
Ouro Recupera Acima de US$ 4.400 Com Recuo do Dólar e dos Juros
- Investidores reavaliam os riscos de escalada da guerra no Irão e aguardam os dados do emprego norte-americano, que poderão determinar a próxima decisão da Reserva Federal
- Ouro à vista avançou 1,1%, para US$4.434,70 por onça, depois de tocar mínimos de quase um mês;
- Dólar mais fraco e descida dos rendimentos das obrigações do Tesouro norte-americano favoreceram a recuperação do metal;
- Mercado atribui uma probabilidade de 62% a uma subida das taxas de juro da Reserva Federal em Setembro;
- Administração Trump procura conter uma nova escalada da guerra no Irão antes das eleições intercalares de Novembro;
- Prata, platina e paládio acompanharam a valorização do ouro.
O ouro recuperou, esta quinta-feira, 3 de Setembro, o patamar dos US$ 4.400 por onça, beneficiando do enfraquecimento do dólar, da descida dos rendimentos da dívida pública norte-americana e de sinais de que a Administração de Donald Trump procura evitar uma nova escalada da guerra no Irão antes das eleições intercalares de Novembro.
Segundo a Reuters, o ouro à vista valorizou 1,1%, para US$ 4.434,70 por onça, depois de ter atingido, na sessão anterior, o nível mais baixo em quase um mês. Os contratos futuros norte-americanos avançaram 1,5%, para US$ 4.480,10 por onça.
O movimento representa uma recuperação face às perdas registadas no início da semana, quando o metal caiu mais de 2%, penalizado pela valorização do dólar, pela subida dos rendimentos das obrigações soberanas e pelo aumento das expectativas de uma nova subida das taxas de juro nos Estados Unidos.
Dólar e Rendimentos Recuam
A desvalorização da moeda norte-americana tornou o ouro, cotado em dólares, relativamente menos oneroso para os investidores que operam noutras divisas. Em paralelo, os rendimentos das obrigações do Tesouro recuaram dos máximos de vários anos atingidos durante a recente vaga de vendas no mercado da dívida.
Embora seja tradicionalmente procurado como activo de refúgio e instrumento de protecção contra a inflação, o ouro não proporciona juros. A subida das taxas directoras e dos rendimentos das obrigações aumenta, por isso, o custo de oportunidade da sua detenção, tornando os activos remunerados comparativamente mais atractivos.
O movimento desta quinta-feira mostra que a trajectória do metal continua fortemente dependente das expectativas sobre a política monetária norte-americana, mesmo num ambiente de persistente incerteza geopolítica.
Mercado Aguarda Dados do Emprego
A atenção dos investidores está agora concentrada no relatório oficial do emprego não agrícola dos Estados Unidos, cuja divulgação está prevista para sexta-feira. Os números poderão oferecer indicações adicionais sobre a evolução da economia e influenciar a decisão da Reserva Federal na reunião de 15 e 16 de Setembro.
O relatório da ADP indicou que o emprego no sector privado norte-americano aumentou moderadamente em Agosto. Por seu turno, o Livro Bege da Reserva Federal mostrou uma expansão modesta da actividade económica, uma ligeira melhoria do emprego e uma subida moderada dos preços.
A combinação destes indicadores não eliminou a incerteza sobre a próxima decisão do banco central. De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, os mercados atribuíam uma probabilidade de 62% a uma subida das taxas de juro ainda este mês.
Ilya Spivak, responsável de análise macroeconómica global da Tastylive, considerou, citado pela Reuters, que os dados do emprego deverão constituir o principal momento da semana para os mercados. Uma criação de postos de trabalho abaixo das previsões poderá reduzir as apostas numa subida dos juros e abrir espaço para novos ganhos do ouro.
Caso o preço se mantenha acima de US$ 4.400, o mercado poderá voltar a testar os níveis de US$ 4.500 e, posteriormente, US$ 4.700 por onça. Um relatório do emprego mais robusto, porém, poderá sustentar expectativas de maior aperto monetário e limitar essa recuperação.
Trump Procura Conter Escalada no Irão
O mercado acompanhou igualmente informações de que assessores de alto nível do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estão a defender a contenção da guerra no Irão antes das eleições intercalares de 3 de Novembro.
De acordo com a Reuters, responsáveis da Casa Branca procuram evitar uma nova escalada que possa ampliar as perdas eleitorais do Partido Republicano, embora esteja em consideração a possibilidade de intensificação das operações militares depois da votação.
Uma redução do risco imediato de escalada poderá aliviar as expectativas de novas subidas do petróleo e, consequentemente, as pressões inflacionárias associadas aos custos da energia. Este cenário reduziria a pressão sobre a Reserva Federal para manter uma política monetária mais restritiva.
Ao mesmo tempo, a continuidade do conflito preserva a procura por activos defensivos. O ouro encontra-se, assim, entre duas forças: a menor percepção de risco geopolítico imediato limita a procura por refúgio, mas o alívio das expectativas inflacionárias e dos rendimentos obrigacionistas melhora as condições financeiras para a valorização do metal.
Metais Preciosos Acompanham Recuperação
Os restantes metais preciosos também registaram ganhos. A prata valorizou 1,2%, para US$ 66,08 por onça, enquanto a platina subiu 1%, para US$ 1.777,79. O paládio avançou 0,8%, para US$ 1.356,50 por onça.
A valorização generalizada indica que a sessão foi dominada pelo recuo do dólar e dos rendimentos da dívida norte-americana. A direcção seguinte do mercado deverá, contudo, ser determinada pelos dados do emprego e pela forma como estes alterarem as expectativas em torno da política monetária da Reserva Federal.
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