidade de intermediação, numa decisão que surge na sequência da intervenção da Autoridade Reguladora da Concorrência (ARC) no sector açucareiro nacional.
Segundo avançou a Lusa, a empresa esclareceu que a comercialização directa passa a estar aberta a todos os interessados, desde que cumpridos os critérios comerciais e legais estabelecidos, incluindo capacidade de levantamento, conformidade fiscal e disponibilidade de stock.
A decisão surge após a ARC ter condenado cinco empresas açucareiras por práticas anticoncorrenciais associadas à actuação da Distribuidora Nacional de Açúcar (DNA), estrutura criada em 2002 e que centralizava operações de compra, venda, importação, exportação e armazenamento de açúcar em Moçambique.
Intervenção Da ARC Reabre Debate Sobre Concorrência No Sector Açucareiro
De acordo com a informação divulgada pela Companhia de Sena, citada pela Lusa, a empresa deixou de integrar o modelo da DNA desde 2022 e defende agora uma abordagem assente na transparência e livre concorrência.
“Não existe qualquer regime de exclusividade ou restrição para a aquisição de açúcar”, afirmou a empresa, acrescentando que qualquer cidadão ou entidade devidamente licenciada poderá efectuar compras directamente na fábrica.
O anúncio representa um desenvolvimento relevante num sector historicamente marcado por mecanismos de coordenação comercial e forte concentração empresarial, frequentemente associados a debates sobre concorrência, formação de preços e acesso ao mercado.
A ARC concluiu recentemente uma investigação iniciada em 2022, que culminou na condenação de cinco açucareiras nacionais por participação em práticas anticoncorrenciais classificadas como “acordo horizontal proibido” e “participação em prática anticoncorrencial”, ao abrigo da Lei da Concorrência de Moçambique.
Segundo a deliberação 5/2025, de 13 de Novembro, citada pela Lusa, a investigação resultou na aplicação de multas que totalizam 69,5 milhões de meticais.
DNA Era Estrutura Central Da Comercialização De Açúcar
A DNA era composta por quatro empresas accionistas — Tongaat Açucareira de Moçambique, proprietária da unidade de Mafambisse, em Sofala; Tongaat Hulett Açucareira de Xinavane, em Maputo; Companhia de Sena, igualmente baseada em Sofala; e Maragra Açúcar, localizada em Maputo — cada uma com uma participação de 25% na estrutura responsável pela compra, venda, importação, exportação e armazenamento estratégico de açúcar no país.
A dissolução do modelo recoloca no centro do debate o futuro da estrutura comercial do sector açucareiro nacional, num contexto em que as autoridades procuram reforçar mecanismos de concorrência e transparência económica.
Liberalização Poderá Alterar Dinâmicas Comerciais Do Sector
A abertura das vendas directas poderá produzir efeitos importantes sobre a cadeia comercial do açúcar em Moçambique, sobretudo no que diz respeito ao acesso ao produto, estrutura de intermediação e formação de preços.
Ao permitir compras directamente na origem, o modelo poderá reduzir dependências comerciais e criar novas oportunidades para operadores independentes, comerciantes e consumidores institucionais.
Por outro lado, o episódio evidencia igualmente o crescente papel das autoridades reguladoras no escrutínio de sectores considerados estratégicos para o abastecimento nacional e estabilidade dos preços.
Num contexto de inflação alimentar recorrente e sensibilidade social em torno dos preços de bens essenciais, a dinâmica concorrencial do sector açucareiro tende a ganhar relevância económica e política acrescida.
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