AMELEC Defende Nova Arquitectura De Financiamento Para Libertar O Potencial Energético De Moçambique

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  • Especialistas alertam que a expansão das redes de transmissão será determinante para transformar a capacidade de geração em industrialização, integração regional e desenvolvimento económico sustentável.

Questões-Chave

• AMELEC defende aceleração dos investimentos em transmissão para evitar o isolamento de capacidade de geração energética;

• Sociedade Nacional de Transporte de Energia admite necessidade de recorrer a transportadores independentes de energia;

• Sector energético defende novos modelos de financiamento para infra-estruturas estratégicas;

• Especialistas consideram que a transmissão é o principal elo para transformar energia em industrialização;

• Resiliência climática e integração regional surgem como prioridades para o futuro da rede eléctrica nacional.

A discussão sobre o futuro energético de Moçambique está a deslocar-se progressivamente da geração para a transmissão. Embora o país disponha de alguns dos maiores recursos energéticos de África, especialistas do sector defendem que a verdadeira transformação económica dependerá da capacidade de construir infra-estruturas capazes de transportar essa energia para os centros de consumo, os pólos industriais e os mercados regionais.

Esta foi uma das principais conclusões da conversa estratégica promovida pela Associação Moçambicana de Engenheiros Eléctricos (AMELEC), que reuniu em Maputo representantes do sector energético, gestores de infra-estruturas, académicos e especialistas para discutir os desafios da transmissão eléctrica num contexto de crescente procura de energia, industrialização e integração regional.

O Desafio Já Não É Produzir Energia, Mas Sim Transportá-LaMoçambique consolidou, ao longo das últimas décadas, uma posição privilegiada no panorama energético regional. A combinação entre recursos hidroeléctricos, gás natural, energias renováveis e uma localização geográfica estratégica coloca o país entre os mercados com maior potencial de geração eléctrica do continente.Contudo, segundo os participantes do encontro, a existência de capacidade de geração não é suficiente para assegurar desenvolvimento económico.Na abertura do evento, o Presidente da AMELEC, Dário Nhacassene, defendeu que Moçambique enfrenta uma responsabilidade histórica num momento em que a transição energética, a digitalização das redes e a integração regional estão a redefinir os sistemas energéticos em todo o mundo. Na sua perspectiva, o país deve garantir que nenhum megawatt produzido fique limitado pela ausência de infra-estruturas de transmissão adequadas.A mensagem reflecte uma preocupação crescente entre os especialistas: a possibilidade de o país aumentar a capacidade de produção sem desenvolver, em paralelo, as redes necessárias para escoar essa energia para os consumidores e para os sectores produtivos.Transmissão Surge Como Novo Factor Crítico De CompetitividadeAo longo do debate, tornou-se evidente que a transmissão está a assumir um papel central na estratégia energética nacional.A expansão das linhas de transporte, subestações e sistemas de interligação é vista como condição indispensável para aumentar a electrificação, apoiar o desenvolvimento industrial e fortalecer a integração energética com os países vizinhos.A lógica é simples: sem redes robustas de transmissão, os investimentos em geração perdem parte significativa do seu potencial económico.Os especialistas defenderam que a energia deve ser encarada não apenas como um serviço público, mas como um instrumento de transformação económica, capaz de impulsionar agricultura, agro-processamento, indústria transformadora, mineração, logística e desenvolvimento territorial.Sector Defende Nova Arquitectura De FinanciamentoUma das questões mais debatidas durante o encontro foi o financiamento das futuras infra-estruturas.O chairman da Sociedade Nacional de Transporte de Energia (STE), Pedro Ngulume, reconheceu que a dimensão dos investimentos necessários obriga o país a adoptar abordagens inovadoras e a mobilizar novas fontes de capital.Segundo explicou, Moçambique começou a discutir a possibilidade de introduzir Transportadores Independentes de Energia (Independent Transmission Companies – ITC), numa lógica semelhante àquela que permitiu a expansão dos Produtores Independentes de Energia em vários mercados internacionais.A proposta surge num contexto em que os recursos públicos são cada vez mais limitados e em que os grandes projectos de transmissão exigem investimentos de longo prazo, com elevados requisitos financeiros e tecnológicos.Na visão dos participantes, a participação do sector privado poderá acelerar a construção de infra-estruturas críticas e reduzir os constrangimentos que actualmente limitam o aproveitamento do potencial energético nacional.Energia Deve Alimentar A IndustrializaçãoOutro aspecto relevante da discussão incidiu sobre a utilização da energia como motor de desenvolvimento económico.Os especialistas questionaram a aparente contradição entre a crescente capacidade de geração do país e as dificuldades ainda enfrentadas por vários sectores produtivos no acesso a energia fiável e competitiva.Na avaliação apresentada, o verdadeiro desafio não reside apenas em produzir electricidade, mas em criar as condições necessárias para que essa energia seja convertida em actividade económica, produtividade e criação de emprego.A expansão das redes de transmissão e distribuição é, por isso, vista como um elemento essencial para apoiar a industrialização, reduzir desigualdades territoriais e promover o desenvolvimento económico local.Infra-Estruturas Resilientes Num Contexto De Mudanças ClimáticasO debate abordou igualmente a necessidade de construir infra-estruturas mais resilientes aos fenómenos climáticos extremos.Num país frequentemente afectado por ciclones, cheias e outros eventos associados às mudanças climáticas, os participantes defenderam que os futuros investimentos em transmissão devem incorporar critérios de resiliência e adaptação.A preocupação é particularmente relevante tendo em conta que interrupções prolongadas no fornecimento de energia podem gerar elevados custos económicos e comprometer a competitividade dos sectores produtivos.Entre Potencial E ExecuçãoApesar do optimismo em relação

O Desafio Já Não É Produzir Energia, Mas Sim Transportá-La

Moçambique consolidou, ao longo das últimas décadas, uma posição privilegiada no panorama energético regional. A combinação entre recursos hidroeléctricos, gás natural, energias renováveis e uma localização geográfica estratégica coloca o país entre os mercados com maior potencial de geração eléctrica do continente.

