Novos Aviões Da LAM Continuam Em Terra E Atraso Agrava Custos Da Reestruturação

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  • Dois Embraer 190 adquiridos há vários meses permanecem fora de operação. Administração atribui demora à implementação da nova imagem corporativa e à transformação interna da companhia, mas dependência de aeronaves alugadas continua a gerar encargos adicionais.

Questões-Chave

  • Dois Embraer 190 adquiridos pela LAM continuam sem entrar em operação vários meses após a sua chegada;
  • Administração justifica atraso com a implementação da nova imagem corporativa e mudanças internas associadas à reestruturação;
  • Companhia continua dependente de quatro aeronaves alugadas para assegurar as operações;
  • Processo gera custos adicionais numa fase em que a empresa procura recuperar a estabilidade financeira;
  • Reestruturação envolve recapitalização, renovação da frota, racionalização de custos e reforço da governação corporativa.

A reestruturação das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), apresentada pelo Governo como uma das mais importantes operações de recuperação empresarial dos últimos anos, enfrenta um novo foco de escrutínio. Dois dos quatro aviões adquiridos no âmbito do processo de revitalização da companhia continuam sem entrar em operação, vários meses depois da sua chegada ao país, alimentando interrogações sobre o ritmo efectivo da recuperação da transportadora nacional.

Os aparelhos em causa são duas aeronaves Embraer 190 adquiridas em 2025 para reforçar a frota da empresa. Apesar de terem sido apresentados como um dos símbolos da nova fase da companhia, os aviões permanecem em terra, numa situação que a administração associa à implementação da nova identidade corporativa da LAM e à introdução de novos procedimentos internos.

A explicação foi avançada por Agostinho Langa, Presidente do Conselho de Administração dos CFM, uma das empresas públicas que integram a nova estrutura accionista da transportadora.

Segundo o responsável, a pintura das aeronaves já foi concluída, encontrando-se agora em curso os preparativos finais para a entrada em serviço dos aparelhos, cuja operacionalização deverá ocorrer nos próximos dias.

Uma Nova Marca Que Vai Além Da Pintura

A administração da companhia defende que a mudança em curso não se resume a uma simples alteração estética.

Segundo Agostinho Langa, a nova imagem da LAM implica igualmente a revisão de processos internos, procedimentos operacionais e práticas de gestão que deverão sustentar a transformação estrutural da empresa.

A narrativa procura enquadrar o atraso como parte integrante de um processo mais amplo de modernização e reposicionamento estratégico da companhia aérea nacional.

Contudo, para o mercado e para os passageiros, a principal expectativa continua centrada na disponibilidade efectiva de mais aeronaves para responder às necessidades crescentes de transporte aéreo doméstico e regional.

Dependência De Aeronaves Alugadas Continua A Gerar Pressão

Enquanto os novos aparelhos permanecem fora de serviço, a LAM continua a operar com uma frota fortemente dependente de contratos de aluguer.

Actualmente, a companhia utiliza seis aeronaves nas suas operações regulares, das quais apenas duas são propriedade da empresa, enquanto quatro permanecem alugadas.

A situação traduz-se em custos operacionais adicionais num momento em que a empresa procura precisamente reduzir encargos e melhorar a sustentabilidade financeira.

O próprio Agostinho Langa reconheceu que a demora na entrada em operação dos Embraer implica despesas acrescidas, uma vez que a companhia necessita de continuar a recorrer às aeronaves alugadas para assegurar a cobertura das rotas nacionais e regionais.

Mesmo após a entrada dos novos aviões, a administração admite que o recurso ao aluguer continuará a ser necessário, pelo menos no curto prazo, dado que a capacidade actualmente disponível continua insuficiente para responder à procura existente.

Reestruturação Mobiliza Milhões De Dólares

O atraso ocorre num contexto de forte investimento público na recuperação da transportadora.

De acordo com a Conta Geral do Estado de 2025, o processo de reestruturação assegurou a aquisição de quatro aeronaves — dois Bombardier Q400 e dois Embraer 190 — e avançou com diversas medidas destinadas à estabilização financeira e operacional da empresa.

O plano inclui igualmente a regularização de dívidas junto de instituições financeiras e empresas públicas, a recapitalização da companhia e a implementação de reformas de governação corporativa.

No âmbito deste processo, a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) aprovou um investimento de 36 milhões de dólares, enquanto a EMOSE e os CFM aprovaram investimentos de cerca de 22 milhões de dólares cada, assumindo posições accionistas relevantes na companhia.

Foi igualmente criada a Fly Moz, entidade concebida para apoiar a mobilização de financiamento destinado à recuperação da empresa.

Recuperação Operacional Continua A Ser O Principal Teste

Apesar dos progressos registados na componente financeira e institucional, a efectiva recuperação da LAM continuará a ser medida sobretudo pela sua capacidade operacional.

O reforço da frota, a melhoria da pontualidade, a expansão da oferta de lugares e a redução da dependência de soluções temporárias de aluguer constituem elementos essenciais para restaurar a confiança dos passageiros e do mercado.

A entrada em operação dos dois Embraer 190 será, por isso, observada como um importante indicador da capacidade da nova estrutura accionista em transformar os investimentos realizados em ganhos concretos de eficiência e competitividade.

Mais do que uma questão de imagem corporativa, o desafio central da LAM continua a ser demonstrar que a reestruturação em curso é capaz de produzir resultados tangíveis numa empresa que, durante anos, acumulou dificuldades financeiras, operacionais e reputacionais.