Contudo, segundo os participantes do encontro, a existência de capacidade de geração não é suficiente para assegurar desenvolvimento económico.

Na abertura do evento, o Presidente da AMELEC, Dário Nhacassene, defendeu que Moçambique enfrenta uma responsabilidade histórica num momento em que a transição energética, a digitalização das redes e a integração regional estão a redefinir os sistemas energéticos em todo o mundo. Na sua perspectiva, o país deve garantir que nenhum megawatt produzido fique limitado pela ausência de infra-estruturas de transmissão adequadas.

A mensagem reflecte uma preocupação crescente entre os especialistas: a possibilidade de o país aumentar a capacidade de produção sem desenvolver, em paralelo, as redes necessárias para escoar essa energia para os consumidores e para os sectores produtivos.

Transmissão Surge Como Novo Factor Crítico De Competitividade

Ao longo do debate, tornou-se evidente que a transmissão está a assumir um papel central na estratégia energética nacional.

A expansão das linhas de transporte, subestações e sistemas de interligação é vista como condição indispensável para aumentar a electrificação, apoiar o desenvolvimento industrial e fortalecer a integração energética com os países vizinhos.

A lógica é simples: sem redes robustas de transmissão, os investimentos em geração perdem parte significativa do seu potencial económico.

Os especialistas defenderam que a energia deve ser encarada não apenas como um serviço público, mas como um instrumento de transformação económica, capaz de impulsionar agricultura, agro-processamento, indústria transformadora, mineração, logística e desenvolvimento territorial.

Sector Defende Nova Arquitectura De Financiamento

Uma das questões mais debatidas durante o encontro foi o financiamento das futuras infra-estruturas.

O chairman da Sociedade Nacional de Transporte de Energia (STE), Pedro Ngulume, reconheceu que a dimensão dos investimentos necessários obriga o país a adoptar abordagens inovadoras e a mobilizar novas fontes de capital.

Segundo explicou, Moçambique começou a discutir a possibilidade de introduzir Transportadores Independentes de Energia (Independent Transmission Companies – ITC), numa lógica semelhante àquela que permitiu a expansão dos Produtores Independentes de Energia em vários mercados internacionais.

A proposta surge num contexto em que os recursos públicos são cada vez mais limitados e em que os grandes projectos de transmissão exigem investimentos de longo prazo, com elevados requisitos financeiros e tecnológicos.

Na visão dos participantes, a participação do sector privado poderá acelerar a construção de infra-estruturas críticas e reduzir os constrangimentos que actualmente limitam o aproveitamento do potencial energético nacional.

Energia Deve Alimentar A Industrialização

Outro aspecto relevante da discussão incidiu sobre a utilização da energia como motor de desenvolvimento económico.

Os especialistas questionaram a aparente contradição entre a crescente capacidade de geração do país e as dificuldades ainda enfrentadas por vários sectores produtivos no acesso a energia fiável e competitiva.

Na avaliação apresentada, o verdadeiro desafio não reside apenas em produzir electricidade, mas em criar as condições necessárias para que essa energia seja convertida em actividade económica, produtividade e criação de emprego.

A expansão das redes de transmissão e distribuição é, por isso, vista como um elemento essencial para apoiar a industrialização, reduzir desigualdades territoriais e promover o desenvolvimento económico local.

Infra-Estruturas Resilientes Num Contexto De Mudanças Climáticas

O debate abordou igualmente a necessidade de construir infra-estruturas mais resilientes aos fenómenos climáticos extremos.

Num país frequentemente afectado por ciclones, cheias e outros eventos associados às mudanças climáticas, os participantes defenderam que os futuros investimentos em transmissão devem incorporar critérios de resiliência e adaptação.

A preocupação é particularmente relevante tendo em conta que interrupções prolongadas no fornecimento de energia podem gerar elevados custos económicos e comprometer a competitividade dos sectores produtivos.

Entre Potencial E Execução

Apesar do optimismo em relação ao futuro do sector, os participantes convergiram numa ideia central: o potencial energético de Moçambique, por si só, não garante desenvolvimento.

A capacidade de transformar recursos energéticos em crescimento económico, emprego e industrialização dependerá da rapidez com que o país consiga expandir as suas redes de transmissão, mobilizar financiamento, fortalecer instituições e executar projectos estruturantes.

Num momento em que Moçambique procura afirmar-se como um hub energético regional, a discussão promovida pela AMELEC reforça uma mensagem cada vez mais consensual entre os especialistas: a próxima grande batalha do sector energético não será travada nas centrais de produção, mas nas linhas de transmissão que irão ligar a energia às oportunidades de desenvolvimento.